<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358</id><updated>2012-02-16T01:31:31.237-08:00</updated><category term='Índice dos Contos Maytréia'/><category term='Marcel Herrero'/><category term='Nazireus'/><category term='Papiro Semiázico'/><category term='Karnah'/><category term='Aishim'/><category term='Damnati'/><category term='Haniel'/><category term='Diego Tartaglia'/><category term='Ecos de Praga'/><category term='Rebelião'/><category term='adâmicos'/><category term='Paulus'/><category term='Darc'/><category term='Henrique Panisson'/><category term='Abomináveis'/><category term='Precursores'/><category term='I Concurso de Contos Maytréia'/><category term='Cruz Resplandecente'/><category term='Sheilim'/><category term='Lilim'/><category term='versipellis'/><category term='Veneráveis'/><category term='Avatares'/><category term='Profanzeichen'/><category term='Simoes Lopes'/><category term='Up-en-khat'/><category term='Danilo Faria'/><category term='Distopia'/><category term='Gomorra'/><category term='Jórgios'/><category term='Cartas Paulinas'/><category term='Maytréia'/><category term='Desespero'/><category term='Adoradores da Lua Negra'/><category term='Flauberth Carvalho'/><category term='Triunfantes'/><category term='Rafael Blanco'/><category term='Patrícia Peret'/><category term='bruxos'/><category term='Kerubim'/><category term='Deus Ex Machina'/><category term='Ladaimes'/><category term='Golgotha'/><category term='Renato Simões'/><category term='Ganu&apos;el'/><category term='Índice dos Contos Rebelião'/><category term='Andre Esteves'/><category term='Nadais'/><category term='Ilha de São Dimas'/><category term='Pitonisa'/><category term='Lendas de Glenda'/><category term='Gargântua'/><category term='Baalim'/><category term='Escribas'/><title type='text'>Contos do Universo Germinante</title><subtitle type='html'>Os universos de Maytréia e Rebelião contêm muitas histórias. Aqui estão apenas algumas delas...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>140</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-1000337674503685237</id><published>2010-02-02T16:33:00.000-08:00</published><updated>2010-02-02T16:36:20.437-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nadais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecos de Praga'/><title type='text'>Rebelião 100: Trilha Ancestral</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ECOS DE PRAGA V&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;Mesmo à noite, os majestosos afrescos da Igreja de São Nicolau brilhavam, refletindo a luz mortiça que iluminava o interior. Uma pequena e quase despercebida janela lateral deixava passar um fino raio de luar que incidia diretamente sobre a silhueta encapuzada do homem esquálido que estava parado junto ao altar. Dois sacristãos passavam apressados, carregando vasilhames com apetrechos litúrgicos, enquanto uma faxineira de origem albanesa varria os corredores. O homem esguio apoiava-se em uma robusta bengala prateada, e seus olhos sempre fechados sugeriam que se tratava de um cego. Ele bateu duas vezes com o objeto no chão, deixando um leve estampido metálico ecoando pelos corredores da nave central. Sentou-se no banco mais próximo, e sem precisar se virar, disse com uma voz fina e estridente:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Duas horas de atraso. Já estava pensando que minha proposta não fora levada em consideração — o tom exprimia uma certa irritação. Por trás, um visitante acabara de chegar furtivamente, protegido pelas sombras projetadas na parede lateral.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Problemas corriqueiros de  trânsito. Estou aqui conforme o nosso trato, mas antes, preciso conferir o  objeto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Paciência, meu caro Magnus! Se você fez tudo conforme eu orientei, o presente será seu... fique tranquilo — havia uma leve ironia na voz aguda. Mas não duvide de minha honestidade. Sinto-me ofendido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Eu segui todas as instruções, inclusive fornecendo as  informações que os monges precisavam. Gastei duas porções de &lt;em&gt;elixir salamândrico&lt;/em&gt; para capturar os meri’im, e meus braços ainda estão doloridos pela luta. Minha rótula direita também está seriamente prejudicada, e acho que vou precisar desta bengala mais do que você.&lt;br /&gt;— Este histrionismo infantil não cai bem em você, um descendente do notório Conde Ferdinand. Não estou aqui para ouvir gracejos, sinta-se feliz por suas rótulas ainda estarem no lugar. Janus Wagenher extirpou os próprios rins na esperança de obter um simples fluido de levitação. Eu vi com meus próprios olhos as chagas malcheirosas de Massimiana di Parma, que morreu leprosa no Monte Carmelo buscando por relíquias&lt;br /&gt; que nem eram verdadeiras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Massimiana?  Você a conheceu? Quantos anos você tem?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Muitos. Mas não estou preocupado  com números, estou aqui para fechar um negócio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;A luz crepuscular incidiu no rosto do velho, revelando uma pele pálida e de aparência oleosa. Pêlos pontudos e prateados emolduravam o queixo com uma barba comprida. À medida que falava. os fios tremulavam como se tivessem vida própria.&lt;br /&gt;Magnus Mladota de Solopysky era um longínquo descendente do Conde Ferdinand de Solopysky, aquele quem as lendas familiares atribuíam ter sido arrebatado pelo Demônio após um pacto malsucedido, e dedicara sua vida inteira a um resgate das supostas tradições sobrenaturais da família. Ao contrário da maioria dos bruxos quiméricos, que dedicam-se com afinco na compreensão do sobrenatural, acumulando conhecimentos e instrumentos de toda origem, seja ela celeste, infernal ou outra qualquer, Magnus tornou-se fascinado pela manipulação de poderes demoníacos. Sem qualquer pudor ou freio moral, conseguiu invocar as mais diversas espécies de demônios e através delas aumentar seus recursos místicos. De tanto buscar novos contatos, o descendente do conde acabou por descobrir aquele misterioso ancião num beco em Malá Strana. Prometendo uma dádiva há muito procurada, o Amuleto Kelley, o velho pediu em troca apenas sete espécimes de demônios capturados. Para isso, Magnus precisava encontrar-se com o negociante em sete igrejas diferentes, e em cada uma delas entregar um frasco contendo uma mistura de vinho, azeite, água benta e seu próprio sangue. Dois encontros anteriores já haviam ocorrido nas igrejas de São João Nepomuceno e de São Clemente, sempre seguindo o mesmo estranho ritual.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;Magnus sentiu-se um pouco zonzo. “Consequência da perda de sangue”, pensou ele, enquanto revirava os bolsos do casaco pesado de lã. Puxou um pequeno cilindro de vidro fosco, envolvido por anéis metálicos de cobre. A tampa, também de cobre, trazia marcas azuladas de oxidação, e tinha entalhada quatro letras hebraicas entalhadas. Quando ele balançou o frasco, ouviu-se um silvo bem agudo, e um som estranho demais para ser definido. O velho arrebatou o frasco com impaciência e olhou-o contra a luz, tomando cuidado para não chamara a atenção das poucas pessoas que circulavam pela Igreja.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;Ele sorriu pela primeira vez, expondo os dentes grandes e enegrecidos. Fixou os olhos no vidro escuro, como se pudesse enxergar através das paredes opacas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Perfeito — disse ele, satisfeito  com o presente. Só restam mais quatro encontros, até lá.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Espere. Não quero sair daqui de mãos vazias — Magnus reforçou sua frase retomando o frasco com violência. E se você não cumprir sua parte?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;O velho franziu o cenho, e pela primeira vez abriu um dos olhos, inteiramente negro, como se fosse uma gema de ônix. Magnus sentiu um arrepio incontrolável de frio. Uma névoa gélida parecia emanar dos lábios do estranho homem, à medida que ele falava:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Eu cumprirei minha parte, e tudo o que você tem é a minha palavra. Nada mais. Espere até o fim do ritual, e quando eu tiver meu sétimo demônio, na sétima igreja, você terá as respostas sobre o amuleto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;O frio tornou-se tão intenso que Magnus teve dificuldade em controlar os braços. O vidro escorregou de suas mãos, tão gelado que parecia queimar ao toque. O velho pegou o frasco com os dedos longos, e fez um leve afago nos ombro do bruxo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Nos vemos daqui a sete dias, no  mesmo horário, na Capela de Belém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;Ele ergueu-se, batendo a pesada bengala contra o chão. Aproximando-se do ouvido de Magnus, que ainda tremia de frio, disse com um tom estranhamente cordial:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— Não sinta-se mal, meu amigo. Como sinal de minha gratidão, deixe-me pronunciar meu nome: MEFISTÓFELES — sussurrou, e Magnus sentiu a sensação glacial estancar subitamente. — Aceite isso como uma espécie de brinde, já que não são muitos os que conhecem meu nome.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;Enquanto Mefistófeles, o ancião misterioso, desaparecia pela porta principal da Igreja de São Nicolau, Magnus de Solopysky, tentava se recompor. Tinha que se preparar para o próximo encontro, e o tempo era curto. Esfregou o dedo mínimo, revelando uma tatuagem minúscula na polpa do dedo. As linhas marcadas em vermelho-arroxeado formavam uma espiral de traços delicados, conhecida nos compêndios quiméricos como &lt;em&gt;Espiral de Noviomagus&lt;/em&gt;. Estes mesmos compêndios, que acusavam a origem pré-céltica do glifo, ensinavam a sua utilização na detecção de forças do Outro Mundo. O bruxo olhou com atenção para o dedo, e viu que as pontas da espiral carmim estavam agora com um tom levemente amarelado. A mudança de cor comprovada a essência inumana de Mefistófeles, e Magnus sentiu-se tomado por uma vaidade indescritível, orgulhoso em seguir os passos de seu ancestral de séculos atrás. Fez o sinal da cruz, num sinal de devoção que os paroquianos jamais saberiam que era inteiramente falso, e deixou a igreja em passos rápidos. Cada vez mais ele aprofundava-se em seus conhecimentos arcanos, e ampliava seu controle sobre fontes de poderes infernais. Precisava voltar o mais rápido possível para casa, a fim de preparar mais armadilhas alquímicas para diabretes do Limbo. O próximo meri’im capturado precisava ser ainda mais poderoso que os anteriores. O Príncipe das Trevas era exigente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;Enquanto isso, longe de qualquer presença humana, o sinistro Mefistófeles esgueirava-se por uma viela escura e abandonada, às beiras de um barranco íngreme, onde jaziam as ruínas enterradas de um antigo templo, há muito destruído. O velho passou as unhas nas tiras de cobre velho, fazendo-as brilhar num clarão azulado intenso e rápido, dissolvendo-as à medida que pronunciava frases que nenhum ouvido humano seria capaz de traduzir. Com um golpe seco contra o muro, o frasco foi quebrado, revelando uma criaturinha abjeta que se contorcia e deixava uma gosma borbulhante nos líquido que escorria do vidro. Cinco olhos reptilianos vasculharam rapidamente todas as direções, no topo de pendúculos carnosos que ligavam-se a uma cabeça peluda, vagamente assemelhada à de um macaco em miniatura. Tentáculos rosados cercavam um corpo de lagosta, e quatro asas prateadas batiam sofregamente, ainda pegajosas com a mistura alquímica de vinho, sangue e azeite. Como se sentisse a presença de Mefistófeles, ela tentou um salto para longe, mas o velho agarrou-a em plena tentativa de vôo. Apertando o demônio com as mãos ossudas, ele olhou aquela massa disforme, e bafejou uma fumaça gélida nas asas membranosas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— ASPEKALNAKES — disse ele com o tom professoral de um cientista estudando uma espécie de animal desconhecida. — Um meri’im de pequena grandeza, mas ainda assim com qualidades intrinsecamente únicas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;O velho abriu a bocarra, expondo os dentes negros e pontudos, e arrancou uma das asas com um puxão rápido. Aspekalnakes, o demônio, soltou um ruído estridente, parecendo ora como o borbulhar de uma panela de água fervente, ora como o miado de um filhote de gato. A boca simiesca cuspiu um jato avermelhado de ácido, que congelou em contato com a aura fria que emanava de Mefistófeles, adquirindo o formato bizarro de um galho ramificado, fino e de brilho oleoso, logo se pulverizando. O monstrinho pareceu inchar, crescendo até aparentar o tamanho de uma ratazana. Soltou mais um grito, uma horrenda mistura de mugido e gargalhada, antes de sentir seu ventre perfurado pela unha comprida do velho, que num movimento rápido demais para ser entendido, devorou a cabeça do meri’im, e envolveu-o mais uma vez com um bafo congelante, para impedir que a mutilação do corpo físico provocasse o seu desaparecimento. Com os dentes afiados, arrancava grandes nacos de ectoplasma carnoso, sempre recitando a sua estranha ladainha. Em poucos segundos, o demônio estava devorado, e os grandes olhos negros de Mefistófeles se abriram, mostrando pontos de luz que reluziam como estrelas no fundo negro que parecia preencher o âmago daquela estranha entidade inumana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;A atmosfera do beco ficou subitamente ainda mais fria, e Mefistófeles sentiu que as linhas energéticas invisíveis que atravessavam o éter ficaram subitamente supersaturadas. Reconhecendo o sinal característico de sua espécie, ele fixou os olhos num trecho do muro onde um filete de gelo parecia começar a se acumular. A umidade congelava-se rapidamente em uma reação em cadeia que acabou por delinear uma silhueta vagamente humana. No meio da bruma, materializou-se outro ser parecido com Mefistófeles, mas de traços nitidamente distintos. Era mais baixo, bem mais magro, com o andar bem curvado. Sua barba acabava em um ponta dupla.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— &lt;em&gt;Irmão Mothardis, que Ratsiel esteja conosco&lt;/em&gt;— saudou Mefistófeles o  seu parente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— &lt;em&gt;Irmão Mefistófeles, que assim seja&lt;/em&gt; — respondeu o assim denominado  Mothardus, em um idioma inaudível para ouvidos humanos. — &lt;em&gt;Desejo sucesso a teus planos&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— &lt;em&gt;Com a graça do Bom Ratsiel, o Adamita prossegue cada vez mais enredado  em minhas urdiduras&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— &lt;em&gt;Sinto impurezas em tua aura, Irmão­ – &lt;/em&gt;disse em tom de alerta.  Mefistófeles não se demonstrou abalado: — &lt;em&gt;O  descendente do Conde Ferdinand é engenhoso, e tentou surpreender-me com  simulacros de magia noviomagiana&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Um  desconforto facilmente reversível. Ele sabe meu nome, mas não sabe que em EU  SOU.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;– &lt;em&gt;É fundamental que nossa trama prossiga incógnita, Irmão Mefistófeles­ ­— &lt;/em&gt;Mothardus alertou. À medida que a conversa prosseguia, as duas criaturas começaram a se dissolver nas sombras que cobriam o caminho abandonado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;— &lt;em&gt;Ela pensa estar negociando com um dos príncipes caídos do Sheol&lt;/em&gt; — a  palavra foi realçada com um tom de asco pungente — &lt;em&gt;e nem desconfia ser um títere nas mãos de um Celícola&lt;/em&gt;. Neste momento, um gato preto arisco atravessava o muro com pressa, na ânsia de perseguir uma gorda ratazana. Mothardus e Mefistófeles continuavam ali, mas num estado fantasmagórico, sua presença indetectável para qualquer mortal. Uma coruja sobrevoou a viela, não sentindo nada além de uma pontada quase imperceptível de frio.Quando o sol nascesse, dentro de um par de horas, os dois &lt;em&gt;nadais&lt;/em&gt; não estariam mais ali.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: verdana;"&gt;ECOS DE PRAGA V: TRILHA ANCESTRAL&lt;/em&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://iniciativaraq.wordpress.com/2009/10/30/iniciativa-raq-2-finalmente/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A CIDADE DE PRAGA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10pt;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-1000337674503685237?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/1000337674503685237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=1000337674503685237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/1000337674503685237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/1000337674503685237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2010/02/rebeliao-100-trilha-ancestral.html' title='Rebelião 100: Trilha Ancestral'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-2786118315434544439</id><published>2009-12-04T12:53:00.000-08:00</published><updated>2009-12-04T13:30:40.715-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Precursores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecos de Praga'/><title type='text'>Rebelião 99: Alpha Scorpii</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Sxl-BCVvNpI/AAAAAAAAAek/vl4Qf56mFEo/s1600-h/RAQ99_alpha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 170px; height: 288px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Sxl-BCVvNpI/AAAAAAAAAek/vl4Qf56mFEo/s400/RAQ99_alpha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411494983535376018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ECOS DE PRAGA IV&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Manfred von Burgund, o famoso magnata alemão, proprietário da Financeira Alpha Scorpii, está desaparecido há cerca de um mês, e nenhuma das polícias européias envolvidas no caso tem a menor pista sobre seu paradeiro. Wanda Kerlik, a &lt;em&gt;top  model&lt;/em&gt; polonesa que fora a última de extensa lista de namoradas do empresário, estava numa profunda crise de depressão, e dizia que achava que seu amado estava morto. Karl Wolfsgruber, o vice-presidente da Alpha Scorpii, quando perguntado sobre o futuro da financeira, garantiu que os negócios continuavam com o mesmo sucesso de sempre, e que não descansaria enquanto não descobrisse o que acontecera com o patrão. Ao contrário de Wanda, fazia questão de negar qualquer suspeita de assassinato.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Quando apareceu mais uma vez a chamada do telejornal para uma reportagem sobre o sumiço de Manfred após os comerciais, Bovidiska desligou o aparelho com raiva. Levantou-se de sua confortável cadeira forrada com veludo cor de vinho, e foi até o frigobar para pegar uma garrafinha de vodka. Não pôde deixar de sentir um certo desprezo pela ignorância de todos, ainda que a esquálida modelo polonesa não deixasse de ter razão em seu palpite.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Manfred estava morto. Assassinado.  E jamais encontrariam seu cadáver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Bovidiska Lenojvk, dono do Albergue U Raka, era um Nefilim, e como Manfred von Burgund, era um Precursor. Ele sabia que Manfred havia sido vítima de uma emboscada, e tinha sido eliminado. Assim que morrera, com certeza — como todo Híbrido — seu corpo-alma inumano deve ter se consumido numa labareda quintessencial de energia sutil, sem deixar nenhuma molécula sequer como vestígio. Malika Zaila, o Guerrilheiro moçambicano, tinha informações seguras sobre o ataque a Manfred, ainda que não soubesse precisar contra quem o Precursor lutara. Um grupo seleto de Guerrilheiros sensitivos tinha vasculhado o lugar onde ocorrera o confronto, e captara fragmentos pós-cognitivos que confirmaram o assassinato, mas que estranhamente não permitiram identificar os agressores. Malika confidenciara com seu amigo particular Lenojvk que também estranhava o fato de alguém intencionalmente buscar o extermínio de um Nefilim, já que tanto as hostes celestes como as infernais sempre buscavam evitar a destruição dos Filhos da Segunda Rebelião, dedicando-se mais a missões de captura, manipulação ou cooptação. O dono do albergue concordava com a análise do Guerrilheiro, e desconfiava de que os inimigos fossem humanos sem vínculos com o Sheol ou o Shamaim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A Financeira Alpha Scorpii, uma poderosa instituição fundada por Von Burgund há doze anos atrás, movimentava bilhões de eurodólares através de uma rede de filiais espalhadas pelos quatro cantos do mundo, e além disso possuía tentáculos ocultos envolvidos com diversas atividades ilegais, o que provavelmente duplicava ou triplicava seu lucro “oficial”. Sem dúvida haveriam inimigos e rivais, mas Bovidiska duvidava que qualquer competidor humano fosse páreo para os dotes de alguém como Manfred. Não havia forma de banditismo, por mais cruel que fosse, que não pudesse ser repelida ou contra-atacada pela rede de comparsas subterrâneos da Alpha Scorpii. Seria preciso que os assassinos dos Precursores dispusessem de alguma arma “especial”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Bovidiska estava temeroso que este misterioso inimigo tivesse acesso a outras informações privilegiadas sobre os Nefilim, e que o Albergue U Raka fosse um dos alvos. Era preciso identificar o mais rápido possível quem era o oponente, e de que armas dispunha. Foi até o quarto onde Malika ficava, mas este não estava no albergue. Pensou em contatar outros de seus amigos, mas foi interrompido pelo barulho da campainha. Quando desceu as escadas que levavam ao amplo salão de entrada, viu Anina, a recepcionista, recebendo um envelope de cor escura. Um jovem &lt;em&gt;courier&lt;/em&gt;, de cabelos vermelhos arrepiados, estava guardando uma espécie de recibo, e voltando para sua moto estacionada na calçada. A chuva que castigara a cidade de Praga durante a manhã inteira alagara diversos pontos da rua, e as botas elameadas do motoqueiro deixaram grandes marcas no tapete da entrada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Carta para o senhor! — avisou Anina, uma imigrante russa que trabalhava no Albergue desde o ano passado. Ela era humana, e não sabia nada sobre a real natureza de seu patrão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Bovidiska agradeceu à funcionária e levou o envelope contra a luz. Um timbre vistoso de cor dourada e vermelha trazia a logomarca da Alpha Scorpii Financeira. Imediatamente aguçou seus sentidos paranormais, como se buscasse por algum conteúdo perigoso naquele envelope. Rompendo o lacre, puxou uma folha de papel fino, com uma sequência de letras impressas por alguma máquina de fax:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;FILHO DAS ESTRELAS VERTEU LÁGRIMAS  DE SANGUE.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A expressão “Filho das Estrelas” apavorou Bovidiska, que percebeu que o remetente sabia que Manfred era o filho de um Anjo Ofanim. O restante da frase não era tão claro: podia indicar que o Precursor fora torturado ou morto. Qual seria a importância das lágrimas? Alguém de dentro da empresa teria enviado a carta?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O dono do albergue trancou-se no próprio escritório e pôs a analisar a carta. Seria possível captar algum fragmento sensorial em sua textura? Não identificava nenhum indício de alguma magia ofensiva nela, e pensou em submetê-la a um ritual de purificação a fim de expurgar qualquer ameaça. Sua intenção era rastrear o remetente através das impressões no papel. Já vira Alfeus Tumak, o Primal, seu antigo parceiro de Congregação, realizar algumas proezas memoráveis de rastreamento. Precisava encontrá-lo, mas como ele não tinha residência fixa, não seria uma tarefa fácil. Era hora de pôr todos os seus informantes em ação, e usar todas as ferramentas que dispunha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Quando Anina bateu na porta de seu chefe para chamá-lo para o jantar, encontrou o escritório trancado, e com as luzes apagadas. Em cima da mesinha no corredor, um bilhete dizia:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;VIAGEM DE NEGÓCIOS. NÃO DORMIREI  EM CASA. ANINA, CUIDE DO ALBERGUE.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A funcionária russa praguejou em seu idioma natal, chateada por não ter sido avisada. Esperava visitar o namorado naquela noite, mas planos tinha ido por água abaixo. Atravessou o salão com cara de poucos amigos, enquanto que alguns dos hóspedes rumavam lentamente para o refeitório. Ao passar pela porta de entrada, lembrou-se que o entregador deixara marcas de lama no carpete, e viu-se obrigada a se deslocar até o terceiro andar para chamar Belko, o faxineiro. O Sr. Lenojvk exigia que todos os cômodos estivessem sempre impecavelmente limpos. O salário era baixo, mas era o único emprego que Anina Davduk havia conseguido, e ela só contava com ele para sustentar seu filhinho asmático de dois anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Com todos os hóspedes jantando, o salão mergulhou no mais profundo silêncio. Longe de qualquer olhar atento, as manchas de barro no tapete de cerdas começaram a borbulhar, como se ganhassem vida. Rastejando como uma criatura primordial, a massa disforme de lama dirigiu-se na direção do escritório, sorrateiramente. Literalmente, foi escorrendo para baixo da porta, mas teve que estancar imediatamente, como se topasse com um obstáculo invisível. Bovidiska Lenojvk jamais fora um homem incauto, e com certeza, tomara todas as precauções para se proteger de possíveis ameaças. Seus aposentos estavam selados misticamente por um ritual defensivo. A mancha amebóide de lodo sentiu-se repelida por uma força invisível, e tentou recuar para algum refúgio na escuridão. À medida que fugia da aura de proteção que cercava o escritório, sua estrutura foi se dissolvendo, ressecando até deixar um círculo empoeirado no chão do corredor. Quando deixara o albergue, Bovidiska nada sabia sobre seus inimigos misteriosos. Mas quando retornasse, seu sistema de defesas etéreas iria acusar a presença dos restos do minúsculo invasor. E com isso, o manto de invisibilidade que ocultava seus inimigos começaria a se desmanchar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Manfred seria vingado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: verdana;"&gt;ECOS DE PRAGA IV: ALPHA SCORPII&lt;/em&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://iniciativaraq.wordpress.com/2009/10/30/iniciativa-raq-2-finalmente/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A CIDADE DE PRAGA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-2786118315434544439?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/2786118315434544439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=2786118315434544439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/2786118315434544439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/2786118315434544439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/12/rebeliao-99-alpha-scorpii.html' title='Rebelião 99: Alpha Scorpii'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Sxl-BCVvNpI/AAAAAAAAAek/vl4Qf56mFEo/s72-c/RAQ99_alpha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-8978495544406742330</id><published>2009-11-16T12:46:00.001-08:00</published><updated>2009-11-16T13:47:18.575-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marcel Herrero'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bruxos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Flauberth Carvalho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecos de Praga'/><title type='text'>Rebelião 98: Cinza e Azul</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SwHIYSRyxHI/AAAAAAAAAeU/z6tiaAtjaWY/s1600/RAQ98_cinza.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 170px; height: 288px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SwHIYSRyxHI/AAAAAAAAAeU/z6tiaAtjaWY/s400/RAQ98_cinza.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404821347370189938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ECOS DE PRAGA III&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Quando entrou na LAN House Khaos 99, Václava chegou a pensar que o sistema de calefação estava desligado, tamanho o frio que ali fazia. A luz mortiça envolvia tudo em uma penumbra ligeiramente azulada. Num salão que parecia vazio, dois adolescentes obesos com aspecto nerd pareciam mergulhados em um transe hipnótico. Se não fosse o nervoso piscar de olhos, ela podia jurar que os garotos estavam congelados. A silhueta esguia de Vladmir Palovek, o único funcionário da loja, podia ser vista por detrás do grosso vidro fumê que escondia o mezzanino. A altura, a magreza e a postura exageradamente curvada fizeram Václava lembrar-se de um louva-a-deus. Contendo o riso, dirigiu seus olhos para o lado oposto da sala, onde identificou a figura inconfundível de Kamila Fric, a atual proprietária da Khaos 99. Enormes alargadores perfuravam seus lóbulos, um azul e outro verde, combinando com a cor de suas longas unhas e de das mechas de cabelos tingidas e empasteladas de gel brilhoso. Um decote generoso expunha o volume generoso dos seios tatuados com linhas negras imitando arame farpado. Os ombros nus mostravam tatuagens da “Noiva de Frankenstein” em poses sensuais, enquanto as costas da mão esquerda ostentavam um enorme ENDZEIT — fim dos tempos, em alemão — gravado em caligrafia gótica. Na outra mão, havia outra palavra tatuada, mas Václava não se interessou em ler. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O contraste entre ambas não podia ser maior, ao contrário da exuberância de Kamila, Václava vestia uma roupa cinza-escura discreta, e os cabelos negros encaracolados sem brilho estavam cobertos por um gorro surrado de lã azul. Os olhos tristonhos castanhos vasculharam um bloquinho de anotações tirado do bolso do casaco em busca de algo importante. Antes que ela abrisse a boca, Kamila adiantou-se:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Václava. Eu me lembro de você na  Praça Velha. Pode chegar...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A moça de casaco cinzento e jeito tímido sentou-se ao lado da mulher tatuada, que operava um computador no fundo da sala, longe dos olhares vorazes dos nerds do outro lado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Estou aqui para fechar o trato.  Eu...minha...eu representou alguém que... — as palavras saíam com dificuldade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Kamilla limitou-se a apontar para a tela do computador, e abri um aplicativo de texto, onde digitou o que parecia ser um início de conversação:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ELIŠKA MANDOU VOCÊ AQUI. EU A  CONHEÇO DE LONGA DATA. IMPORTA-SE DE EU RESPONDER ASSIM, POR PRECAUÇÃO?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Václava limitou-se a acenar positivamente com cabeça. Ela mostrou uma folha arrancada de seu bloco, onde havia o desenho de um estranho símbolo místico. Os dedos de Kamila correram pelo teclado, em resposta:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ENOQUIANO OU ALGUM ALFABETO  CORRELATO. UM DOS SÍMBOLOS QUE DO ESPELHO DE JOHN DEE.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Václava aproveitou o mesmo teclado  e digitou a resposta imediatamente:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;ELIŠKA SABE ONDE O ESPELHO DOS  QUATRO ELEMENTOS EST&lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;á&lt;/span&gt; E QUER  FAZER UMA TROCA.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Kamila franziu a testa e torceu o nariz. A mulher de cabelos vermelhos que passava boa parte de sua vida na LAN House era uma nefilim da Linhagem dos Guerrilheiros. Desdenhando da informação, respondeu secamente: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;FICA NA CAPELA DOS ESPELHOS. EU  SEI.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A outra mulher replicou:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;AQUELE ESPELHO É FALSO. O  VERDADEIRO ESTÁ BEM LONGE.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Kamila olhou fixamente nos olhos de Václava. Estava usando seus poderes para detectar mentiras. A serva de Eliška estava dizendo a verdade, ou pelo menos acreditava piamente estar dizendo a verdade. Não custava testar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O QUE ELA QUER DE MIM? — digitou,  apagando em seguida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Václava pensou um pouco antes de  responder:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;AJUDA PARA COMBATER UM INIMIGO EM  COMUM.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Kamila limitou-se a acenar,  instando Václava a prosseguir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;VÍBORA PUSTULENTA, A SHEILIM,  ACHOU UMA CRIANÇA HÍBRIDA NUM ACAMPAMENTO CIGANO. OS LACAIOS DELA ACHARAM O  ESPELHO LEGÍTIMO. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Kamila abriu um sorriso. Václava  digitou mais uma frase:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;TRAGA-NOS O ESPELHO EM TROCA E NÓS  INDICAREMOS O PARADEIRO DA CRIANÇA NEFILIM.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A Guerrilheira refletiu sobre o  trato. Sua resposta tinha uma pontinha de ironia:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;PORQUE NEGOCIAR COM UMA QUIMÉRICA?  QUE GARANTIA EU TENHO DE QUE ELA VAI CUMPRIR SUA PARTE?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A resposta de Václava veio em voz  alta:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Você não tem escolha. Basta aceitar ou negar. Sabemos que você não recusaria um desafio tão tentador. Ou será que você está com medo? Kamila Fric é uma medrosa?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A Guerrilheira bufou de irritação. Inesperadamente, tascou um beijo na boca da emissária de Eliška, que recuou com um ar de nojo. Um dos garotos, que olhava a cena de soslaio, soltou um risinho libidinoso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ofendida? – A garota tatuada  abriu um sorriso de satisfação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— É...isso..não... — Václava  procurava as palavras, mas não as encontrava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Considere o beijo como um sim à sua proposta. Não pense que tenho algum interesse em você. Fui lésbica nos anos 90, mas enjoei, e agora prefiro algo do tipo &lt;em&gt;hétero&lt;/em&gt;, entende? E mesmo que voltasse a gostar de mulheres, você  não faz meu tipo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Václava continuou balbuciando, sem  conseguir falar algo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— &lt;em&gt;Game over, baby&lt;/em&gt;,  se manda! &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Diga à sua mestra que eu topo o desafio. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; A serviçal quimérica saiu apressadamente da LAN House, enterrando o gorro felpudo na cabeça assim que sentiu a lufada gelada de vento nas orelhas levemente pontudas. Puxando um lenço do bolso, limpou a boca esfregando com tanta força que quase arranhou os lábios. Václava recolheu o lenço com cuidado guardando-o num saquinho plástico lacrado que sempre trazia consigo. Mais do que o beijo em si, o que mais lhe causara ojeriza fora o contato com a aberração cósmica que aquela nefilim simbolizava. Os bruxos quiméricos como ela e sua misteriosa mestra Eliška entregavam com uma devoção quase sacerdotal ao estudo dos mistérios do Universo, especialmente aqueles que ultrapassavam todos os limites estabelecidos pela Ciência ordinária. Os quiméricos eram os maiores conhecedores dos segredos mais sombrios da Criação, e nem mesmo os mais sábios dentre eles jamais haviam conseguido encontrar uma hipótese plausível para explicar a presença de seres híbridos caminhando por Adamah, e nem conseguiam entender se seus progenitores eram anjos do Sheol ou do Shamaim. Não eram seus dotes sobrenaturais que provocavam o sentimento de extrema repugnância nos quimérios, mas sim o fato de que sua real natureza não podia ser compreendida ou explicada. Enquanto Václava retornava para o esconderijo de sua senhora, sentia o lenço como uma espécie de trófeu. Nele estavam restos de saliva e de suor, — e com alguma sorte, preciosas células mortas de pele — de uma nefilim, um precioso — e inesperado — espólio a ser analisado e testado minuciosamente. Seus vastos conhecimentos em alquimia lhe seriam de grande valia, e ela esperava fazer algumas descobertas sobre as propriedades bioquímicas daquela criaturas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Enquanto a mulher de casaco cinzento desaparecia na multidão que embarcava no trem, bem longe, a três quarteirões de distância, a Guerrilheira penteava as próprias mechas coloridas, e pensava nas consequências da inesperada aliança com os quiméricos de Eliška. Sabia dos riscos que corria, mas não podia permitir que aquela criança cigana, sua pequena “irmã”, caíssem nas garras dos inimigos dos Filhos da Segunda Rebelião. Só aceitara o trato, porque sabia — através de outras fontes de informação — que tal criança realmente existia, e que seu nome era Habriela. Ao beijar a quimérica, ela deixara em sua pele uma marca que poderia ser rastreada e detectada a distância, o que permitiria acompanhar os passos dos bruxos mesmo à distância. Kamila lembrou-se de contatar Benita Vernes, a Escriba, para verificar se esse Manifesto recém-manifestado era algo inédito ou já era algum dom catalogado pelos Escribas. Mas isso devia ser deixado para depois. No momento, sua real preocupação eram os dois clientes da loja que insistiam em não sair da loja. Kamila mandou Palovek comunicar aos dois &lt;em&gt;nerds&lt;/em&gt; preguiçosos que o horário de funcionamento estava encerrado. Já acostumados com o tom de voz exageradamente arrastada do funcionário, os garotos insistiriam em uma prorrogação do prazo. Para mostrar que qualquer resistência seria inútil, Kamila simplesmente desconectou os cabos de rede. Um dos meninos tentou reclamar, mas a imponência dos 1,85m da dona da loja, associada a um tom de voz convicto e uma fisionomia furiosa, fez com que eles acabassem &lt;em&gt;convencidos &lt;/em&gt;a se retirar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Livre de seus inoportunos clientes, Kamila dispensou seu funcionário e foi para o seu escritório pessoal, para planejar suas futuras ações frente aos perigos que se anunciavam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Enquanto as luzes azuis de neon do letreiro da Khaos 99 acabavam de ser desligadas, alheios ao frio congelante que afligia os transeuntes da rua, os adolescentes limitaram-se a um breve diálogo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— A Nefilim não percebeu nada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Johana estava certa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Como sempre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: verdana;"&gt;ECOS DE PRAGA III: CINZA E AZUL&lt;/em&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://iniciativaraq.wordpress.com/2009/10/30/iniciativa-raq-2-finalmente/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A CIDADE DE PRAGA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-8978495544406742330?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/8978495544406742330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=8978495544406742330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8978495544406742330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8978495544406742330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/11/rebeliao-98-cinza-e-azul.html' title='Rebelião 98: Cinza e Azul'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SwHIYSRyxHI/AAAAAAAAAeU/z6tiaAtjaWY/s72-c/RAQ98_cinza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-3718479371953235478</id><published>2009-11-11T12:03:00.000-08:00</published><updated>2009-11-16T12:59:10.114-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cruz Resplandecente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecos de Praga'/><title type='text'>Rebelião 97: A Gema do Capricórnio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SwG9FX1JhrI/AAAAAAAAAeM/qV8q-CwT7NA/s1600/RAQ97_gema.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 170px; height: 288px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SwG9FX1JhrI/AAAAAAAAAeM/qV8q-CwT7NA/s400/RAQ97_gema.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404808927815239346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ECOS DE PRAGA II&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Poucos são os frequentadores do Mosteiro de Strahov que conhecem aquele túnel estreito e comprido que se parece avançar rumo às profundezas da Terra. Dois vultos caminhavam devagar, os pés calcando no piso de rocha escura e coberta de limo. Um monge magro, de cabelos ralos e barba alourada, conduzia a outra pessoa através da densa escuridão, carregando um bastão luminoso que emana uma luz fria verde-azulada. O vulto esguio que o acompanhava, coberto por um manto branco com capuz, não trazia boas notícias para os moradores daquele mosteiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         Aquele que os mendigos e necessitados das sarjetas de Praga conheciam simplesmente como o Irmão Pavel, agora apresentava-se como Pavel de Tharsus, o mais velho dos doze Cavaleiros da Cruz Resplandecente que residiam incógnitos entre as paredes do Mosteiro de Strahov, na capital da República Tcheca. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         Quando a exaustiva descida parecia ter chegado a seu fim, um cômodo simples, de assoalhado de madeira, e onde uma pequena imagem sacra dos Reis Magos apoiava-se em uma coluna de ferro enegrecido. Assim que adentrou o recinto, Pavel fez o sinal da cruz, ajoelhou-se e trouxe o bastão junto ao peito, provocando um intenso clarão. À medida que a luz esmaecia, os contornos objetos moldavam-se plasticamente até se reduzirem a um grosso bracelete com aparência metálica que ele enfiou no pulso e escondeu sob as grossas mangas da túnica. Enquanto ele parecia conduzir este estranho ritual, seu acompanhante desceu as dobras do capuz, expondo um rosto feminino de longos cabelos ruivos e grandes olhos tão negros quanto a gema que carregava pendurada em um colar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         A mulher, que no território mundano dos homens era apenas Jolana Rozinova, voluntária em uma pequena igreja na parte leste da cidade de Bratislava, aqui era Jolana de Pathmos, uma das mais renomadas integrantes da Ordem da Cruz Resplandecente, como seu colega Pavel de Tharsus. Jolana nascera há cinquenta anos atrás na então Tchecoslováquia, mas ainda conservava praticamente a mesma beleza de sua juventude. A beleza daqueles olhos negros, terrível para as hordas de lacaios do Inferno, só encontrava rival em sua faiscante arma mística, a Gema Negra da Fênix. Jolana chegara naquela noite da Eslováquia para trazer mensagens preocupantes a seus irmãos de fé em Strahov. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         Boatos circulavam pelas bocas mais sujas do submundo, contando histórias de monstros rastejando pelas docas no rio Vltava, de filhos de anjos caídos e de prodígios celestes e terrenos. A mais sombria indicava que o abjeto Antony Rothschild, monarca sem coroa de uma vasta legião de criminosos, assassinos e cafetões, estava de posse de objetos miraculosos, e incluía em sua vasta rede de contatos infames uma corja de satanistas e bruxos malditos, recém-chegados das terras geladas da Polônia e Rússia. Da distante terra ensolarada da Espanha chegavam notícias agourentas, anunciando a morte do virtuoso Estéban de Tartessos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Quanto mais Jolana narrava os acontecimentos, mais contrito ficava Pavel em suas orações aos Santos Reis Magos. Era preciso avisar o Abade Ferdinand de Mênfis, o mais velho dentre os cavaleiros do mosteiro, e aguardar pelas suas ordens. Pavel escoltou Jolana até a saída, concentrado em proteger aquela passagem secreta que se escondia atrás da dispensa vazia da velha cozinha abandonada. Ao contrário de outras Ordens celestes, a Cruz Resplandecente possuía muitas mulheres em suas fileiras, e nem todas precisavam dissimular-se de freiras ou monjas. Jolana escondia-se sob a anônima e quase invisível máscara de pacata voluntária em uma secretaria de igreja, mas à noite, livre dos grilhões sociais, era uma ativa combatente do Mal, e circulava incógnita sob mil disfarces pelos mais perversos recantos da cidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Pavel imediatamente tentou procurar pelo Abade Ferdinand, mas o frei Miroslav — um pacato ermitão antissocial que sequer desconfiava que aquele mosteiro era o esconderijo de guerreiros eclesiásticos — respondeu que o abade não era visto desde a noite de anteontem. O Irmão Pavel optou por sentar em um dos bancos do templo. Sua gema verde-azulada, a Pedra do Capricórnio, fonte de seu poder resplandecente, agora transmutada em um tosco bracelete de metal escuro, pulsava suavemente em contato com sua pele pálida. Ele tentou, com a máxima concentração, buscar um contato com seu mestre, mas foi em vão. As energias emanadas do cristal eram capazes de deste tipo de proeza sensorial, mas naquele momento, algo estava impedindo o contato. Talvez Ferdinand estivesse por demais distante, ou talvez Pavel estivesse muito cansado para conseguir o grau de focalização suficiente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Derrotado pelo desânimo, o cavaleiro-monge de cabelos claros retornou ao seu humilde quarto, de cuja janela estreita era possível divisar as águas distantes do Rio Vltava. Quanto sentou em seu leito, sentiu um odor estranho, semelhante a ferrugem, com um leve toque de enxofre. Um calor intenso passou a emanar de seu bracelete e, de prontidão, olhou ao seu redor, percebendo que o vidro da janela estava rachado de cima a baixo, e que uma grande mancha escura borrava o canto da parede, espalhando pelo chão de tábuas largas. Seguindo o rastro de sujeira, descobriu um embrulho ensanguentado, junto à escrivaninha. Do bracelete agora pulsava uma luz bruxuleante, indicativo de que os fluxos de energia sutil no recinto estavam perturbados. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Cutucou o embrulho com cuidado, e antes de abri-lo, seu bracelete já se transmutara em uma longa adaga radiante. Envolvido nos panos ensanguentados, coberto de uma trilha de gosma amarelada, havia uma mão humana decepada. Em sua palma, gravada com profundas incisões podia-se ler em letras minúsculas: O ABADE VIVE. Virando-a, Pavel leu nas costas da mão: CATIVO E MUTILADO. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Cativo e mutilado”, os pelos da nuca de Pavel se arrepiaram. Deixou que sua arma celeste vasculhasse os arredores com sua luz mística, não encontrando mais traço algum de presenças ocultas. Se algum inimigo esteve por ali, não estava mais presente. Para piorar a situação, a Gema do Capricórnio confirmara a identidade do braço ao ler sua aura residual. Pavel só tinha duas certezas: o invasor era alguém muito poderoso, capaz de desmembrar um Cavaleiro e de penetrar em seu santuário sem ser detectado; o invasor sabia onde os Cavaleiros residiam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A guerra  não estava começando, pois ela jamais terminou. Entretanto, o início de uma  nova batalha já se anunciava. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: verdana;"&gt;ECOS DE PRAGA II: A GEMA DO CAPRICÓRNIO&lt;/em&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://iniciativaraq.wordpress.com/2009/10/30/iniciativa-raq-2-finalmente/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A CIDADE DE PRAGA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-3718479371953235478?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/3718479371953235478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=3718479371953235478' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/3718479371953235478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/3718479371953235478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/11/rebeliao-97-gema-do-capricornio.html' title='Rebelião 97: A Gema do Capricórnio'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SwG9FX1JhrI/AAAAAAAAAeM/qV8q-CwT7NA/s72-c/RAQ97_gema.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-5318090713601478614</id><published>2009-11-03T08:45:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T08:54:55.752-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Triunfantes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nazireus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecos de Praga'/><title type='text'>REBELIÃO 96: Vitória ou Morte</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face  {font-family:HighTowerText-Reg; 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A enorme figura, de quase dois metros de altura, com os ombros larguíssimos cobertos por um casaco negro, e um chapéu da mesma cor realçava ainda mais seu porte imenso, passou silenciosamente por entre mesas e cadeiras, alheio aos olhares fugazes e comentários abafados. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um homem jovem, de cabelos castanhos, comia avidamente um prato de carne de porco com molho de aspargos e purê de batatas. Os talheres cortavam grandes nacos de pernil que eram enfiados goela abaixo com uma pressa inexplicável. Ele percebeu que o rabino vinha em sua direção, e respondeu com uma saudação curta:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Salve, rabino.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O homem de barbas de porte titânico nada falou, limitando-se a puxar a cadeira e sentar-se. Sua barba ainda era bem negra, apesar da idade avançada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Este porco está delicioso, mas lamento que sua religião o impeça de juntar-se a mim...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O rabino continuou sem esboçar nenhuma reação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Não se ofenda. Perdoe-me, mas estou faminto — deu mais uma garfada, enfiando mais uma fatia gordurosa pela boca. Tomou um gole de vinho tinto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Considere-se meu convidado, peça o que quiser — tentou um gesto amistoso, esperando agradar seu companheiro de mesa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Obrigado, Nepomuceno, mas isto não é uma visita festiva. A voz era tão rouca que mais parecia um trovão abafado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Mais um cemitério judaico foi violado, e a duas sinagogas em Brno foram incendiadas — disse ele, num esforço tremendo para que o tom fosse de um sussurro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Os neonazistas andam agitados ultimamente. Esta cidade está com muitas cabeças ocas circulando por aí, e temos muitos idiotas para preencher o espaço vazio com idéias simplórias — João Nepomuceno continuou sua refeição, alheio ao tom sombrio do rabino Joab. Encheu a colher com purê de batata.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Kalaew está envolvido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Ele está morto, Joab. Os próprios nazireus de Viena me garantiram isso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— O maldito sobreviveu, encontre-me amanhã na Sinagoga Pinkas, após o pôr do sol, e eu explicarei melhor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O rabino Joab&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt; ben-Abraham ben-Saul levantou-se e deixou o restaurante em ritmo acelerado. João Nepomuceno conhecia o rabino há muito tempo, e sabia que aquele homem mantinha-se sempre muito bem informado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;Na tarde seguinte, quando o sol poente tingia as vidraças dos prédios de vermelho, um carro velho, mas de lataria impecavelmente branca, estacionava na viela lateral que margeava a Sinagoga Pinkas. Aquele veículo, que poderia ser considerado uma relíquia, remontava ao tempo das indústrias comunistas, e ainda rodava incólume ao tempo graças aos talentos em mecânica de seu dono. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;João Nepomuceno fechou a porta do carro, e dirigiu-se à entrada principal da sinagoga, já quase totalmente coberta pela sombra do espigão vizinho. O atendente, um jovem rapaz de barbas ruivas encaracoladas, levou-o até os aposentos do Rabino Joab.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;Após a quarta batida, o velho de barba escura abriu a porta, recebendo seu hóspede com seu ar taciturno característico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— O Profanzeichen está agindo em toda a Europa Central. Kalaew retornou à República Tcheca, e virá atrás de nós. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Seus confrades austríacos garantiram...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Os Nazireus de Viena se enganaram! — o impacto do grito foi completado por um soco na mesa tão forte que a tábua de madeira reforçada rachou. — Absalon ben-Ludwig está morto. Josef ben-Caius está agonizante. Os aliados do nazista intervieram e salvaram o maldito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;João Nepomuceno limitou-se a fechar os olhos, como se entoasse uma prece silenciosa. Joab ben-Abraham interpretou a mudez como um sintoma de perplexidade, e preferiu traçar uma estratégia de ação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Devemos evitar o confronto direto com os soldados de Satã. Os redutos do Profanzeichen em Praga são bem conhecidos. Vamos buscar um refúgio seguro, e planejar a melhor defesa!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— NÃO.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;O tom da voz do jovem guerreiro estava inteiramente modificado. Ele não parecia mais o rapaz descontraído do dia anterior. Seu olhar parecia vidrado, como se fitasse dimensões invisíveis além dos sentidos humanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Devemos aguardar por eles. Eu sei que Kalaew virá atrás de mim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Você não pode enfrentá-lo sozinho!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Talvez não possa. Mas não posso deixar que o medo me impeça de agir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Isto é uma sandice. Não posso permitir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;A mão pesada do Nazireu pousou sob o ombro de João, imobilizando-o com a força de um torno mecânico. Nepomuceno não esboçou nenhuma esquiva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Você pode ter vários séculos de vida, mas nem mesmo você pode enfrentar sozinho os &lt;i style=""&gt;ubermenschen&lt;/i&gt;!!! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;Nepomuceno continuava imóvel, incapaz de se livrar do abraço sobre-humano do rabino. Joab ben-Abraham era um&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;nazireu, cujo estilo de vida ascético e extremamente regrado garantia habilidades físicas sobrenaturais. Jamais cortara o cabelo, e mantinha uma dieta pontuada por diversas restrições. Era um legítimo continuador da linhagem de Sansão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;João, ao contrário, era um Triunfante, e o Rabino Joab pouco sabia sobre as origens daquele misterioso rapaz. Mas sabia que há quase oitenta anos atrás, quando era apenas uma criança, sua vida fora salva pelo mesmo João Nepomuceno, que mantinha as mesmas feições joviais de quase um século atrás. Nepomuceno abaixou a cabeça, e relaxou o corpo, capitulando diante da força irresistível do nazireu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Eu salvei sua vida, Joab, deixe-me ir, você me deve isso...&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;— suplicou o Triunfante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: HighTowerText-Reg;"&gt;— Justamente em prol de nossa longa amizade é que eu não devo deixá-lo ir. Seria suicídio esperar pelas bestas-fera de Kalaew. Perdoe-me.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Os dedos nodosos do gigante envolveram o pescoço de João, pressionando-o para interromper o fluxo sanguíneo. O corpo do Triunfante relaxou, os braços pendendo inertes. Joab sustentou o corpo do amigo, com cuidado, e preparou-se para carregá-lo para o outro quarto, onde colocaria seus dois aprendizes, também nazireus, para vigiá-lo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O súbito descuido foi o suficiente para que João Nepomuceno, despertando de seu fingido torpor, se desvencilhasse do abraço hercúleo, e com uma pirueta, abrisse caminho até a janela. Joab, igualmente dotado de uma agilidade sobrehumana, alcançou o amigo com um pulo, mas antes que pudesse agarrar com o Triunfante pelo calcanhar, sentiu-se a vista nublar-se, como se coberta por um véu. Os cacos minúsculos de vidro no assoalho indicavam que Nepomuceno lançara alguma cápsula no chão, libertando algum tipo de substância gasosa, inodora e incolor. Antes que o metabolismo imune do nazireu neutralizasse o efeito de cegueira, João Nepomuceno já fugia pela viela, em&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;desabalada correria. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Já em seu carro, o Triunfante seguia para a mina de prata abandonada, em cujos túneis residia. Pressentia que os guerreiros demoníacos do Profanzeichen já conheciam seu paradeiro, e que não tardariam em encontrá-lo. Contava com a Sorte Divina para guiá-lo, e não havia bênção maior do que colecionar adversários invencíveis. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Vitória ou Morte”, era o lema dos Triunfantes. João Nepomuceno era um soldado em uma guerra sem fim. Não lutava para garantir a própria segurança, mas sim para mantê-la eternamente sob risco. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Por seiscentos anos, ele foi feliz em viver sob este lema.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Por mais seiscentos ele lutará, se for preciso.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em style="color: rgb(51, 51, 255); font-family: verdana;"&gt;ECOS DE PRAGA I:  VITÓRIA OU MORTE&lt;/em&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; foi escrito por Simões Lopes, inspirado no Netbook &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://iniciativaraq.wordpress.com/2009/10/30/iniciativa-raq-2-finalmente/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A CIDADE DE PRAGA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;, de Marcel Herrero e Flauberth Carvalho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-5318090713601478614?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/5318090713601478614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=5318090713601478614' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/5318090713601478614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/5318090713601478614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/11/rebeliao-97-vitoria-ou-morte.html' title='REBELIÃO 96: Vitória ou Morte'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-4939411898254060209</id><published>2009-09-25T16:09:00.000-07:00</published><updated>2009-09-25T16:16:39.418-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jórgios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 95: Dando Milho aos Pombos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Sr1OwtlG5qI/AAAAAAAAAeE/bErgJCHBaa8/s1600-h/RAQ95_milho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 170px; height: 288px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Sr1OwtlG5qI/AAAAAAAAAeE/bErgJCHBaa8/s400/RAQ95_milho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385547328180905634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Os pombos aglomeravam-se ao redor do sujeito vestido como um frade franciscano, rodopiando como se presos a uma hélice invisível. Os grãos de milho jogados no chão de cimento despareciam muitas vezes antes de tocar no solo.  O som dos arrulhos era tão alto que sufocava até o barulho do alto-falante da pracinha que anunciava vendas na loja de móveis da cidadezinha.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Elísio Paulino, 27 anos, sergipano, tinha o topo da cabeça calva coberta por um penacho avermelhado de cabelos ralos, uma barba rala, e enormes dentes amarelados. Os olhos caídos, de cor de jerimum, chamavam a atenção dos passantes, pelo seu aspecto incomum. Alheio à chuva fina que começava a molhar a rua, continuava atirando punhados de grãos aos pássaros que esvoaçavam de alegria diante do banquete.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Um homem alto e magro se aproximava, e Elísio reconheceu o velho amigo de uma extinta Congregação na distante cidade do Recife. Leutério Jaguarana, o Venerável, com seu farto bigode e os longos cabelos negros e encaracolados que o tornavam inconfundível. Os enormes óculos escuros escondiam ajudavam a dissimular a verdadeira expressão do homem.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            — Elísio, os Jórgios estão vindo em seu encalço. Rosilene está desaparecida, acho que pode ter sido capturada — as palavras eram cuspidas, quase sem pausa.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            — A Congregação está terminada, Jaguarana, não tenho mais vínculos com vocês. Uma mistura de arroz e milho foi arremessada no chão, junto às raízes de um enorme jacarandá. As aves corrigiram seu vôo e se atiraram enlouquecidas atrás do jantar. A resposta de  Elísio soou insuportavelmente gelada. Ele ainda completou, em tom de despedida:&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            —  Sinto muito.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Leutério respirou fundo, pensando em algum trunfo na manga para dobrar a vontade férrea do Primal. Sabia que o amigo era teimoso como um jegue.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            —  Você não pode se defender sozinho, precisa de seus amigos por perto.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            —  Eu não tenho amigos.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Leutério cuspiu no chão, num tom de irritação. Chegou a pensar em arrastar Elísio pelos braços, mas sabe que não conseguiria. Resolveu optar por uma estratégia mais sutil.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            —  Nós estaremos por perto, amigo. Vou chamar Cenira e Mattione, e...&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            — CHEGA! — os pombos voaram para bem longe ao ouvir o grito que reverberou pela praça quase deserta. O sol já começava a se pôr no horizonte, fazendo com que os dois Nefilim mergulhassem na sombra projetada pela torre única da igreja.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            “&lt;em&gt;Eu posso sentir seus pensamentos, Jaguarana, eu consigo captar seus planos de ficar rondando e esperar que outros venham aqui fazer o mesmo&lt;/em&gt;”, a frase telepática brilhou na mente perturbada de  Leutério.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            — Apenas me deixem em paz... — suplicou o Primal, que tornou a cobrir o chão de grãos de milho. Os pássaros criaram coragem e retornaram.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            —  Seu recado já foi dado, Jaguarana, pode ir embora... POR FAVOR.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Leutério percebeu que era inútil insistir. Deu meia-volta e foi embora, sem falar mais nada. “Por que você afasta todos os poucos amigos quem tem?”, pensou ele, com uma sensação mista de raiva e compaixão.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            “&lt;em&gt;Pare de bancar o anjo protetor, Jaguarana.  SUMA!&lt;/em&gt;” O Venerável acelerou o passo, vencido. “&lt;em&gt;E isso vale pra você também, Cenira! Não pense que que não percebi você  invisível!”&lt;/em&gt;. Leutério pôde ver o vulto esguio e ainda etéreo de Cenira deslizando pela copa florida do jacarandá, enquanto o efeito de seu Manifesto &lt;em&gt;Repouso de Haniel &lt;/em&gt;diluía-se  aos poucos.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Quando Elísio Paulino finalmente sentiu-se confortavelmente sozinho, estirou-se no velho e enferrujado banco da praça  e tirou uma soneca. As ameaças de Leutério não o assustavam. A chuva começa a parar.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Já passa da meia-noite quando Elísio abre os olhos. Basta um pouco de focalização e ele percebe que três pessoas aproximam-se sorrateiramente. Ele não consegue ler os pensamentos com clareza, mas percebe que há forças espirituais envolvidas. Ele não demonstra o menor temor. Limita-se a sentar no banco, e esperar pelos misteriosos visitantes.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Os três homens altos, trajando roupas escuras, parecem um pouco surpresos pela inexplicável calma de sua vítima. Um deles puxa uma adaga. À medida que a lâmina move-se no ar, parece desenhar uma linha de luz escarlate no ar. Elísio percebe alguns símbolos místicos gravados no metal brilhante. O seu companheiro, bem mais alto, traz um pingente cristalino em volta do pescoço. O terceiro inimigo, um anão de barbas grisalhas, entoa um cântico em grego bizantino. O Primal não consegue entender nenhuma palavra, mas sente com seus dons sobrenaturais que uma energia muito poderosa está sendo emanada. Ele sente o corpo tomado gradativamente por uma paralisia cada vez mais intensa. Tenta mover-se mais não consegue. O mais alto dos três chega mais perto. Sem tom de voz é insolente, e traz um sotaque afrancesado.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            —  Os &lt;em&gt;solitárrios&lt;/em&gt; são &lt;em&gt;prresas&lt;/em&gt; bem mais fáceis.  Seus amigos não estão aqui para defendê-lo,  abominação.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            —  O ritual vai exaurir o &lt;em&gt;maná&lt;/em&gt; da criatura para que possamos prendê-lo — disse o homem com a adaga, pressionando a ponta afiada no peito de Elísio até que um filete de sangue começasse a escorrer. O ancião de baixa estatura permanecia concentrado em sua ladainha extática.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            “&lt;em&gt;Eu não estou sozinho, senhores&lt;/em&gt;”, os três Cavaleiros de São Jorge estavam ouvir a mesma mensagem telepática do Nefilim, que permanecia imóvel, com os olhos bem fechados. “&lt;em&gt;Tenho muitos amigos e eles estão aqui&lt;/em&gt;”, os guerreiros jórgios se  entreolharam, e começaram a notar uma algazarra de arrulhos ao seu redor.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Elísio Paulino, filho do anjo Nasrel, abriu os olhos, que brilharam com um fogo alaranjado. Neste exato momento, dúzias de olhos abriram-se por toda parte, repetindo o mesmo brilho mágico. &lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            “&lt;em&gt;Todos os dias eu os alimento com os melhores  grãos...&lt;/em&gt;”, a voz do Primal parecia retumbar dentro das cabeças do trio de  cavaleiros, que oraram pelos seus proterores. &lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“&lt;em&gt;MAS NESTA NOITE, ELES VÃO MUDAR A DIETA&lt;/em&gt;”.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Uma nuvem de  bicos e garras furiosas envolveu a praça, transformando as orações em gritos de  agonia.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Elísio podia  ser uma pessoa de poucos amigos, mas os poucos que tinha eram extraordinários.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;AMIGOS DE LONGA DATA&lt;/em&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-4939411898254060209?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/4939411898254060209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=4939411898254060209' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/4939411898254060209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/4939411898254060209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/09/conto-rebeliao-95-dando-milho-aos.html' title='Rebelião 95: Dando Milho aos Pombos'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Sr1OwtlG5qI/AAAAAAAAAeE/bErgJCHBaa8/s72-c/RAQ95_milho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-488295786204158360</id><published>2009-09-22T17:02:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T17:41:58.457-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Triunfantes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 94: Amigos de Longa Data</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Srlu0FQZ6JI/AAAAAAAAAd0/9jaKAuB2Iwc/s1600-h/RAQ94_amigos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 170px; height: 288px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Srlu0FQZ6JI/AAAAAAAAAd0/9jaKAuB2Iwc/s400/RAQ94_amigos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384456670541375634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A Catedral de Nossa Senhora Madre de Deus estava vazia, como de costume naquela hora do dia. Umas poucas pessoas rezavam em silêncio, e um trio de senhoras acendia velas do lado de fora. Um homem impecavelmente barbeado e de têmporas raspadas, com uma enorme cicatriz na metade esquerda do rosto escuro, olhava fixamente para a imagem do Cristo crucificado no altar, enquanto esperava por alguém. Já fazia mais de uma hora que tinha chegado, e seu amigo de longa data ainda não aparecera.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Chico!!! — gritou uma voz  possante, vinda de fora da Igreja.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;—Chico!!!! — a voz de trovão era insistente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Antes que os paroquianos começassem a reclamar do súbito importúnio, "Chico" decidiu ir ao encontro daquela voz que lhe soava cada vez mais familiar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Um homem baixo mas incrivelmente robusto, com a barba espessa  de um castanho muito escuro e olhos azul-celeste, acenava com os braços musculosos e um tom de alegria quase frenética no semblante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Chico, há quanto tempo! Você não  sabe como foi difícil localizá-lo, guerreiro!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ildebrando? — disse Francisco  Xavier, em tom de reconhecimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Claro que sim... Quem mais  poderia ser?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Enquanto recebia um abraço forte o bastante para fraturar costelas, o capitão Francisco Xavier da Luz se lembrou de quando conhecera Ildebrando, há mais de um século e meio atrás, nos dias sangrentos dos Farrapos. Ildebrando Carraro acabara de chegar da Itália, acompanhando Giuseppe Garibaldi, em busca de emoções fortes e combates sem fim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Por onde andas? — perguntou  Francisco, trocando a alegria por um ar mais compenetrado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Antes de tudo, há muito que não sou o "Ildebrando". Hoje em dia ando sendo chamado de Márcio Martins, ou Alex Monte, dependendo da situação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Situação? — estranhou Francisco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Isto não vem ao caso, velho  amigo... Para você, eu continuo sendo o mesmo Ildebrando de sempre. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A conversa com o amigo começava a provocar um bombardeio de memórias na mente de Francisco. Ele se viu novamente em 1840, quando era Chico Luz, o melhor dos &lt;em&gt;Lanceiros  Negros&lt;/em&gt; do coronel Teixeira Nunes, e lutava ferozmente ao lado do rebelde florentino (acusado às vezes de ser um anarquista enrustido) Ildebrando Carraro. As tropas imperiais perderam muitas vidas pelas armas daqueles dois homens. Chico e Carraro eram Triunfantes, e embora Chico já fosse bem velho para os padrões dos &lt;em&gt;mortais&lt;/em&gt;, com 172 anos, seu colega italiano era bem mais antigo, e nem mesmo o ex-Lanceiro sabia ao certo quanto anos ele tinha na verdade. Deveria já passar dos seiscentos anos, o que era bastante até mesmo para um Triunfante. Um sinal de que sua missão em &lt;em&gt;Adamah&lt;/em&gt; estava longe de  terminar, ou que seu prazer em guerrear conseguia se traduzir em uma vitalidade  inesgotável. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Faz muito tempo, heim? — disse  Ildebrando, evitando arriscar um palpite.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Desde a Revolução  Constitucionalista de 32... — completou Chico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— É. Alistei-me na década seguinte  e fui lutar na Europa, você também?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Fui, atuei como mercenário,  lutei em ambos os lados. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Com teu passado anarquista e  carbonário, não imaginaria tu ao lado dos fascistas...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O Vaticano estava com eles! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Não oficialmente!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Estar do lado “errado” pode render uma boa gama de ótimos inimigos. Há muito tempo que não me prendo a ideais ou bandeiras. Fui à guerra pelo prazer de lutar, sentir o gosto de escapar da sombra da Morte a cada instante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Enquanto isso, acabei  engajando-me em uma nova identidade como policial, e graças a isso, ganhei esta  cicatriz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Só voltei ao Brasil para me juntar aos grupos armados no Araguaia. Ajudei a desencarnar muitos soldados e oficiais, mas hoje não caço mais humanos — explicou Ildebrando, num tom quase professoral.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu estou no BOPE, e continuo  "caçando humanos", e diversas vezes o “caçador” quase tornou-se a  "caça" — pigarreou Francisco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Na Europa conheci alguns Triunfantes que viraram justiceiros, caçando criminosos sem distintivo ou farda. Porque se ligar a uma instituição? Não se sente tolhido pelas “leis” que jura defender?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Claro que sinto. E são justamente  estas limitações que tornam minhas guerras mais emocionantes e arriscadas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Entendo...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Por que quiseste marcar este  encontro?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Quero fazer uma proposta... digamos....  de "emprego"...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ahn?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Como já disse, não caço mais humanos. São presas fáceis demais. Estou caçando Nefilim, não para destruí-los, mas para capturá-los. É tão difícil que se torna uma proeza de grande renome.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sucessos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Alguns.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Derrotas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ildebrando não falou nada. Limitou-se a mostrar a mão esquerda espalmada. Dois dedos tinham suas pontas mutiladas. Sorriu, escancarando três dentes de ouro. Desabotoou um pouco a camisa, mostrando uma enorme marca de queimadura no peito, meio encoberta pelo tecido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Chico Luz coçou a cabeça, e sentiu  o celular o tocando. Não atendeu.&lt;br /&gt;— Os malditos são quase invencíveis, Chico. Tu não imaginas do que são  capazes... Aceita o desafio?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sempre em busca do triunfo mais  improvável, velho amigo. Assim vivemos e assim morreremos...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O aperto de mão foi forte e  caloroso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Pode contar com o velho Chico  Luz!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ildebrando sorriu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O que tu fazes com os Nefilim  após capturados?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O sorriso sumiu da face barbuda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Tudo a seu tempo, meu amigo. Tudo a seu tempo. Primeiro vamos comemorar nossa longa data. É uma pena que tenhamos mais o vinho forte do Bar do Figueiró.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O Figueiró morreu em 1892. Se  tivermos sorte, os descendentes talvez tenham mantido o bar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sorte é o que jamais falta a um Triunfante, amigo! — soltou uma gargalhada, que assustou as colegiais que atravessavam a rua.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Com certeza, Ildebrando, com  certeza. Se lembra em qual rua ficava?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O sorriso decorado com dentes de  ouro indicava que sim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele se lembrava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="color: rgb(51, 51, 255);" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;AMIGOS DE LONGA DATA&lt;/em&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-488295786204158360?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/488295786204158360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=488295786204158360' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/488295786204158360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/488295786204158360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/09/rebeliao-94-amigos-de-longa-data.html' title='Rebelião 94: Amigos de Longa Data'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Srlu0FQZ6JI/AAAAAAAAAd0/9jaKAuB2Iwc/s72-c/RAQ94_amigos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-8519084695544446888</id><published>2009-09-17T07:22:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T17:42:31.919-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Veneráveis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 93: A venerável trilha da solidão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Srlu8wqW7cI/AAAAAAAAAd8/bjn8GrLYQIo/s1600-h/RAQ93_veneravel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 170px; height: 288px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Srlu8wqW7cI/AAAAAAAAAd8/bjn8GrLYQIo/s400/RAQ93_veneravel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384456819631910338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Satyabhama é muito mais velha do que aparenta. Quando ela nasceu, morena e coberta de cabelos negros bem espetados, recebeu seu nome em homenagem à princesa indiana, filha do Rei-Urso e uma das esposas de Krishna. Órfã de pais, foi criada numa comunidade espiritualista da Califórnia liderada por um grande mestre indiano, que a considerava como sua melhor aluna.&lt;br /&gt;Satyabhama descobriu antes da maioridade que não era uma pessoa comum, mas a filha de um anjo em forma feminina com um amante humano. A real identidade de seu pai, desconhecida para ela, não atraiu seu interesse por muito tempo, até que ela soube, através de sua “mãe”, o anjo de asas cristalinas Makiel, que era filha daquele a quem chamava de “mestre”. Sua concepção foi o fruto de uma breve noite de amor que para o grande guru não passara de um fugaz sonho erótico, e assim, ele sequer desconfiava de que aquele bebê abandonado às portas de sua comunidade fosse sua própria filha. É verdade que a semelhança entre ambos era notável – o que muitos de seus seguidores já haviam percebido – mas o professor jamais desconfiaria de algo tão improvável.&lt;br /&gt;A menina deixou a comunidade e correu o mundo, com suas convicções reforçadas pelos próprios ensinamentos de seu pai-professor, de que “nenhuma organização ou credo era o caminho para se chegar até a verdade, mas sim a própria busca espiritual e intelectual. Acolhida por um grupo de irmãos, sobre-humanos como ela, ascendeu às mais altas hierarquias da linhagem dos Nefilim Veneráveis – os Filhos de Makiel espalhados pelo mundo – mas quando estava prestes a atingir o mais alto Patamar, Diamante, preferiu partir mais uma vez, ávida em desbravar uma nova trilha, mais uma vez preferindo a solidão.&lt;br /&gt;Quando completou 38 anos de idade – com a mesma aparência imortal de uma jovem de vinte e poucos anos —, Satyabhama já havia participado de várias Congregações ao redor do mundo, e ficou sabendo que seu pai padecia de um câncer terminal. Foi a única vez que desejou contar a verdade a ele, e partiu para os Estados Unidos. Quando chegou à Califórnia, soube telepaticamente que ele já falecera, e não teve coragem de falar com ninguém de sua antiga comunidade, partindo com a alma em frangalhos.&lt;br /&gt;Satyabhama tem agora 61 anos, e como sempre faz em todos os aniversários da morte de seu pai, ela realiza um ritual silencioso, um réquiem particular que a faz pensar em sua própria imortalidade. Seu pai ensinava que o tempo era o grande inimigo dos humanos, e que os pensamentos faziam deles escravos do passado.&lt;br /&gt;A moça de cabelos nigérrimos está sentada na posição do lótus, em um estado profundo de relaxamento que já dura quase o dia inteiro. Ela medita em tudo que aprendeu em sua longa vida, nos ensinamentos de seu pai humano, nos mistérios revelados por sua mãe incorpórea, na experiência de seus irmãos híbridos, e em si mesma.&lt;br /&gt;“O Tempo é inimigo do Homem”, pensa ela, inspirando o ar com força, “mas por não ser humana, eu aprendi a enfrentar e derrotar o Tempo, e faço isso a cada dia”.&lt;br /&gt;Ela pensa em tudo o que aprendeu ao longo de seis décadas, e expira.&lt;br /&gt;“Derrotar não é o bastante. Tenho que fazer do Tempo meu aliado, mas como?”, inspira de novo.&lt;br /&gt;Ela abre os olhos, luminosos como diamantes gêmeos.&lt;br /&gt;“Como?”, a pergunta permanece sem resposta.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="color: rgb(51, 51, 255);" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A VENERÁVEL TRILHA DA SOLIDÃO&lt;/em&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-8519084695544446888?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/8519084695544446888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=8519084695544446888' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8519084695544446888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8519084695544446888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/09/rebeliao-93-veneravel-trilha-da-solidao.html' title='Rebelião 93: A venerável trilha da solidão'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Srlu8wqW7cI/AAAAAAAAAd8/bjn8GrLYQIo/s72-c/RAQ93_veneravel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-8911321822371982020</id><published>2009-09-02T08:47:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T08:49:30.195-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marcel Herrero'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 92: Invocação (Parte 1 de 2)</title><content type='html'>&lt;div class="gmail_quote"&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: 12px; line-height: 18px;"&gt;&lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt; Já há muitos dias a tempestade se tornava cada vez mais causticante; o ar estava pesado, saturado de fluidos pestilenciais que dificultava a respiração. O zimbório celeste era de um negrume horripilante. A noite castigava, raios voejavam em todas as direções se chocando com os edifícios. Qual não foi o espanto quando o relógio já marcava próximo do meio-dia e a luz do sol não dava mostras de sua presença beatífica.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;Pessoas andavam por todos os lados não entendendo o que estava ocorrendo. Apesar de amanhecer apenas no relógio a escuridão ainda era total. Não se ouvia o gorjear dos pássaros, somente a turba de transeuntes que ocupavam as ruas em discussões estéreis sobre o que estava acontecendo. Já no final do dia a tempestade diminuía consideravelmente, o tempo oferecia uma tranqüilidade momentânea.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;Enquanto isso, do outro lado da cidade alguém caminhava por um beco escuro, poças de água eram espirradas a cada passo, e por onde passava a escuridão era ainda maior. Ratos deslizavam pelos cantos do beco passando por cima de mendigos que se protegiam do frio e da chuva que já cessara.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;Um mendigo que acabava de acordar deu uma pequena espiada sobre seus trapos imundos. O que ele vê deixou-o estarrecido, todos os seus pelos se eriçaram,  fazendo com que seu coração parasse de bater, deixando o corpo inerte. A visão congelada em sua íris era de um ser envolto em nuvem negra a ponto de não ser possível ver nada além de seus pés.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;No subúrbio um grupo de homens guardavam alguns símbolos místicos e saiam encapuzados por corredores secretos para a via pública, deixando  naquele ambiente um corpo mutilado por algum ritual maléfico.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;Horas mais tarde em uma galeria nos subsolos, o mesmo grupo, se reunia a espera de alguém. A impaciência era visível pelo tempo que estavam ali. Era possível observar as tochas tremulando e as sombras dos presentes dando um ar mais terrível.  De forma irresistível, todos lançaram-se ao chão, gritando de forma lacinante, como que sentindo uma dor imensurável. Rolavam e debatiam-se estrepitosamente.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;Apenas o que parecia ser o chefe permanecia de pé sem nenhum sintoma aparente. Olhando para a porta, onde estava parado a estranha figura, disse:&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;- &lt;em&gt;Pare com isso, não foi por isso que eu te trouxe&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;Nada se podia ver dela, a não ser uma escuridão que o envolvia.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;- &lt;em&gt;Você terá que me obedecer&lt;/em&gt;. Disse o chefe tentando parecer firme.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;A figura de escuridão, abriu a boca e dela saíram sons guturais, como que de trovões, gritos  lancinantes de dor ou coisa pior. Porém, uma frase foi inteligível, como expressando sua intenção.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: justify;"&gt;- &lt;em&gt;Você me trouxe, mas eu tenho meus próprios propósitos, e um deles é o seu fim&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: right; color: rgb(51, 102, 255);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;INVOCAÇÃO foi escrito por Marcel Herrero&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://iniciativaraq.wordpress.com/2009/09/01/conto-invocacao-parte-1-de-2/"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Iniciativa RAQ&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0px; padding: 10px 0px 0px; text-align: right;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com"&gt;voltar ao Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-8911321822371982020?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/8911321822371982020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=8911321822371982020' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8911321822371982020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8911321822371982020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/09/rebeliao-92-invocacao-parte-1-de-2.html' title='Rebelião 92: Invocação (Parte 1 de 2)'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-2173314170231554776</id><published>2009-08-30T13:33:00.000-07:00</published><updated>2009-08-30T15:27:32.552-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Flauberth Carvalho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 90: Rebeka</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Spr8ztUvMNI/AAAAAAAAAdM/QoVrKFp0H6Y/s1600-h/RAQ90_rebeka.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 170px; height: 288px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Spr8ztUvMNI/AAAAAAAAAdM/QoVrKFp0H6Y/s400/RAQ90_rebeka.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375887070490210514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O suor escorria pela testa. Já havia algum tempo que Rebeka vinha resistindo contra o cansaço. Lutar com aqueles dois homens não estava sendo fácil. Fora pega em uma armadilha, uma ação ardilosa. Foi um vacilo, e ela sabia muito bem disso, mas era tarde. Agora tinha que resolver tudo sozinha.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Rebeka tenta de todas as maneiras quebrar a defesa dos dois, mas eles são ágeis, exímios lutadores. Só tinha uma maneira de vencer, ir com tudo que tinha.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ela se concentra por um momento. Encontra dificuldade, a dor e o cansaço do combate não a deixa ter foco. Mas teria que tentar, era a única salvação. Uma energia mística começa a nascer de dentro de Rebeka, dominando-a por inteiro. Seus olhos se irradiam. De suas costas nasce um par de asas com penas brancas. Era como se elevasse naquele momento. Mas algo deu errado, o resultado não fora alcançado. Rebeka sente seu corpo ser rasgado, de dentro para fora. Uma dor intolerável toma conta dela, e ela perde os sentidos.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ao abrir os olhos, vê diante de si uma grande criatura demoníaca. Tenta fugir, mas é atraída por uma força maior que ela. A criatura penetra em sua mente. Rebeka não tenta resistir, deixa-se invadir por aquela força sobrenatural.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;em&gt;Bem vinda minha pequena&lt;/em&gt;. A criatura sussurra em sua mente, mas Rebeka sente como que sendo violentada por aquela voz. – &lt;em&gt;Finalmente você será nossa. É a melhor coisa a fazer. Nossas hostes estão se fortalecendo, o fim é certo. E o nosso lado será o vitorioso.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ao terminar de falar, o demônio adentra mais na mente de Rebeka, transporta-a para um futuro próximo. E ela percebe isso, pois a cidade de Londres onde mora está totalmente destruída. O caos tomara conta de tudo e de todos. Anjos Celestiais empunhando espadas flamejantes lutam corpo-a-corpo com horrendos demônios sobre um mar de sangue e corpos. O fim que temera tinha chegado. E o que mais a assustava, estava lutando ao lado deles. Sim! Estava lado-a-lado daqueles que antes mais detestava, os Adoradores. Era membro das hostes infernais. Tinha se tornado uma escrava do inferno, um Diavolo.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Rebeka acorda assustada. Tinha mais uma vez tido aquele pesadelo. O mesmo.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ela olha ao redor pelo quarto. Sente-se um pouco melhor, o susto diminuía. Estava em casa, &lt;em&gt;“era só um sonho”&lt;/em&gt;, pensa.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;em&gt;Rebeka, está na hora de ir para a escola.&lt;/em&gt; Uma voz feminina ressoa atrás da porta.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;em&gt;Já vou mamãe&lt;/em&gt;. Ela responde, levantando e se arrumando.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Rebeka na mesa do café da manhã já não se lembrava mais do pesadelo, já estava entretida com outros pensamentos de sua própria idade. Ela tinha apenas 13 anos.&lt;/p&gt; &lt;p style="color: rgb(51, 51, 255);" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Rebeka&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; foi escrito por Flauberth Carvalho&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 255);" align="right"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;voltar ao Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-2173314170231554776?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/2173314170231554776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=2173314170231554776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/2173314170231554776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/2173314170231554776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/08/rebeliao-90-rebeka.html' title='Rebelião 90: Rebeka'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Spr8ztUvMNI/AAAAAAAAAdM/QoVrKFp0H6Y/s72-c/RAQ90_rebeka.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-6748549777715902503</id><published>2009-08-27T17:34:00.000-07:00</published><updated>2009-09-17T07:28:37.183-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Up-en-khat'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 91: Negro Gato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Spr9uqpzcCI/AAAAAAAAAdU/iSSpo22SbDQ/s1600-h/RAQ91_negro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 170px; height: 288px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Spr9uqpzcCI/AAAAAAAAAdU/iSSpo22SbDQ/s400/RAQ91_negro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375888083385544738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O temporal é intenso e já cai por mais quatro horas. Enrique Royo caminha com dificuldade pelo chão lamacento e pegajoso do pântano. Nuvens de mosquitos enxameiam sob a proteção de um enorme tronco disforme, cuja proteção garante uma área de terra seca suficiente para abrigar um pequeno exército. Protegido da chuva inclemente, o cadáver de um soldo fita o vazio com suas órbitas vazadas. Um enorme gato de pêlos inteiramente negros, com exceção de algumas marcas vermelhas específicas espalhadas pelo corpo. Para um bom conhecedor de símbolos místicos, cada mancha cor de sangue seria identificada como uma crux ansata invertida.&lt;br /&gt;— &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cazador&lt;/span&gt;, o desencarnado está próximo?&lt;br /&gt;Vestido com um longo manto negro, um homem mascarado acabava de atravessar a mata. Era ele quem gritava com uma voz rouca e sombria para o animal. O gato piscou os olhos brilhantes e fez alguns ruídos ríspidos.&lt;br /&gt;Enrique Royo, o homem que trajava a máscara de caveira, compreendeu o que Cazador tentava lhe comunicar. O espírito do cadáver ainda estava por perto. O enorme gato negro, que Enrique chamava de “ocelote”, numa referência ao felino selvagem nativo de seu país natal, na verdade era um gato-selvagem africano, cuja vida corpórea transcorrera no Egito há milênios. Enrique seguiu as indicações do animal e conseguiu identificar o fantasma que pairava junto a uma enorme figueira. A silhueta imaterial translúcida guardava uma vaga semelhança com o cadáver putrefacto, e Enrique sabia tratar-se da alma de Nilo Arturo, militar porto-riquenho.&lt;br /&gt;— Nilo Arturo, quem te matou? — inquiriu Enrique, com os olhos fixos no espectro que levitava.&lt;br /&gt;— Matou? Eu... não morri... isto é um... pesadelo.&lt;br /&gt;Enrique sabia como a morte era um trauma poderoso demais para qualquer ente, e compreendeu que Nilo ainda compreendera o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;— Sou amigo, não tenha medo — a frase não pareceu surtir o efeito esperado, pois o espírito de Nilo começou a levitar, numa espécie de impulso involuntário.&lt;br /&gt;— Está...tá fri-o...fri-ooo... eu...&lt;br /&gt;Negar a própria morte era uma reação esperada em mortes súbitas. Enrique mandou Cazador atrás do espectro. O felino arqueou sua coluna flexível e começou a galgar os galhos das árvores com uma agilidade sobrenatural. Por um breve instante, chegou a desaparecer no ar, reaparecendo metro adiante, no encalço do fantasma.&lt;br /&gt;Cazador era o filho mais velho de um casal de gatos que haviam crescido no palácio de um faraó. Quando o Egito foi vítima de uma temível praga que exterminou todos os primogênitos, ele foi levado por Azrail, o Anjo da Morte. Como todas as vítimas inocentes daquela praga, tornou-se um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;up-en-khat&lt;/span&gt;, um celícola do Quarto Firmamento. Quando Enrique iniciou-se no ritos da sociedade mística conhecida como Golgotha tornou-se espiritualmente conectado ao celícola felino, que ganhou o nome batismal de Cazador.&lt;br /&gt;Era este gato que agora perseguia pela floresta chuvosa a sombra diáfana de um espírito atormentado. O Golgotha estava investigando uma série de misteriosos assassinatos numa região obscura das florestas guatemaltecas. Cazador aferrou suas garras na perna etérea do fantasma, que gritou de agonia. Enquanto notava que o morto estava "capturado", Enrique corria apressado, ansioso em inquirir necromanticamente Nilo Arturo sobre a identidade dos assassinos em ação naquele recanto escuro.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Enrique apontou um amuleto em forma de cruz para a testa do fantasma, proferindo uma frase ritual em latim. O espírito balbuciou, e suas palavras não eram mais humanas. Enrique insistiu:&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;—O teu assassinado precisa ser punido. Quem é ele?&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O corpo astral de Nilo Arturo ficou cada vez mais transparente, até desaparecer por completo. Enrique acabara de perder o contato necromântico que tentava manter. O gato soltou um miado longo e tristonho.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;— O assassino continuará incógnito... que Deus tenha piedade da alma de Nilo, e que o Diabo receba em breve a visita de seu lacaio, quem quer ele seja!&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Um barulho de galhos quebrando-se estourou por detrás dele. Em seguida, veio o som de algo pesado caminhando. Por fim, um grito horrendo, um misto de rugido e mugido.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Um pedaço de tronco—pesando mais de cem quilos—passou rente à cabeça de Enrique, que pôs -se em alerta. Cazador miou rispidamente e dissolveu-se no ar úmido tropical.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Um brutamontes mostrava os dentes amarelados em um sorriso animalesco de escárnio, sedento de sangue e violência. Os músculos inflados e o corpo artificialmente intumescido mostrava ser um Abominável, um lacaio dos Inferno, possuído por forças malignas mais antigas que a Terra.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sua cabeça pavorosa devia chegar a uns 2,20m de altura. Ele brandia um matacão de pedra como se fosse um tacape. Ele gritou de novo.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Foi quando Cazador reapareceu, cravando suas garras no rosto do gigante.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Enrique não precisava mais investigar nada. O assassino acabara de aparesentar-se a ele, sem medo do confronto direto.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Chegara a hora do confronto tão esperado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="color: rgb(51, 51, 255);" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;NEGRO GATO&lt;/em&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-6748549777715902503?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/6748549777715902503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=6748549777715902503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/6748549777715902503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/6748549777715902503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/08/rebeliao-91-negro-gato.html' title='Rebelião 91: Negro Gato'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Spr9uqpzcCI/AAAAAAAAAdU/iSSpo22SbDQ/s72-c/RAQ91_negro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-4780077507609422062</id><published>2009-08-21T16:47:00.000-07:00</published><updated>2009-08-30T15:37:57.897-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 89: A Quarta Tentação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Spr_P_hOukI/AAAAAAAAAdc/9XicVHF1v5Q/s1600-h/RAQ89_quarta.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 170px; height: 288px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Spr_P_hOukI/AAAAAAAAAdc/9XicVHF1v5Q/s400/RAQ89_quarta.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375889755434039874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Um homem está sentado no chão pedrento. Seus olhos vidrados fitam o céu estrelado, como se buscassem enxergar através dele. A pele tostada pelo sol escaldante do deserto agora arrepía-se com o vento frio que sopra de noite. A fome e a sede o afligem, mas ele segue imóvel como uma estátua. As barbas longas e crespas, negras como carvão, estão salpicadas pela geada. Há quarenta dias ele peleja contras as mais duras provações, buscando no martírio uma forma de transcender as limitações daquele corpo frágil de carne e sangue.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele veio da distante Galiléia em busca de Deus mas não o encontrou. Em vão, buscou-o nas fontes, nas árvores, nos espinheiros e nos picos das montanhas. Gritou seu nome pelos vales, onde o som ecoou apenas como uma triste pergunta sem resposta. Ele sabe que uma grande missão espera por ele, mas sabe que os obstáculos serão os maiores possíveis. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Entorpecido por uma quarentena de flagelos e mortificações, ele busca no sofrimento a chave para abrir as portas do Reino dos Céus. O mundo inteiro parece mergulhado em guerras, pragas, morte e cobiça. O forte pisando o fraco, uns poucos guardando para si o que deveria ser de todos, e o Amor, a única lei de Deus, jaz como uma palavra vazia aprisionada em templos de pedra e rolos de pergaminho. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Aquele homem de cabelos longos sonha em salvar o mundo. Aquele nazareno sonha acordado, ignorando a dor em suas juntas cansadas, imerso numa atmosfera delirante. Ele escuta passos na areia à sua esquerda: os olhos injetados de sangue se movem lentamente na mesma direção.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Uma criança envolvida em trapos fita-o com olhos banhados em lágrimas. Sua pele, assim como os cabelos curtos, é negra da cor da noite. Negros também são os farrapos que cobrem-lhe o corpinho esquelético. Ela abre um sorrisinho tímido, e seus dentes tortos também estão inteiramente pretos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— A fome está me matando, senhor.  Transforma estas pedras em pão para que possamos comer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O homem ergue-se, com sua sombra ao luar projetando-se sobre a criança famélica. Ele toma uma grande pedra na mão, e leva-a para junto de si. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele aperta a rocha com as mãos,  fazendo-a brilhar como uma estrela. Quando brilho se apaga, a pedra fez-se pão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O menino sorri, e arreganha os  dentes numa bocarra semianimalesca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Vamos saciar nossa fome, agora, Filho de Deus. Este é o seu poder sobre a matéria. Os elementos te obedecem, o mundo ficará a seus pés.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O homem segura as mãos do menino,  que cai de joelhos, chorando de dor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— &lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;Nem só de pão vive o homem, Lúcifer&lt;/span&gt;. Isto não é para mim, mas para teu escravo — o tom da voz é sereno, e ele faz com o que o menino esquálido coma um pouco daquele pão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O homem torna a sentar-se na  areia, e assiste ao garoto, agora livre do domínio demoníaco, desaparecer nas  sombras. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O galileu respira fundo, sentindo no peito as palpitações de um coração que bate acelerado. O gosto de sangue na boca, o cheiro acre do suor seco de suas vestes, parecem cada vez mais acentuados. Fecha os olhos e ora mais uma vez. Clama pela proteção de seu Pai.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Quando abre os olhos, à sua frente, vê uma mulher trajando uma armadura de metal escarlate. O cabelo, vermelho como o fogo, é rapado curtíssimo, e tem o corpo elegante coberto por uma armadura de placas escarlates, cravejada de rubis cintilantes. Carrega duas enormes espadas, guardadas em suas respectivas bainhas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ela agarra-o pelo pescoço,  arrastando-o com violência até a beira de um penhasco. O galileu não esboça a  mínima reação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O Céu não vai escutar-te! O Deus Onisciente está dormindo e não vai te ajudar! Queres a ajuda das hostes celestes? Pois então clame por elas! Atira-te deste penhasco, e que eles te salvem com suas asas de luz!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A mulher brandiu as espadas,  gritando com a voz possante. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Tu desejas tanto o Reino dos  Céus! Pois que venha a ti, agora! Lança-te, ou eu mesma irei derrubar-te!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele mergulhou no abismo, e sentiu o tempo congelar-se, enquanto o vento uivava em seus ouvidos. Em sua longa descida, e sentiu-se acompanhado por uma revoada de pombas selvagens. Ele podia ouvia as asas delicadas batendo, os arrulhos sinfonicamente preenchendo o silêncio das escarpas rochosas. Ele pensou nos anjos, e uma esfera de luz envolveu-o.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A mulher gargalhou triunfante: — Exerce teu poder sobre os anjos, e eles te obedecerão. O Reino dos Céus revelar-se-á, e tu será teu Rei Eterno.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A esfera de luz se apagou, e um  horrível estalo foi ouvido quando o corpo bateu no chão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O grito de fúria da guerreira mais pareceu o rugir de uma leoa, e ela desceu as escarpas íngremes com a agilidade de uma cabra dos montes. Alcançou o homem agonizante, com o sangue espumando em sua boca, as costelas partidas, e uma das pernas esmagadas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Com os dedos ensanguentados, o  nazareno marcou uma cruz na testa na guerreira infernal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Não tentará o Senhor Teu Deus, Samael. Pelo sangue derramado,  eu liberto tua escrava. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A mulher lançou fora as placas de metal que cobriam seu corpo e ajoelhou-se perante corpo caído. Com suas espadas formou uma cruz, e fez com que dela emanasse uma jato de luz envolvendo e restaurando a forma original do corpo alquebrado. Os ossos partidos regeneraram-se, e os órgãos esmagados pulsavam agora com toda vitalidade. De seus olhos vermelhos rolaram lágrimas de sangue, e ela galgou as encostas escarpadas e também desapareceu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O homem de barba crespa sabia que a batalha ainda estava longe de terminar, e orou pela misericórdia de Deus. Com suas mãos riscou o chão poeirento até que os dedos sangrassem. Chorou como um bebê faminto. A noite estava agora cada vez mais escura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mas então a luz apareceu, na forma de um ancião de cabelos branquíssimos como a neve, os olhos resplandecendo com o brilho do relâmpago. Uma túnica de linho cingia-lhe o corpo rotundo, e seu sorriso era terno e confortante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Meu filho único. Eu vim para  tirar-te desta cova imunda e fétida. Libertar-te desta prisão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele sentiu-se tomado em espírito, e viu-se voando por sobre o deserto, chegando a alturas impossíveis de calcular. A seu lado, o velho indicava-lhe, em tom paternal:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Tudo  isso te darei se, prostrando-te, me adorares. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele viu palácios majestosos, e montanhas de riquezas, templos suntuosos repletos de adoradores em êxtase, e exércitos dos mais bravos guerreiros entoando seu nome, dóceis e a seu dispor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Tudo  isso te darei se, prostrando-te, me adorares”, a frase pareceu ser repetida  muitas vezes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele beijou a face do ancião, e fitou-o nos olhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— AFASTA-TE, SATHANAEL.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Um raio cortou ao céu, atingindo-os em cheio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Um redemoinho de poeira envolveu-os, e o galileu se viu mais uma vez sobre a terra árida do deserto da Judéia. Ao teu lado, o corpo do velho estava reduzido a uma massa carbonizada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás.  Não podeis servir à Riqueza e a Deus ao mesmo tempo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O cadáver enegrecido reviveu, com as órbitas vazias emitindo faíscas de luz negra, que serpenteavam pelo ar como criaturas vivas. A pele recuperou sua brancura original, de um tom que lembrava o mármore dos palácios, e o Arqui-Demônio Sathanael bateu suas enormes asas infernais, zumbindo como um pavoroso inseto. Sua pele enrugada e encarquilhada acentuava suas feições decrépitas, e os dentes afiados, em carreiras múltiplas, rangiam com um barulho desagradável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Deus criou o Homem para ser um simplório jardineiro, mas eu sempre tive planos maiores! Veja o que esta inglória raça feita de barro tem feito ao redor do mundo: eles matam, eles roubam, eles mentem! Somente eu compreendo sua real natureza, e é por isso cada vez mais eles me seguem. As almas dos homens pertencem a mim, governa-os! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O Arc’Anjo tornou-se ainda maior, e à sua volta foram surgindo legiões de seguidores, homens e mulheres, soldados e sacerdotes, mendigos e príncipes. Eles gritavam o nome do nazareno.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sacia tua sede de poder, não em meu nome, mas em teu próprio! Somente o Criador exigia adoração exclusiva. Eu não tenho estes caprichos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Afasta-te,  Sathanael.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O teu Deus te abandonará. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Afasta-te,  Sathanael.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Aqueles que te seguirem negarão conhecer-te ou  preferirão vender sua fidelidade por um punhado de moedas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Afasta-te,  Sathanael.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Aqueles curados por ti ansiarão por vê-lo pregado  em uma cruz. Até mesmo os Anjos celebrarão a tua morte, Filho de Deus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Afasta-te,  Sathanael.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O demônio desapareceu, deixando em seu rastro uma pilha de ossos humanos espalhados ao redor do ermitão, como se formassem uma mandala gigantesca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele virou-se para a direita, e  ouviu um canto melodioso vindo de uma gruta, escondida nas sombras da noite.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele levanta-se cambaleante,  sentindo os membros estremecerem. O suor escorre gelado, as pupilas dilatam-se.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Amai-vos uns aos outros — dizia  uma voz feminina, insinuante. — Meu amor é todo teu, Filho do Homem!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Uma mulher magnífica aproximou-se, os quadris largos balançando graciosamente, a pele bronzeada pelo ardor do sol mediterrâneo, os cabelos cor de ouro esvoaçando com a brisa noturna.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O homem tentou impedi-la de se  aproximar, mas sentia-se indefeso diante de tamanha sensualidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— SHEMHAZAI, POLUIDOR DE ANJOS E HOMEM, EU POSSO SENTIR SUA PRESENÇA DIABÓLICA. Meus outros inimigos não prevaleceram, e tu não prevalecerás! — gritou ele, desviando os olhos da nudez sedutora daquela serva do Inferno.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu sou sua inimiga, meu senhor? — sua voz era límpida e musical, mas era possível perceber um leve ruído difuso, como se vários seres invisíveis falassem ao mesmo tempo em que ela. — Ama a teu inimigo, como a ti mesmo, assim tu ensinarás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele suava e tremia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu te ofereço o poder sobre o Inferno e sobre todos os demônios! — gritou ela, enquanto sombras ameaçadoras rodopiavam ao seu redor. Cada frase dela era reforçada por uma sutil cacofonia de sete vozes entrelaçadas. Em cada palavra pronunciada, ele captava diferentes timbres combinados. Às vezes, uma sílaba soava como um grito, outras vezes, o som era sibilante. Enquanto a mulher falava,  pela atmosfera ecoavam impressões de urros, uivos, zumbidos, gargalhadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ela sorriu mais uma vez, saboreando a vitória possível. As sete sombras infernais que emanam da fêmea aprisionam o macho numa câmara de trevas intransponíveis. Protegida e revigorada pela Escuridão a quem serve, a mulher prossegue em seu estranho ritual de acasalamento, onde os opostos se atraem. Macho e fêmea. Êxtase e Agonia. Céu e Inferno. Amor e Ódio. Luz e Trevas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Três tentações. Três Arquidemônios  derrotados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A quarta tentação seria a mais  difícil de todas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="color: rgb(51, 51, 255);" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A QUARTA TENTAÇÃO&lt;/em&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-4780077507609422062?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/4780077507609422062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=4780077507609422062' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/4780077507609422062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/4780077507609422062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/08/rebeliao-89-quarta-tentacao.html' title='Rebelião 89: A Quarta Tentação'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/Spr_P_hOukI/AAAAAAAAAdc/9XicVHF1v5Q/s72-c/RAQ89_quarta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-2690147163744316096</id><published>2009-07-28T17:38:00.000-07:00</published><updated>2009-07-28T17:40:25.760-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haniel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 88: O Heptáculo de Haniel</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Rosemary Melgar ligou a lanterna apontando o facho de luz azulada para a fenda entre as placas de pedra cobertas pelo tapete de grama molhada. Jovilio, seu parceiro, estava imerso no lago até a altura do umbigo, alheio ao frio de outono. Era madrugada, e o orvalho cobria o tapete florido naquele recanto pouco visitado do Jardim Shukkeien da cidade reconstruída de Hiroshima. Angelina Kure, alta e de silhueta esquálida, observava a insólita com um &lt;em&gt;palmtop&lt;/em&gt; freneticamente carregado com novos dados, vigiando o perímetro e confiante na proteção de seu talismã africano de conchas marinhas. Embora não duvidasse dos poderes mágicos do talismã, Rosemary sabia que o principal feito de Angelina Kure fora subornar os guardas-noturnos, “convencendo-os” a fazer a ronda numa praça bem distante dali, e utilizar seus contatos dentro da administração municipal para conseguir a interdição da ponte estreita que era a única forma de se alcançar aquela minúscula clareira quase oculta pelo pomar de cerejeiras. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Quem olhasse para Rosemary, aquela porto-riquenha de quadris voluptuosos e os cabelos crespos tingidos de um amarelo forte quase alaranjado, com seu ar eternamente &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt;, jamais imaginaria que ela era uma pesquisadora ávida por mistérios arcanos desde a pré-adolescência. Rosemary tinha cerca de 12 anos quando seu avô assassinado em circunstâncias misteriosas deixou-lhe uma vasta biblioteca de obras raras, basicamente focadas nas áreas mais sinistras do conhecimento humano. Salvando o legado de seu avô Casiodoro do esquecimento, a menina dedicou os melhores anos de sua insípida vida tanto ao resgate daquelas teorias tão menosprezadas, como à criação constante de novas linhas de estudo, ainda mais obscuras. Fluente em hebraico, aramaico, grego bizantino, eslavo eclesiástico e nos dialetos regionais menos conhecidos do idioma arábico, a obstinada moça de olhos negros ainda arranjaria tempo para acumular graduações incompletas em Medicina, História, Psicologia e Arqueologia. Jamais quis diploma algum, e se não concluiu nenhum dos cursos, foi porque as informações absorvidas já eram o suficiente para seus objetivos. O casamento precoce com um oficial da Marinha de família abastada só serviu para conseguir o sustento necessário para prosseguir em suas linhas de pesquisa secretas. Entediada por casamento de conveniência, colecionou muitos amantes, enquanto gastava despudoramente a fortuna do esposo em viagens e presentes cada vez mais valiosos. Depois de um período relativamente muito curto de uma vida matrimonial morna e sem filhos, o marido de Rosemary - prestes a ser promovido a tenente-coronel - morreu vítima de um ataque terrorista no Iêmen, deixando sua jovem viúva inteiramente livre, e obscenamente rica. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Casiodoro Capistrano Melgar y Lluci, o nome completo do avô dela, fora um ex-bispo excomungado pelo Vaticano, e terminara seus dias como um anônimo funcionário aposentado de um cemitério público num vilarejo costeiro em Porto Rico. Seu único legado era uma compilação de estudos tortuosamente confusos e contraditórios sobre o que chamava de &lt;em&gt;Heptagrama  de Haniel&lt;/em&gt;, um signo cabalístico que cria ser um símbolo primordial que remontaria a milênios e milênios anteriores à existência do povo hebreu e de seus antepassados semíticos mais remotos.  Aquele símbolo, escrevera Casiodoro, “era basicamente o mesmo que a seita maldita dos bogomilos da Bósnia chamava de &lt;em&gt;Selo do Anjo Verde&lt;/em&gt;, na forma de uma estrela de sete pontas. Compilando uma série de tradições difusas, Casiodoro asseverava que a dita figura era conhecida pelo alquimista helvético Gruentallius como &lt;em&gt;heptaculum smaragdinum&lt;/em&gt;,  correspondendo à mesma &lt;em&gt;Flor de Sete  Pétalas&lt;/em&gt; dos teodoritas prussianos , um ramo renegado da  franco-maçonaria, e à &lt;em&gt;Cruz Sétupla&lt;/em&gt; pintada no teto da capela em ruínas dedicada a Santo Onofre, na Galícia polonesa, e reproduzida com perfeição nos glifos misteriosos de uma estela sem nome encontrada em 1902 por exploradores belgas nas profundezas do Congo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;O fascínio pelo sobrenatural fizera de Rosemary um verdadeiro ímã para temas heréticos, mas a principal tese de seu avô ficaria reduzida a notas de rodapé esporádicas em seus cadernos de anotações se não fosse a descoberta esterrecedora do filólogo galego Jovilio Mendoça ao traduzir as inscrições tirrenas em uma catacumba decorada com a &lt;em&gt;Rosa de Fufluns&lt;/em&gt;, outro nome para a mesma misteriosa figura de sete pontas. Fufluns, o nome etrusco de Baco, é citado nas inscrições como "Pai e Mãe das Flores", e esta mesma frase estava reproduzida em um papiro copta do século III, mas associada a outra divindade, o Arcanjo Haniel. Movidos por interesses comuns, Rosemary Melgar e Jovilio tornaram-se colaboradores e amantes, e em sua sede por mais descobertas, viajaram ao redor do planeta, participando de forma volúvel e dissimulada das mais diversas sociedades secretas, desprovidos de qualquer escrúpulo que os impedisse de roubar até mesmo matar quando necessário. Enquanto participavam como espiões de uma seita orgiástica entranhada no baixo escalão da burocracia soviética, Rosemary foi a primeira a entender corretamente o símbolo marcado no fundo seco de um poço, ao redor do qual florescia um exuberante jardim de rosas de proporções anormalmente descomunais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Quando essa mesma região veio a ser contaminada pelo acidente na usina nuclear de Tchernobyl, com toda área vizinha ao poço demolida e soterrada sob toneladas de concreto metal, o casal de ocultista estavam bem longe, aproveitando seus milhões de dólares com exibições de futilidade explícita nas mansões mais luxuosas de Miami, quando Jovilio terminara consumindo boa parte da fortuna da amante para impressionar alguns de seus mais recentes amigos de ocasião, pseudo-maçons pertencentes a uma minguante comunidade de &lt;em&gt;alpinistas  sociais&lt;/em&gt; frustrados. Foi justamente numa destas festas regadas a cocaína e vodka, em uma mansão à beira-mar em Boca Raton, que vieram a conhecer a talentosa Angelina Kure, uma professora de Linguística brasileira, que nas horas vagas dedicava-se a comparar mitologias e textos sacros de povos extintos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Angelina, na época, frequentava as turbulentas festinhas na casa do político de raízes hispânicas Bonny Cabalete, cuja devassidão era escondida dos eleitores por meio de uma teia de influentes amigos na mídia local, que transformaram aquele corrupto e mentiroso deslavado em um dos ícones venerados da moralidade mais puritana. Sua meia-irmã, a paranóica e deprimida atriz bissexual Gypsie Cabalete, na época estava apaixonada pela exuberante Rosemary, que manipulava a carência afetiva da artista para amealhar contatos importantes na &lt;em&gt;high society&lt;/em&gt; norte-americana, a fim de obter informantes poderosos em algumas novas seitas que teriam a chave para reabilitar o prestígio de seu avô. A aproximação com a &lt;em&gt;nissei &lt;/em&gt;Angelina foi então mais do que natural, e assim que esta combinou sua poderosa inteligência com os esforços da dupla Rosemary e Jovilio, as pesquisas sobre o enigmático Heptagrama avançaram com grande progresso. Foi Angelina que trouxe a informação essencial de que o símbolo havia sido fotografado em um trecho aberto pelas obras de canalização em um jardim de em Hiroshima. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Jovilio ficou entusiasmado o bastante para partir para o Japão, e comentou com Rosemary sua contrariedade com fato de que uma galeria subterrânea relativamente rasa tinha sido capaz de resistir à explosão atômica que devastara por completo a mesma área há mais de cinquenta anos. Rosemary não seguiu de imediato — tinha assuntos financeiros a resolver em Nova Iorque — e desconfiava que o galego e a brasileira estavam escondendo um relacionamento de natureza mais sexual que intelectual. Não que ela se importasse: todos os seus relacionamentos afetivos não passavam de distrações passageiras que não lhe traziam o mesmo prazer que a busca pelo conhecimento do Oculto representava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;O homem saiu da água lamacenta carregando uma máquina fotográfica compacta apropriada a fotos subaquáticas. Assim que conferiu a imagem reproduzida no visor largo de cristal líquido, ajustando o brilho e contraste para tornar as linhas apagadas mais nítidas, soltou sua risada sincopada caractéristica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Não restava dúvida de que aquele era o mesmo &lt;em&gt;heptaculum&lt;/em&gt;, a mesma &lt;em&gt;flor de sete pétalas, &lt;/em&gt;o mesmo símbolo talhado na capela de Santo Onofre. As sete pontas representavam o número sagrado associado ao Arcanjo Haniel, o protetor da Vegetação, segundo um versículo do herético &lt;em&gt;Liber Joannis Sapientiae&lt;/em&gt;, e suas asas eram “verdes como a folha da tamareira", e seu hálito divino "preenchia os campos com o aroma candente das rosas silvestres", conforme escrevera o místico medieval Salomon Kordoba. Rosemary não tinha dúvidas que a presença de um símbolo difundido em locais e épocas tão díspares não se explicava por uma simples transmissão cultural ou por hipótese de inconsciente coletivo, tampouco se devia a uma coincidência fortuita em escala global. Salomon e seus escassos seguidores ensinaram que o Arcanjo Haniel passeara pelo mundo deixando sua marca em diversos locais sagrados, mas a natureza fragmentária do que restou de seus textos não deixava compreender mais nada. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;O trio de ocultista continuava assim mergulhado no Mistério. Assim que deixaram Hiroshima, e recolheram-se provisoriamente em um luxuoso quartode hotel em Tóquio, Jovilio Mendoça divagou palpitando que como o número sete representa Haniel, deveriam haver sete locais sagrados ao redor do mundo marcados pelo heptagrama. Sete também eram as plantas sagradas, as sete primeiras citadas no Gênesis: a figueira, o espinheiro, o cardo, o trigo, o cipreste, a oliveira e a videira. Mendoça completou seu raciocínio afirmando que os seguidores do Arcanjo Verde zelavam pelos sete pontos místicos espalhados pelo mundo. Os arquitetos desconhecidos na capela polonesa de Santo Onofre com certeza estavam vinculados aos hereges que reuniam-se no poço ucraniano, cujo símbolo era uma duplicata perfeita do signo japonês. Acreditava Mendoça que grandes poderes zelavam pelos sete locais, mas que não era capaz de precisar quem eram os tais seguidores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Rosemary deixou que seu namorado terminasse de falar, e esperou mais um pouco para que ele terminasse de dar sua desagradável risada. Não contestou as hipóteses dele, mas acrescentou alguns elementos novos à complexa equação ainda inconclusa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;“O mesmo símbolo apareceu em uma clareira no sul do Brasil. Meu avô esteve por lá nos anos cinquenta, e fez uma série de desenhos dele em um caderno. O local hoje jaz sob as águas de uma gigantesca hidrelétrica”, disse Rosemary, sob os ouvidos atentos da dupla. Angelina confirmou que tratava-se a usina hidrelétrica de Itaipu, na divisa entre Brasil e Paraguai. Entre um trago e outro de saquê, a brasileira soltou um gritinho de euforia, e parabenizou a porto-riquenha pelas informações. “Isto só confirma a virtual ubiquidade do signo do heptagrama.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Rosemary não demonstrava nenhuma alegria ou satisfação. A preocupação estava estampada em seus olhos cansados. “Prestem atenção num detalhe que não está sendo levado em conta”, disse ela, gesticulando como se desenhasse algo no ar. “O acidente nuclear na Ucrânia, a explosão em Hiroshima, o alagamento de Itaipu: não percebem o padrão?”, ela deixou o corpo cair no sofá, num gesto que combinava raiva e cansaço. Concluiu que se existia uma força agindo através dos heptagrama, que atribuímos a estes “servos” arcangélicos, existia outro poder misterioso em atuação, interferindo no sentido contrário, para destruir ou tornar aqueles nódulos de energia mística inacessíveis.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;“Estamos no meio de uma guerra, de proporções cósmicas”, berrou Rosemary para uma Angelina já inteiramente embriagada de aguardente de arroz, e para um Jovilio absorto em cálculos numerológicos envolvendo o nome Haniel, e pensando nas vantagens que poderia obter com a manipulação destas informações.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Rosemary percebeu então que a partir daquele momento, seu caminho afastava-se cada vez mais dos de seus dois parceiros. Enquanto eles pensavam apenas numa simples aquisição de mais conhecimentos e recursos arcanos, ela despertara para uma nova realidade inteiramente assustadora. Via-se como um simples peão indefeso num xadrez de proporções cósmicas, onde dois exércitos travavam uma guerra eterna. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Uma guerra invisível, pois ela não  sabia quem estava lutando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Não sabia pelo que lutavam, e consequentemente  não sabia qual lado apoiar, se é que deveria apoiar um deles.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Naquela noite, a neta de Casiodoro foi dormir sob o efeito de calmantes, pois seus olhos, ávidos por enxergar a face mais sombria do Mundo, haviam visto demais. Ela sonhou com anjos verdes e flores de sete pétalas. Sonhou que estava trancada em uma caverna, e que formas horrendas desenhavam-se nas sombras das paredes, mas ela não sabia de onde eram projetadas. Uma voz taciturna dizia que o Heptáculo de Haniel iria protegê-la, enquanto outra gritava que o símbolo traria a sua morte. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 10pt;"&gt;Na manhã seguinte, quando Jovilio e Angelina acordaram, encontraram Rosemary Melgar morta na cama, os olhos vidrados e vazios, a pele gelada, o coração em silêncio. No lençol ela deixara sua última mensagem: um heptagrama rudimentar, riscado no pano com as unhas afiadas de uma mulher que morreu sabendo demais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="color: rgb(51, 51, 255);" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O HEPTÁCULO DE HANIEL&lt;/em&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-2690147163744316096?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/2690147163744316096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=2690147163744316096' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/2690147163744316096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/2690147163744316096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/07/rebeliao-88-o-heptaculo-de-haniel.html' title='Rebelião 88: O Heptáculo de Haniel'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-4335068627184762820</id><published>2009-06-26T09:54:00.000-07:00</published><updated>2009-07-28T17:40:44.207-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 87: A Paixão do Deus-Alce</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao ar livre, a temperatura devia chegar a uns vinte graus negativos, mas dentro do vestíbulo estreito, cujo chão era atapetado por peles felpudas, a temperatura era tão elevada, que as pessoas suavam em profusão. Um grupo de mulheres jovens, vestindo apenas um avental tosco de lã amarelada, fazia uma triagem na fila de visitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ali eram mulheres, e aquelas que ali chegavam traziam nos olhos embaçados sinais de um entorpecimento extremo. Elas gritavam, choravam e gargalhavam, e algumas delas jogavam suas roupas no chão, sem o menor pudor. Uma mulher pequena, de pele bronzeada e olhos miúdos esverdeados, com ar de intelectual, trajando um tailleur de griffe e óculos de aro fino, interpelava uma das zeladoras do recinto. Gritando agressivamente em francês (com um leve sotaque valão), ela tentava atravessar a barreira formada por quatro jovens altas de cabelos cor de palha, que impediam a passagem do mulherio irrequieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu quero vê-lo agora! — gritava a executiva belga, no que foi interrompida por uma moça voluptuosa de feições africanas e vasta cabeleira tingida de louro. Gritou que chegara primeiro, e que a ordem tinha que ser seguida. A discussão espalhou-se pelo cômodo como uma faísca, provocando empurrões, xingamentos e tentativas de agressão entre as presentes. A mais alta das vigias, que tinha uma tatuagem azulada em forma de dragão no ombro nu, vestia um manto lanoso que deixava à mostra o mamilo esquerdo, e brandia uma espécie de bastão entalhado de forma acintosamente fálica, com relevos em forma de chifres de cervo. Acertou um tapa tão violento na mulher impaciente, que esta caiu sentada por cima de um japonesa gordinha que estava sentada num cavalete de madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O Deus-Alce se aproxima. Ele ama a todas, e com todas estará! — gritou Juditta Pernatson, uma ex-freira, que agora dedicava toda sua vida a um novo Senhor e Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anúncio só serviu para aumentar frisson lascivo do local. Quando o corpo musculoso do homem atravessou o túnel baixo escavado na pedra, algumas garotas já começaram a arrancar as próprias roupas, gargalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A japonesa caída no chão tentou passar a mão nas coxas do homem, mas foi reprimida por um pontapé de uma das sacerdotisas do Deus-Alce. Karin Svartkvist, ex-diretora de uma empresa automobilística, com a autoridade de que se sentia imbuída, afastou as seguidoras com o brandir de seu bastão, traçando um círculo imaginário no chão. Trazia uma tiara em forma de galhada de cervo nos cabelos loiros, e lançou um olhar sensual na direção do homem nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Deus-Alce era um homem de quase dois metros de altura, com a musculatura potente de um atleta, cujos cabelos e barbas eram de um tom marrom-avermelhado, com alguns reflexos dourados. Estava sem roupa e excitado, e a visão de sua nudez fez despertar uma força sobre-humana em algumas das fêmeas, que saltaram por cima uma das outras, atropelando as “sacerdotisas”, e e agarrando-se no corpo peludo do Deus-Alce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não pareceu se incomodar com o assédio feminino, e puxou a empresária belga — agora com a roupa já em frangalhos — para si, esfregando suas coxas nuas dando-lhe uma lambida úmida no pescoço. Outra mulher, um francesa de meia-idade, saltou nos ombros do homem-fera, cravando-lhe o peito peludo com as unhas postiças. Ele não emitiu som algum, e arrastou mais duas moças para junto de si, conduzindo-as para a câmara subterrânea de onde saíra. Entre beijos e carícias mais profundas, seus olhos alaranjados brilharam a medida que conduzia seu cortejo dionisíaco pelas sombras. Em sua testa, era visível um par de cornos protuberantes, como os de alce macho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, aquelas que foram deixadas para trás reclamavam com as clérigas do Deus-Alce, com algumas tão desesperadas que chegavam a um estágio convulsivo quase epiléptico. Karin e Juditta conseguiram conter o restante da turba, e de lá era possível ouvir os gritos orgásmicos das amantes do Deus-Alce abafados pelas paredes rochosas. À medida que a orgia prosseguia naquele covil sombrio, os gritos de prazer do Deus-Alce começaram a ecoar como um trovão rouco, com uma melodia animalesca que fez algumas das presentes desmaiarem. Bastante tempo depois — quando muitas já esperavam adormecidas, o ritual repetiu-se, com o deus chifrudo retornando para arrebatar mais um grupo de fêmeas em êxtase. Enquanto arrancava as roupas de uma loura de seios fartos — a filha rebelde de um nobre austríaco —, o Deus-Alce virou-se para a “sala de espera”, percebendo que restava ainda uma seguidora sentada, uma garota de uns dezessete anos no máximo. Vestia um casaco volumoso de várias camadas, e sua pele morena e olhos rasgados indicavam uma origem nos distantes Mares do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estendeu seu braço forte na direção da moça — uma havaiana de nome Kelia —, fitando-a com suas pupilas flamejantes. As mãos calejadas, com unhas grandes e irregulares, agarram-na pela mão delicada, mas ele não conseguiu movê-la. Enquanto isso, suas outras “amantes”, impacientes, suplicavam por sexo, esfregando-se em seu corpo nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Seu poder de atração não funciona em mim, Juda Eriksen”, era a mensagem telepática que parecia emanar da mulher impassível. O conteúdo da mensagem, provocou uma certa perturbação na criatura, que largou suas amantes no chão para concentrar-se no novo alvo irresistível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxou-a com violência, arrancando o corpo da imobilidade teimosa com um safanão brusco. Quando tentou rasgar suas roupas, ela desapareceu no ar, desfazendo-se num redemoinho de poeira. “Sou uma Primal como você, Juda”, ela reapareceu uns metros adiante, para surpresa das sacerdotisas que não entendiam o que estava acontecendo. As mulheres rejeitadas pelo Deus tentaram agarrá-lo mais uma vez, mas este provocou nelas um sono profundo, derrubando-as inconscientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Quem é você, “irmã”? — perguntou ele, num tom de voz surpreendentemente humano para um deus-animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Kelia Luanalu, eu militei no Bando do Musaranho Venenoso — respondeu a havaiana, cujos olhos agora brilhavam com faíscas esverdeadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele olhou para suas sacerdotisas, por instante. Com um gesto de suas mãos, colocou-as em transe hipnótico, para que se esquecessem da cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu fiz parte deste Bando, há muitas décadas atrás — disse ele, confirmando os detalhes da identificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mas abandonou seus irmãos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A solidão do nômade é uma etapa mais que necessária na preparação para a Caçada do Fim dos Tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não estou condenando-o. Vim apenas cobrar uma colaboração com seus antigos companheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Deixem-me em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Misturando-se à carne podre das filhas de Eva? Passando-se por uma divindade fraudulenta? Isto é “paz”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Satisfaço meus desejos carnais, e ainda me divirto com a credulidade patética destas humanas sifilíticas. Mostro a elas o chamado orgiástico da Natureza, e as faço renegar suas crenças, abandonar seus bens terrenos e recusar as dádivas fúteis de sua civilização parasita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Os primeiros de nossa espécie estão retornando do exílio. Precisamos reunir os melhores — Kelia terminou sua frase com um tom de súplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Mentira. Eles ainda estão longe, não voltaram ainda. Convença-me do contrário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kelia baixou os olhos, num claro sinal de desconsolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não posso obrigá-lo a concordar comigo. Só gostaria que considerasse a possibilidade de nos ajudar num futuro próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ajeitou as dobras do casaco, preparando-se para a longa jornada de volta. Enfrentar os rigores do inferno escandinavo, no entanto, era a menor de suas aflições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que ela fosse embora, ele pousou a mão quente no rosto da Nefilim, num gesto amistoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não posso deixar de oferecer minha hospitalidade. Você veio de muito longe, e deve estar exausta. Não recuse minha hospitalidade. Aqui tem comida, cama e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E... o quê mais? — Kelia esboçou um sorriso tímido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juda Eriksen retribuiu o sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ah. E sexo! — terminou a frase com um beijo na “amiga”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Deus-Alce fez com que as mulheres adormecidas recobrassem seus sentidos. Kelia não quis responder a “oferta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Você não é obrigada... — disse ele numa tentativa desajeitada de parecer cordial. — Você será alimentada e terá seu repouso garantido e ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tudo bem... eu aceito sua proposta — disse ela, pra surpresa do Nefilim, aplicando-lhe um beijo demorado nos lábios grossos. — Mas que fique bem claro que estou agindo por espontânea vontade. Nem ouse em tentar algum tipo de sugestão hipnótica ou sedução sobrenatural!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tomou-a nos braços e adentrou no túnel, sob o olhar invejoso das mulheres caídas ao seu redor, ainda tontas com o despertar da hipnose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não me olhem assim, todas vocês são especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele soltou um bramido, para reforçar sua aura “bestial”, e desapareceu nas sombras com a havaiana. Ele sabia que estava mentindo. Nenhuma humana, filha degenerada dos macacos de barro, era tão especial quanto uma Nefilim como Kelia.&lt;br /&gt;Ela, sim, era genuinamente especial. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="color: rgb(51, 51, 255);" align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A PAIXÃO DO DEUS-ALCE&lt;/em&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Voltar para o Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-4335068627184762820?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/4335068627184762820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=4335068627184762820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/4335068627184762820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/4335068627184762820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/06/rebeliao-87-paixao-do-deus-alce.html' title='Rebelião 87: A Paixão do Deus-Alce'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-8425764017067242992</id><published>2009-06-25T16:41:00.000-07:00</published><updated>2009-06-25T16:44:26.419-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adâmicos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 86: O Despertar do Rei</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Eu podia sentir meu corpo sendo coberto pela terra fria e úmida. Meus sentidos, ao mesmo tempo, embotados e expandidos, traziam-me apenas o cheiro acre das ervas aromáticas e do incenso abrasador. Curvas de luz colorida serpenteavam num céu amarelo com raios púrpura e nuvens azul-marinho. Em um piscar de olhos, o céu transmuta-se num vermelho-sangue intenso, e sinto o gosto doce do mel fermentado em minha língua. Um cântico suave ecoa nas profundezas de meu cérebro — estarei sonhando?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Senti muito frio, antes de sentir um calor intenso que parecia cozinhar minha pele ressecada. Mergulhei nas trevas profundas, para ser desperto por uma explosão de luz que reverberou por cada poro de meu corpo. Vi as águas serem divididas, acima e abaixo de meu corpo esquálido e transparente. Ainda estou adormecido. Vi o sol, a lua e os planetas girando ao meu redor, e vi a terra seca cobrindo-se de vegetação. Nadei com os peixes prateados, ao mesmo tempo que voa num céu escuro com uma revoada de grandes pássaros vermelhos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Fiz uma pausa para  tomar fôlego. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Inspirei profundamente, e me percebi montado no dorso de um grande touro de chifres dourados, correndo por uma planície infinita com sua manada de bestas magníficas. Lançado no chão duro, perdi-me numa floresta silenciosa, e chorei copiosamente. Meu choro foi consolado por uma mulher nua, que beijou-me na face e ofereceu-me um verde figo suculento. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Mordo o fruto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Uma vez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Muitas vezes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Quero devorá-lo por inteiro, mas paro horrorizado, vendo os vermes sanguíneos que brotam de sua cerne podre. Minha companheira grita e é tomada pelos vermes que assumem a forma de uma serpente de escamas escarlates. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;A Natureza parece berrar, desaprovando nosso pecado. Vejo a floresta murchar e ser reduzida a um deserto de areias brancas. Nós choramos e cambaleamos pelo solo rachado e seco, os pés queimados pela areia fumegante, feridos por espinhos afiados. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Minhas lágrimas escorrem, meus dentes rangem de dor. Vejo a serpente crescer como um dragão que parece querer engolir o mundo. Vejo monstros de metal marchando à minha volta, o chão tremendo com aquelas passadas titânicas. Um rio de óleo negro irrompe do chão apodrecido, engolfando-me numa névoa de odor fétido e causticante. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Uma tempestade elétrica atravessa a atmosfera com o cheiro sulfuroso dos demônios triunfantes. Vejo minha amada ser carbonizada por uma descarga fulminante. O dragão sibila em sua lúbrica felicidade, as escamas rútilas brilhando em meio à escuridão que reina absoluta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Eu sinto saudade do Paraíso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Satanás captura-me entre suas garras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Eu não choro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Eu rezo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Mais uma vez, uma explosão luminosa afasta as sombras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Eu sinto a Vida renascer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Meu corpo está formigando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Não consigo, ver, nem ouvir nada. Sinto em meu rosto uma máscara rígida, e meus pulmões parecem sufocar. Meus braços e pernas estão atados. Quero gritar, mas não consigo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Sinto um ardor correndo-me a face, e sinto a máscara de cera partir-se ao meio, libertando-me. Percebo um sacerdote trajando uma vestimenta de folhas munido de uma foice de prata, sorrindo para mim. À minha direita, outro sacerdote, coberto de peles animais, com uma crista de penas, solta as amarras de meu pulso direito com um machado de ferro. À minha esquerda, um homem alto, coberto dos pés à cabeça com uma túnica branca reluzente, parte as amarras do outro lado com um punhal de ouro. Ergo-me, e sozinho, arranco as fibras que prendem meus tornozelos feridos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;— Que a Luz mais uma vez guie teus passos, Gideon Ben-Leona  Acebal, Rei do Jardim da Chama Celeste de Javé. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Ainda sinto  náuseas, mas meu cérebro começa a funcionar no ritmo normal. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Sei onde estou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Sei quem sou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Sei o que faço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;“E plantou Javé um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o  homem que tinha formado”, entoaram os sacerdotes em coro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Estou pensando  nela. Apenas nela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;— Onde está a Rainha? — senti minha voz tão forte que os clérigos  estremeceram com o meu grito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt; — Estou aqui, meu amor —  reconheci a voz dela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Seu pescoço estava ornado com uma grinalda de rosas tão vermelhas como seus cabelos cacheados. Ursula bath-Tamar Cordero, a Rainha do Jardim. Ela, assim como ele, tinha os cabelos ungidos com azeite bento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Nós nos beijamos  por um longo tempo, até ser interrompidos por um homem baixo de barba preta e  áspera.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;— As viajantes noditas já chegaram, ó Rei — aquele era Yordan ben-Leona, meu irmão. Ele nos guiou até o pomar de tangerinas, onde duas mulheres morenas nos aguardavam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Aquele era o Jardim da Chama Celeste de Javé, uma comunidade agrícola situada numa escarpa montanhosa no Marrocos, onde todos levavam uma vida simples, baseada na agricultura, na criação de animais e na abolição de qualquer “modernidade” pecaminosa. Carpinteiros e ferreiros eram os únicos profissionais permitidos, pois assim ditava a regra dos Adâmicos. Em cada Jardim — aquele não era o único —, um casal era escolhido para se tornarem o Rei e a Rainha do povoado, e imbuídos do poder divino e alimentados por refeições sagradas que os tornavam incrivelmente vigorosos. Gideon era capaz de segurar um touro com as próprias mãos, e Ursula, não menos poderosa, era mais rápida que uma gazela. Todos os Adâmicos gozavam de uma saúde perfeita, e eram consideravelmente mais fortes que os humanos normais, ou como eles os chamavam pejorativamente, os “amigos da Serpente”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt; As viajantes, que trajavam uma túnica rústica de lã, amarrada com cadarços de couro, se chamavam Eva bath-Águila Caballero e Tabatha bath-Sara Ovieja. As argolas de bronze nos pulsos e orelhas eram um adereço típico de sua função. As Noditas tinham a missão de viajar para além dos limites dos Jardins e estudar o mundo exterior, narrando o que presenciavam. Tiravam seu nome de Nod, a terra onde Caim se exilou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;— O Jardim da Alma Pura foi atacado — explicou Tabatha, com a voz  trêmula. — Só dois sobreviveram. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;—É a quinta comunidade a ser dizimada em dois meses! — gritou minha amada Ursula, com os olhos castanhos brilhando de fúria. — Ficaremos parados?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;A origem dos Adâmicos era atribuída a judeus espanhóis expulsos da Península Ibérica no século XV, que se estabeleceram no norte da África, onde começaram a fundar comunidades agropastoris que abominavam qualquer um dos vícios da civilização urbana. Cultuavam os anjos Miguel, Gabriel e Haniel, e através do seu êxtase religioso, dotavam seus corpos de dons prodigiosos, que eram mais acentuados nos Reis e Rainhas, que eram tão poderosos, que precisavam passar uma espécie de hibernação a cada treze lunações, o que eles chamavam de a “Morte em Vida”. A língua de culto era uma forma modificada do judeu-ladino ibérico, e as principais famílias ainda traziam seus nomes de origem castelhana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;— Yoseph ben-Blanca Delmar era o Rei do Jardim da Alma Pura. Ele  não conseguiu deter os ataques?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;— Não, Rei Gideon, mas ele é um dos sobreviventes. Está cego e  teve a perna esquerda amputada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;— Isso não é um problema, com leite e mel, ele rapidamente  regenerará as mutilações — disse Ursula, com um certo desdém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;— A alimentação não está fazendo efeito, Rainha... — Eva retrucou  com uma certa timidez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;— O quê?! — Ursula estava furiosa. — Que tipo de inimigo estamos  enfrentando?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;As noditas silenciaram. Estava claro que ninguém sabia o que estava atacando os Adâmicos. Deixei que elas se retirassem para seus aposentos, não havia nada mais a ser dito. Os casais reais dos Adâmicos não podiam deixar suas comunidades, e estavam obrigados a permanecer nelas e defendê-las. Isso nos tornava vulneráveis, já que não podíamos reunir vários de nós para ajudar os outros Jardins. É verdades que os aldeões adâmicos não estavam inteiramente indefesos, já que gozavam de uma saúde realmente sobre-humana. Mas mesmo este poderio incrível não foi capaz de protegê-los dos inimigos. O Jardim da Fidelidade, na Sicília, o Jardim do Fruto Bendito, na Espanha, e os Jardins da Glória de Adonai e da Nuvem dos Santos Anjos, no mesmo Marrocos, tinham sido invadidos por algum inimigo sobrenatural de absurdo poder. Corpos esmagados ou mutilados, casas demolidas, plantações incineradas ou congeladas, o que quer fosse o invasor, demonstrava um arsenal incrivelmente letal, mas não deixava nenhum vestígio. Os poucos sobreviventes não eram capazes de dar uma descrição exata do que acontecera. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Eu podia sentir por trás daquelas atrocidades a presença infernal da Serpente e seus consortes corruptos. Ursula com certeza pensava o mesmo que eu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Este é o Jardim a  que devemos proteger. É nossa missão. É nossa Vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;O Demônio está  próximo, nos espreitando com seu olhar oblíquo, contaminando o ar com seu  hálito podre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Ursula lança um olhar triste para mim. Eu a beijo com toda minha paixão imorredoura. A aflição dela é a minha. Nós, que somos os protetores do Paraíso, estamos nos sentindo desprotegidos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Não sabemos o que fazer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;Que Haniel, Mikhael e Gabriel nos protejam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: right; font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O DESPERTAR DO REI&lt;/span&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right; font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Retornar ao Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;color:black;"   &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-8425764017067242992?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/8425764017067242992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=8425764017067242992' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8425764017067242992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8425764017067242992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/06/rebeliao-86-o-despertar-do-rei.html' title='Rebelião 86: O Despertar do Rei'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-7456389968912366771</id><published>2009-06-09T08:06:00.000-07:00</published><updated>2009-06-09T08:10:37.093-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 85: Fidelidade Canina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todos dizem que me pareço demais com meu pai, e sou forçado a acreditar, já que nunca o conheci. Poucos dias após meu nascimento, ele partiu para a guerra e jamais o vimos de novo.&lt;br /&gt;Minha mãe sempre me contava que no dia em que um soldado maltrapilho chegou ao vilarejo para trazer a nefasta notícia da morte de papai, um temporal desabou sobre o vale, enchendo o leito do rio e inundando os cafezais com uma torrente de lama preta. Coriscos cortaram o céu cor de chumbo, e uma chuva de granizo muito forte destruiu a cruz de madeira da capelinha de São Jorge. Na carta trazida pelo cadete estavam escritas as últimas palavras de papai, em uma singela frase, “A guerra vai durar, mas vocês não estarão indefesos”.&lt;br /&gt;Eu já tinha quatro anos de idade, e as lembranças daquele dia sombrio ficaram gravadas em minha memória como uma espécie de filme. Minha mãe carregava-me nos braços, tentando chegar em casa, e usava um cesto de palha muito grande para proteger-me das pedras de gelo que caíam. Ao tentar atravessar o riacho esquálido que cortava o laranjal, mamãe tropeçou num galho e escorregou por um barranco e acabou me largando. Por um breve momento, senti-me voando no espaço, rodopiando como uma folha seca, até afundar nas águas barrentas de um charco que se formara na terra barrenta. Na tentativa desesperada de respirar, agitei os braços, mas não via mais nada ao meu redor. Não havia “acima” ou “embaixo”, e senti o gosto desagradável da água suja ardendo em meu nariz.&lt;br /&gt;Tudo pareceu sumir numa grande mancha escura.&lt;br /&gt;Minha mãe disse que eu sumi por mais de um minuto.&lt;br /&gt;Quando abri os olhos, estava estirado na grama, com uma língua morna lambendo meu rosto. Foi nesse dia em que conheci Buridan.&lt;br /&gt;Um canzarrão enorme, com a boca entreaberta mostrando as enormes presas amareladas. O pêlo branco e lustroso parecia cintilar sob a luz do lua, que aparecia timidamente por trás das nuvens. Tão rápido quanto começara, a tempestade estava se dissipando. O luar refletido nas manchas d’água parecia emoldurar a figura impressionante daquele cachorro de talhe gigantesco.&lt;br /&gt;Numa espécie de gratidão imediata, minha mãe acaricia os pelos da nuca do animal, e eu sentia seus olhos vermelhos fixos em mim, emanando uma aura de calma e proteção. Quando voltamos para casa, eu passei a noite inteira na janela espiando. Ele postou-se à frente de nossa casa, e ficou ali, imóvel, impávido, como se nos guardasse.&lt;br /&gt;O tempo foi passando e fui aprendendo as coisas do mundo. Entendi que meu pai não tivera um enterro porque nada restara de seu cadáver, despedaçado em uma explosão. Descobri que meu pai guardava uma pequena coleção de livros velhos de histórias de cavalaria e aventura, literalmente “mergulhei” naquele universo de fantasia. Quanto ao cachorrão, ele jamais foi embora, e acabamos por adotá-lo, embora eu desconfie que o mais correto seria dizer que ele é quem nos adotou. Desde os quatro anos, eu chamava-o simplesmente de “Todobranco”, mas quando já sentia os primeiros fios de bigode a coçar-me o beiço, decidiu rebatizá-lo de “Buridan”, do nome de um personagem de um dos livrinhos de meu pai. Deixei a vila para estudar, e quando voltei, muito tempo depois, para encontrar minha mãe em seu leito de morte, eu já era um erudito professor. Buridan continuava lá, impávido, com seus dentes enormes desenhando o que eu sempre entendia como espécie de sorriso.&lt;br /&gt;Sem família, e sem maiores ambições na vida, fiquei no povoado, lecionando e, nas horas vagas, trancado em minha humilde biblioteca, a qual tive o cuidado de aumentar. Não casei nem tive filhos, e Buridan era a minha única companhia. Às vezes pensava em meus falecidos pais, e por vezes, ousava pensar na estranha morte de meu pai. Que guerra era aquela? Nosso país não tomara parte em nenhuma guerra, interna ou externa. Nenhuma revolução. Nenhum conflito civil. Com o passar do tempo, isto acabou não tendo importância. O quer que tivesse acontecido, estava enterrado num passado distante. Meus cabelos perderam o viço, e começaram a cair, e minha pele tornou-se seca e quebradiça. Era a velhice cobrando seu preço, e a meu redor via tudo definhando. A coleção de meu pai estava ficando em frangalhos, os livros amarelados reduzindo-se a pó; a casa, vítima de meu pouco zelo doméstico, era suja e deteriorada.&lt;br /&gt;Apenas Buridan não mudava. Mesmo com muitas décadas de idade — algo incomum para sua espécie —, ele permanecia o mesmo mastim de olhar brilhante, altivo, com o latido alto a ecoar pelas noites frias. Aposentado, com a vista cada vez mais embaçada, passei a visitar a capela de São Jorge. Uma construção simples, de pedra, com detalhes em madeira sólida, onde minha mãe passara tantas manhãs rezando e chorando, enquanto esperava pelo retorno do marido. Não era muito antiga: na verdade, descobri, para minha surpresa, que havia sido construída uns oitenta anos antes pelo meu avô, um pedreiro caolho, cuja força prodigiosa tornara-se uma lenda no povoado. O frei responsável pela capela havia morrido há muito tempo atrás — acho que mais ou menos na mesma época que meu pai, e como nenhum substituto fora posto em seu lugar, a igrejinha dependia dos cuidados esporádicos de uns poucos beatos.&lt;br /&gt;Eu entro na capela benzendo-me, num gesto meio automático que aprendi com minha finada mãe. Ajoelho-me, mais por cansaço do que por devoção, e fecho os olhos, como se buscasse um momento de relaxamento. O som de passos desperta-me de meu transe reparador.&lt;br /&gt;As velas acesas lançam manchas avermelhadas nas paredes de rocha. Não me recordo de tê-las acendido, mas não tenho tempo para pensar mais no assunto. Duas silhuetas altas estão parada junto às portas de ferro. Os cabelos são loiros, e balbuciam algo ríspido numa língua estrangeira. Pode ser alemão ou algum dialeto holandês. Não importa. Um dos estrangeiros é gordo, e seu rosto enrugado é coberto por cicatrizes profundas. Ele chuta o primeiro banco, rachando-o ao meio, enquanto que o segundo, mais magro, com uma barba espessa emoldurando o queixo pontudo, saca uma espécie de punhal comprido do bolso.&lt;br /&gt;Eu penso em gritar, mas não consigo emitir som algum. Meus pulmões parece estar sendo privados de sua força, e um pontapé me atinge em cheio na coxa direita. Bato com a cabeça no altar, e vejo os dois invasores dirigirem sua atenção à imagem tosca de São Jorge que decora a parede central. O velho robusto expõe os dentes numa espécie de careta, rangendo como uma dobradiça gasta. Seus olhos tornam-se negros e vazios, e percebo que seu companheiro movimenta os braços numa espécie de balé misterioso. A imagem é derrubada com violência, e uma labareda sai do punhal, derretendo a imagem de cavalo e expondo alguns objetos em seu interior. O homem abaixa-se com os dentes abertos numa risada sinistra, e enfia a mão naquela massa disforme em que a cerâmica derretida transformara-se, puxando uma espécie de crucifixo pesado de metal esverdeado, com um cordão de contas de alguma substância brilhosa. Os dois conversam algo que eu não compreendo, e brandem o objeto como uma espécie de troféu. O louro de ar esquálido estica a língua, que se estende num comprimento inumando, e baba uma espessa gosma sangrenta no altar, traçando com a unha uma espécie de sinal demoníaco no chão.&lt;br /&gt;As chamas das velas bruxuleiam pelas paredes, lançando um restolho de luz pelo cenário sombrio. Eles então sorriem mais uma vez, agora em minha direção, e aproximam-se. Com uma força incomum, sou erguido do chão pelos braços magros do bruxo, e sinto seu hálito sulfuroso provocar-me engulhos. O bandido sopra nas velas, apagando-as, e mergulhando a capela numa escuridão quase completa.&lt;br /&gt;A vela central, no castiçal maior, tremula, e insiste em ficar acesa. O outro homem cospe no chão, como se tentasse conspurca a santidade da capela, e balbucia uma frase num tom desagradavelmente fino.&lt;br /&gt;Com os dedos enluvados, ele extingue a última chama, e a escuridão reina absoluta.&lt;br /&gt;Mas apenas por um breve momento.&lt;br /&gt;A vela que parecia apagada, torna a se acender, desta vez em uma labareda tão intensa e luminosa que incendeia o mais velho dos hereges. Um turbilhão de vento invade a igreja derrubando o seu companheiro, e lançando-o contra a fileira de bancos, num choque tão violento que escuto os ossos se partindo.&lt;br /&gt;O homem de traços nórdicos ainda insiste em levantar-se, apesar da nítida fratura exposta em seu cotovelo. Seus olhos vazios fitam-me com um ardor demoníaco, iluminados pela chama central que arde no meio da igreja. Ele continua rindo.&lt;br /&gt;Um uivo corta a noite, fazendo meus ouvidos doerem.&lt;br /&gt;Sem compreender o que está acontecendo, eu cerro minha vista, e vejo Buridan em cima do altar.&lt;br /&gt;O pêlo branco refulgindo em um brilho sobrenatural.&lt;br /&gt;Seus olhos são duas enormes labaredas, e neste momento percebo que todas as velas incendeiam-se ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;O bruxo arremessa um punhal no cachorro, e ensaia uma fuga pela escada em caracol que leva à torre do sino. Buridan permanece imóvel. Limita-se a cuspir uma bola de fogo, derretendo a arma em pleno ar, e flexiona as pernas musculosas, com o olhar fixo no inimigo.&lt;br /&gt;O pulo é tão rápido que não posso descrever a cena que se seguiu. Só ouvi os gritos animalescos do homem, e o medonho som de um corpo sendo despedaçado, antes de perder os sentidos.&lt;br /&gt;Acordei em minha cama, sem saber quantos dias tinham se passado desde tudo aquilo, e nem me preocupei em descobrir. Não sei como meus ferimentos foram curados, e também não quero saber quem fez isso. Sinto que deve existir alguma ligação entre tantos eventos misteriosos: a morte de meu pai, a guerra da qual fez parte, os dois invasores, a tempestade e, naturalmente, o surgimento de Buridan. Mas estou velho demais para buscar a solução de enigmas que não serão de nenhuma serventia para este pobre professor aposentado em um povoado esquecido no fim do mundo.&lt;br /&gt;Nunca mais fitei os seus olhos flamejantes, mas, às vezes tenho a sensação de ouvir seu uivo ecoando pelo vale, nas noites tristes e insones.&lt;br /&gt;Sinto que ele continuará por perto, zelando por mim.&lt;br /&gt;Minha saúde está péssima, meu corpo definha com rapidez, e minhas memórias estão cada vez mais confusas. Tenho quase noventa anos e estou próximo do fim.&lt;br /&gt;Rezo todos dias a São Jorge para que meu fim chegue logo, e que assim, o meu querido protetor, o invencível Buridan, tenha também seu descanso merecido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;FIDELIDADE CANINA&lt;/em&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;voltar ao Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-7456389968912366771?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/7456389968912366771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=7456389968912366771' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/7456389968912366771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/7456389968912366771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/06/rebeliao-85-fidelidade-canina.html' title='Rebelião 85: Fidelidade Canina'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-8228722612157979426</id><published>2009-01-10T03:41:00.001-08:00</published><updated>2009-01-10T04:43:06.565-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Conto Rebelião 84: Zênite</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A floresta amazônica espalha-se em toda as direções, para onde quer que eu olhe. Eu, Matias Orígenes, estou isolado do mundo exterior por uma muralha vegetal intransponível. Aos poucos, minha memória vai retornando, e começo a entender o que aconteceu.&lt;br /&gt;Sempre fui anti-social e introvertido; por isso mesmo, acho que a vocação religiosa veio-me como uma tendência natural em minha vida. Tornei-me seminarista já aos quinze anos de idade, e hoje, aos dezenove, sou o mais resignado dos frades dominicanos. Vivi por muito tempo em um mosteiro pequeno nos arredores de Manaus, livre das pressões mundanas. Esperava viver assim até o final dos tempos, se não fosse o Abade Carlos, um homem irrequieto demais para um idoso, que decidiu-me mandar em missão humanitária junto a índios da fronteira.&lt;br /&gt;Quis recusar a jornada - lutei desesperadamente para convencê-lo - mas minhas preces não foram ouvidas, e naquela madrugada nevoenta de domingo, fui enfiado dentro de um monomotor e "despachado" para os confins da Amazônia.&lt;br /&gt;Uma dor pungente chama a minha atenção neste momento: eu abro os olhos com dificuldade, e vejo que minha mão esquerda está esmagada. Mancando de uma perna, noto cacos de vidro espetados em minha perna, e só agora percebo uma ferida profunda em meu abdômen, da qual escorre um manancial de sangue escuro.&lt;br /&gt;O avião - só agora meus pensamentos clareiam o suficiente para concatenar as idéias - sofreu um acidente e despencou.&lt;br /&gt;Houve uma explosão - não estou bem certo.&lt;br /&gt;Sim, houve uma explosão - a imagem surge em minha mente, do avião partindo-se contra as árvores gigantescas, e bolas de fogo zunindo à minha volta.&lt;br /&gt;Depois, só senti a escuridão me tragar.&lt;br /&gt;Senti o abraço da Morte envolvendo-me.&lt;br /&gt;Mas agora estou de pé, cambaleante como um morto-vivo, errando por um labirinto de árvores e raízes. Meu sangue mistura-se à terra enquanto arrasto meu corpo com dificuldade.&lt;br /&gt;A hemorragia exaure minhas forças e eu caio desfalecido mais uma vez. Quando recobro minha consciência, noto os pedaços mutilados do cadáver do piloto boiando num charco de lama. O cheiro de sangue e de carne queimada emporcalha a atmosfera, e sinto a presença de animais rondando o corpo.&lt;br /&gt;Fico de joelhos, esperando pela morte.&lt;br /&gt;Então eu percebo...&lt;br /&gt;Minhas feridas estão cicatrizando-se, como se uma força sobrenatural regenerasse meu corpo. O processo é lento, porém real.&lt;br /&gt;A dor ainda é intensa, e ela parece atravessar meu cérebro como se fosse um punhal em chamas. Eu grito. Eu choro. Eu berro como um recém-nascido.&lt;br /&gt;Meus dedos cravam-se no chão úmido, cavando um sulco profundo.&lt;br /&gt;Eu continuo berrando.&lt;br /&gt;Uma dor pungente em minha boca faz com que eu perceba que dois dentes novos estavam nascendo - em substituição ao que quebraram no acidente.&lt;br /&gt;Um assovio intermitente emana da trilha de lama, e noto que do sulco começam a brotar algumas figuras, como se fossem homúnculos terrosos.&lt;br /&gt;A curiosidade permite-me esquecer por um longo instante a dor que castiga minhas entranhas, e escuto uma vozinha áspera ecoar dentro de minha mente.&lt;br /&gt;- Filho das Hostes, afasta-te! Teu lugar não é aqui, na Mãe de Amplas Vias!&lt;br /&gt;Os simulacros movimentavam-se como se tentasse imitar feições inteligentes. Eu conseguia notar um arremedo de face naqueles pilares de terra macia.&lt;br /&gt;- Não és benvindo, Criatura Intermediária!&lt;br /&gt;Um pequeno terremoto pareceu empurrar meu corpo para longe das criaturas. Aquela sensação de hostilidade provocou-me uma onda de ódio. Repugnado, concentrei minha fúria na direção dos "gnomos", explodindo-os com meu pensamento.&lt;br /&gt;Senti minhas pernas já fortes o bastante para correr, e lancei em louca correria.&lt;br /&gt;Saltei raízes.&lt;br /&gt;Desviei de cipós.&lt;br /&gt;Parti galhos que me barravam o caminho.&lt;br /&gt;Sentia-me preso em um inferno verde, vigiado por demônios-vegetais onipresentes. A sensação de clausura foi lentamente dando lugar a uma sensação de renascimento, quanto mais eu sentia que forças estranhas pulsavam em meu corpo. Minha velocidade tornava-se cada mais maior; sentia que meus reflexos aprimoravam-se; meus músculos pulsavam com um vigor cada vez mais sobre-humano.&lt;br /&gt;Comecei a captar uma teia de energias invisíveis que fluíam pelas árvores, formando uma espécie de aura sutil que permeava a tudo, inclusive a mim. Senti que ali havia uma energia misteriosa, e que eu podia sorvê-la, numa estranha simbiose. Meus sentidos aguçaram-se ainda mais.&lt;br /&gt;Um raio de luz parecia cortar a escuridão da mata, e saltei em sua direção. Deixando-me banhar na luminosidade revigorante da pequena clareira, olhei para o Sol do meio-dia, em seu zênite, espalhando seu calor pelos castelos de folhagens.&lt;br /&gt;Percebi que as dores que martirizaram meu corpo não eram o abraço gélido da morte, mas o beijo luminoso de um espantoso renascimento.&lt;br /&gt;Olhei para o Sol mais uma vez, e sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ZÊNITE &lt;/span&gt;foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Volte ao Universo Germinante&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-8228722612157979426?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/8228722612157979426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=8228722612157979426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8228722612157979426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8228722612157979426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2009/01/conto-rebelio-84-znite.html' title='Conto Rebelião 84: Zênite'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-622753469332327961</id><published>2008-08-28T07:08:00.000-07:00</published><updated>2008-08-28T07:23:23.708-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Darc'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lilim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Conto Rebelião 83: O Convento de Santa Felicidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SLa0x0L6ZGI/AAAAAAAAAUQ/GKOlmRnetMU/s1600-h/RAQ83_convento_santa_felicidade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SLa0x0L6ZGI/AAAAAAAAAUQ/GKOlmRnetMU/s400/RAQ83_convento_santa_felicidade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239573984407348322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Fazia muito frio ao ar livre quando Jeanne estacionou o seu carro. Ainda teria que andar mais uns trezentos metros para alcançar o portão do convento, o que não seria um incômodo. A geada fina que cobria a calçada de pedras retangulares dificultava um pouco a caminhada, mas a mulher alta de cabelos cor-de-palha prosseguiu com passos lentos e cuidados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O cheiro agradável de um guisado de carne indicava que já era hora da ceia noturna no Convento de Santa Felicidade. Jeanne d’Agen ajeitou seu grosso casaco de lã de ovelha e suspirou com força, exalando uma grossa nuvem de vapor condensado. O portão de madeira escura trazia em seu centro um batente de ferro decorado com a cabeça entalhada de um demônio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Deu três vigorosas batidas, que  ecoaram com força.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Após um breve instante, uma  senhora de meia-idade, coberta por um hábito branco, veio atendê-la:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Boa noite, querida amiga, aqui é o Convento de Santa Felicidade. Vivemos para servi-la — disse a mulher, apresentando-se com um largo sorriso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Caminho sob a proteção de Santa Margarida de Antioquia, São Miguel Arcanjo e Santa Catarina do Monte Sinai. Muita paz para nós! — respondeu prontamente, com uma espécie de fórmula decorada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Estás ungida pelos protetores de  Santa Joana d’Arc. Venha comigo, irmã.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Assim que a porta pesada fechou-se atrás delas com um estampido, as duas adentraram um corredor estreito e escuro, iluminado por dois pequenos lampiões presos ás laterais da parede. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Meu nome é Jeanne de Biarritz, irmã darciana — apresentou-se a senhora, piscando os expressivos olhos negros com uma freqüência que indicava um próvavel tique nervoso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu me chamo Jeanne d’Agen, irmã  darciana — respondeu ela, como se respondesse a uma espécie de senha. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O corredor desembocava numa sala ampla, onde um grupo de crianças esfomeadas acomodava-se em compridos bancos que serviam de assento coletivo em duas enormes mesas de jantar. Os pratos estavam cheios com uma sopa avermelhada e nutritiva, cujo cheiro era maravilhoso. Antes de pisar no recinto, a visitante despiu-se de seu grosso agasalho e trocou-o por um manto branco pendurado num cabide de prata. Vestindo-o com bastante cuidado, enfiou os braços nas mangas acolchoadas com um forro triplo de pano rústico. Sua guia, que vestia um traje semelhante, atravessou o refeitório distribuindo sorrisos e afagos para os pequenos órfãos, e acenou para uma moça alta de olhos azuis que servia comida a uma idosa velhinha cega.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;—Nannette, onde está Ophelie? —  perguntou ela para a freira mais moça, num tom quase sussurrado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Em seus aposentos, trabalhando —  respondeu, enquanto levava a colher cheia de mingau à boca da senhora quase  centenária.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Jeanne de Biarritz, ou Irmã Brigitte, como devia ser chamada quando na presença de visitantes e quaisquer pessoas que não fossem suas irmãs no Convento de Santa Felicidade, deu meia-volta e conduziu sua nova hóspede por uma escada em caracol que subia até o segundo andar. Após percorrerem um labirinto de corredores, passando pelos aposentos pessoais e subindo mais um andar de escadas, chegaram a um quarto isolado em cuja porta estava entalhada uma rebuscada imagem de Santa Margarida arrebentando o ventre de um dragão feroz, conforme a tradição medieval. A freira anunciou-se com um assovio prolongado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Não houve resposta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Jeanne de Biarritz insistiu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Passaram-se mais alguns minutos  silenciosos, até que a porta finalmente foi aberta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Uma senhora de pele bem morena e  olhos claros veio atendê-las, vestindo um avental cinzento. Não parecia contente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A mulher de olhos negros  apressou-se com as apresentações:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Esta é Jeanne d’Agen, irmã darciana — a frase não provocou nenhuma alteração no humor na mulher avental, que respondeu com ar taciturno.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu sou Jeanne d’Orléans, Mestra Antioquiana — a freira de avental apresentou-se desta forma. — Convoquei-a a pedido de Jeanne de Calais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Jeanne d’Agen prontamente identificou sua citada benfeitora: Jeanne de Calais trabalhara com ela em Madri, no Convento de Santa Ifigênia, por longos três anos, e conhecia muito bem o seu valor. Se havia sido chamada, é porque a missão era crucial.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Jeanne d’Agen — que nascera no Canadá como Antoinette Pliquet — era uma freira da Legião d’Arc, ordem religiosa que mantinha uma extensa rede de conventos, hospícios e orfanatos espalhados pelo mundo, através dos quais ajudavam os pobres, os abandonados e os enfermos. Secretamente, no entanto, os objetivos da dita ordem consistiam em transformar mulheres em santas guerreiras, inspiradas na figura da gloriosa mártir Joana d’Arc. Ao receber o hábito da Ordem, as mulheres — obrigatoriamente virgens e castas — eram batizadas com o nome iniciático de Jeanne mais um sobrenome baseado em alguma cidade francesa. Deviam integrar a partir deste momento, um dos Três Terços em que a Legião estava dividida: As &lt;em&gt;Sinaíticas&lt;/em&gt;, especializadas nas doutrinas e nos conhecimentos  secretos que a Legião guardava, atuando como professoras e orientadoras; as &lt;em&gt;Antioquianas&lt;/em&gt;, especializadas nos ofícios  de metalurgia e alquimia, com os quais fabricavam armas de poderes fenomenais;  e as &lt;em&gt;Arcangelistas&lt;/em&gt;, como Jeanne d’Agen, guerreiras que dedicavam suas vidas a treinar mente e corpo a fim de combaterem sem temor o Mal em suas várias formas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Jeanne d’Agen, Caçadora Arcangelista. Apresento-me de corpo e alma para a missão que os Anjos e os Santos Mártires me confiarem — as duas tocaram os dedos indicadores em sinal de cumprimento. Jeanne d’Orléans carregava no pescoço um pesado crucifixo de ouro branco. Os cabelos curtos, negros e espetados, pareciam ensebados com alguma espécie de gordura. As bochechas estavam cobertas de fuligem, e suas mãos mostravam marcas semelhantes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Desculpem-me a recepção indigna, mas estou forjando mais uma arma. Acompanhem-me. Por aqui — apontou com os dedos para uma divisória interna no quarto, junto a uma janela de vidro escurecido. O lugar mais parecia um laboratório ou uma oficina. Prateleiras com frascos transparentes contendo diversas soluções químicas decoravam as paredes. Um grande forno crepitava no fundo do recinto, e duas grandes tinas cheias de água pareciam próximas do ponto de fervura. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— A freira forjadora vestiu duas grandes luvas de amianto e ergueu um enorme tenaz. Com cuidado, mergulhou-o numa das tinas fumegantes, retirando uma adaga de bronze. O metal ainda cálido projetava reflexos avermelhados nas calotas metálicas que revestiam as bancadas laterais. A artesã tornou a mergulhar o objeto na água.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Uma adaga santa, sete vezes benzida, sete vezes temperada; sete vezes amolada — juntou as mãos em posição de prece. — Devo a minha vida à irmã Jeanne de Calais, e um pedido dela é uma ordem. Aceite este presente de uma amiga sempre fiel.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Obrigado. Eu posso notar que os Anjos estão presentes neste local, e com esta nova arma, a Vontade de Deus será feita — agradeceu o presente, em tom solene.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A adaga foi mais uma vez retirada de seu invólucro líquido, e ainda aquecida, conduzida pelas garras do tenaz até a Caçadora Arcangelista. Não se importando com o calor escorchante, segurou a adaga com as mãos nuas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu aceito esta arma, e a consagro em nome de São Miguel Arcanjo, Guerreiro de Deus, Vencedor de Satã, Espada Flamejante dos Santos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O calor do metal incandescente provocou um chiado desagradável ao encostar na pele úmida. Sem demonstrar dor alguma, fechou os olhos, realizou uma prolongada oração, no que foi acompanhada pelas duas outras freiras. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Brandiu a arma por instantes no ar, como se traçasse um símbolo específico com as linhas de movimento. Assim que terminou o misterioso ritual, pousou a arma num suporte ladrilhado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Fora do alcance de sua dona, a arma pareceu brilhar intensamente, e inflamada por um turbilhão de chamas alquímicas, suas formas alteraram-se como se modeladas por uma oleira invisível. Ao fim da improvável transformação, a adaga havia transformando-se num inofensivo pente de dentes metálicos, de aspecto vulgar. Jeanne guardou-a num bolso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— A quem devo combater, Mestra  Antioquiana? — perguntou, já ansiosa em cumprir seus deveres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Localizamos o íncubo blasfemo que desencaminhou a Irmã Jeanne de Rodez. Ele se chama Ladaimes, e perambula pela Ilha de São Dimas, na Baía de Guanabara.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Brasil?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sim. Jeanne de Calais indicou-a por que você é fluente em português, espanhol e italiano. Não podemos aceitar que tal aberração ainda caminhe sobre a Terra, depois do que ela fez com uma das nossas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Jeanne de Rodez fora uma das mais promissoras noviças do Terço Sinaítico, mas terminara por cair vítima do poder de sedução de um íncubo, uma espécie demoníaca do Segundo Círculo do Inferno. Jeanne d’Agen já havia desencarnado dois &lt;em&gt;lilim&lt;/em&gt; — o nome hebraico de tais criaturas — como caçadora de criaturas infernais, e sentia-se apta em acrescentar mais um feito à sua coleção de sucessos. Perguntou pelo estado da irmã seduzida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Tivemos que enclausurá-la, até conseguirmos desfazer os efeitos da luxúria maligna. Seu estado é lastimável. Transtornada pela loucura arrebatadora, comporta-se como um animal inferior, maldizendo a todas aquelas que ainda tentam auxiliá-la. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Preciso vê-la — disse a freira  guerreira, com muita ênfase.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Não será uma visão agradável. — argumentou  sua interlocutora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu preciso fazer isto. Saber em  que estado a querida irmã ficou só aumentará meu ânimo para a o confronto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Compreendendo a convicção da  guerreira, as irmãs consentiram em guiá-la até a cela da mal-fadada noviça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A dita “cela” ficava no subsolo. Uma escadaria muito estreita, de pedra, tão antiga que parecia escavada no próprio solo original do casario, conduzia a um conjunto de pequenas celas gradeadas. Uma freira bem alta e corpulenta — seu nome era Jeanne de Cergy — guardava o andar subterrâneo. Por trás das grades, a Arcangelista de cabelos claros ouvia gritos horrendos, misturados a gemidos arfantes. Uma mulher desvairada pronunciava blasfêmias inomináveis e mais parecia mais um animal selvagem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A caçadora não teve medo de espiar pela grade, e sentiu uma pena profunda daquela pobre alma enclausurada. Aquela que um dia fora uma das mais sábias Sinaítas da Legião, Jeanne de Rodez — nascida Graciana de Lara, na cidade portuguesa do Porto —, rastejava pelo chão frio da cela com os cabelos desgrenhados e a baba escorrendo pela boca entreaberta. Grossas correntes de metal bento prendiam seus ombros a um suporte na parede, e seus braços estavam atados por algemas de couro, evitando movimentos mais abruptos. Presa à parede, o máximo que a mulher conseguia fazer era circular pela cela girando a corrente como um cão encoleirado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ao sentir a presença de alguém espiando, ela ergueu-se de cócoras, expondo sua metade inferior desnuda, e soltou uma gargalhada. Com o olhar fixo na Arcangelista, ela deixou escorrer um jato forte de urina pelas pernas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Me tirem daqui!!! Suas vacas  imundas!!!! Eu quero um homem!!! Um homem!!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Jeanne d’Agen meditou um pouco, e rezou silenciosamente por sua ex-colega. A mulher cativa continuou gritando impropérios. Num gesto agressivo, virou-se de costas e rolou no chão. Virou as nádegas para a porta e sacudiu-as naquela direção.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Vocês não sabem como é bom ter um homem!!! Me soltem e eu vou trazer mil íncubos para nos possuírem!! O que falta pra vocês é uma grande...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A Arcangelista preferiu não ouvir o fim da frase, e com a raiva estampada nos olhos semi-cerrados,  fez o caminho de volta galgando os degraus subterrâneos com tamanha rapidez, que suas companheiras não conseguiam acompanhar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Pediu que fosse levada à Capela do Convento, e lá chegando, deitou-se no chão, de barriga para cima, os braços e pernas estendidos. Enquanto as irmãs darcianas Jeanne de Biarritz e Jeanne d’Orléans fechavam a porta da capelania, Jeanne d’Agen começou a entoar as ladainhas do Cântico de Santa Joana Guerreira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Retirando o pente do bolso, levantou-o, apontando na direção do teto. Todas as velas da capela começaram a acender-se, uma após a outra, por si mesmas. À medida que as chamas ganhavam mais volume e calor, o cântico prosseguia, e o pente transformava-se mais uma vez na sua forma original de adaga de bronze. Com a outra mão, ela tirou um longo rosário de outro bolso, e balançou-o, apoiando-se nos joelhos. Uma vez ajoelhada, sem deixar interromper a música, rodopiou o rosário até que este assumisse a forma de um chicote dourado luminoso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Empunhando suas armas benditas, energizadas com a mais pura luz celestial, fixou a vista no teto abobadado da capela, e onde antes só se viam vigas de madeira escura e embolorada, resplandeciam as imagens diáfanas de São Miguel Arcanjo, Santa Catarina do Monte Sinai e Santa Margarida de Antioquia. Com os olhos vidrados pelo êxtase místico, sentiu seu corpo queimando, mas não se deixou dominar pela dor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— POR NÓS, TU FOSTE QUEIMADA, SANTA JOANA — gritou, e as chamas das velas agora pareciam explodir como as labaredas de um incêndio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— POR TI, EU SINTO O ARDOR DO FOGO  — seu corpo tremia em frenesi.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O HOMEM SENTENCIOU SANTA JOANA AO FOGO INFERNAL — a pronúncia era límpida, os olhos fixos no assoalho, de onde pareciam brotar chamas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— MAS DE DEUS ELA RECEBEU O FOGO CELESTE — não tirava os olhos do alto, onde as três entidades incorpóreas pareciam bailar em meio à claridade cegante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— SÃO MIGUEL ARCANJO REVIGORA MEU  CORPO, SANTA CATARINA AGUÇA MINHA MENTE, SANTA MARGARIDA ZELA POR MINHA ALMA.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O cântico foi encerrado por um grito estridente, quase animalesco. As chamas enlouquecidas ziguezagueavam como cometas pela capela, rodopiando ao redor da cabeça de Jeanne d’Agen e reluzindo no metal candente das armas celestes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— AMÉM.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A capela voltou ao seu aspecto original. Não havia mais nenhum sinal de fogo ou de imagens astrais. A caçadora arcangelista Jeanne d’Agen, ajoelhada, não disse mais nenhuma palavra, não emitiu mais nenhum som.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Quando ela saiu da capela, suas camaradas perceberam que ela já estava pronta para a batalha. Sem dizer nenhuma palavra, ela recebeu de Jeanne d’Orléans as últimas instruções necessárias para localizar o demônio sedutor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Deixou uma generosa contribuição  ao ofertório de convento, e saiu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;As irmãs do Convento de Santa Felicidade, mais uma vez, voltaram a seus afazeres cotidianos: bocas a alimentar, ferimentos a tratar, doentes a consolar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Fazia muito frio lá fora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;  &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O CONVENTO DE SANTA FELICIDADE &lt;/span&gt;foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.universogerminante.net/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Volte ao Universo Germinante&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-622753469332327961?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/622753469332327961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=622753469332327961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/622753469332327961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/622753469332327961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/08/conto-rebelio-83-o-convento-de-santa.html' title='Conto Rebelião 83: O Convento de Santa Felicidade'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SLa0x0L6ZGI/AAAAAAAAAUQ/GKOlmRnetMU/s72-c/RAQ83_convento_santa_felicidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-7972395791996790001</id><published>2008-08-20T11:37:00.000-07:00</published><updated>2008-08-20T11:59:28.473-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ladaimes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lilim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bruxos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 82: As Amigas de Tony</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SKxpizY1ClI/AAAAAAAAAUA/TUdddORCsnE/s1600-h/RAQ82_amigas_tony.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SKxpizY1ClI/AAAAAAAAAUA/TUdddORCsnE/s400/RAQ82_amigas_tony.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236676513355860562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A fumaça densa preenchia o ambiente, dando-lhe um aspecto quase onírico. Fumantes compulsivos e alcóolatras inveterados acotovelavam-se junto à estreita bancada do bar, onde um grupo de belas atendentes preparava uma vasta gama de coquetéis. Dois bebedores mais exaltados ensaiavam um início de briga, interrompida pela chegada de um parrudo segurança. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Aparentemente alheio à trilha sonora barulhenta e à algazarra perene de vozes alteradas pelo alto teor etílico, um homem de aparência cansada ocupava uma mesinha quase escondida atrás de uma das colunas que sustentavam o teto espelhado. Os olhos injetados de sangue pareciam indicar uma irritação provocada pela atmosfera poluída do recinto, mas o pacato personagem continuava bebericando lentamente da sua caneca. Os dedos da mão direita pareciam tamborilar uma melodia na mesa, e os pés estavam descalços, escondidos no aconchego das sombras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Duas belas mulheres de olhos verdes e corpo bronzeado, gêmeas idênticas, aproximaram-se sorrindo. As silhuetas esculturais eram realçadas pelos vestidos colantes e brilhantes, e seus olhares irradiavam uma aura sensual.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Tony, por que você não veio semana passada? — pergunta a primeira irmã, de vestido verde-prateado, com um tom de leve reprimenda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Luciane, sou um homem ocupado,  infelizmente não pude ir, mas prometo que nada me impedirá de estar lá semana  que vem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A resposta pareceu causar um ardente entusiasmo na dupla de moças, que ficaram com as bochechas coradas. A sensual garota de vestido prata aproximou-se do homem, beijando-lhe a boca de supetão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu sou a Cristiane, Tony —  corrigiu-o, num breve sussurro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Desculpe, Cris, eu sempre confundo vocês duas... — disse ele, abrindo um largo sorriso e apontando para a outra gêmea, que vestia um &lt;em&gt;top&lt;/em&gt; verde-escuro e uma mini-saia curtíssima.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O nome dela é Juliane — corrigiu-o mais uma vez, tentando disfarçar com mais um beijo, como se não quisesse ofender o “amigo”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Oh, que distração a minha.... — desculpou-se ele, e tomou mais um gole de sua caneca. Suas mãos pareciam trêmulas. A vista, cada vez mais inchada, indicava  uma grave irritação ocular, e uma rede de finíssima veias azuladas começava a despontar em sua testa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A gêmea de vestido mais longo, Cristiane, sentou-se no colo de Tony, sem demonstrar a menor cerimônia, e puxou a caneca para si, sorvendo com rapidez. O gosto não pareceu agradá-la.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;—Eca! O que é isso?! — A cara de  nojo parecia enfatizar ainda mais a reclamação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Leite coalhado, querida. Eu  tentei avisar, mas você não me deu tempo — desculpou-se Tony, num tom quase  paternal&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Com tanto barulho, Tony sentiu que  a outra gêmea não conseguia acompanhar a conversa, e chamou-a para junto de si:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Por que tão longe, Lu? — disse  ele, dando uma palmadinha no próprio joelho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ju, Tony, Ju-liane — mais uma  vez ele ouviu Cristiane corrigindo-o.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ah, minha memória está me  traindo. Coisas da idade... — completou com uma gargalhada abafada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Você não é nada velho, gatão, deixa de brincadeira — Cristiane deu um beijo estalado na bochecha do homem, que provocou ao insistir que “era muito mais velho do que aparentava”. Juliane não perdeu a oportunidade de aproveitar-se da intimidade, e também deu um beijo no felizardo &lt;em&gt;bon vivant&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Pra que esperar... — sussurrou  ela, enquanto lambia delicadamente a orelha de Tony — ... se estamos aqui  agora!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;À medida que as gêmeas o acariciavam, os olhos do homem — que não aparentava mais de trinta anos — foram perdendo o inchaço, e as veias em sua testa também sumiam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ah, sempre safada... do jeito que eu gosto. Ele passou a mão — que já não estava mais trêmula — na coxa da outra garota, que pareceu não gostar do elogio à irmã.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Você gosta mais dela, Tonyzinho? Já esqueceu daquele dia na piscina... — A lembrança lasciva daquela noite de outono pareceu revigorar o homem, tornando até sua voz mais possante:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Como me esqueceria, Cristina? Eu já cansei de dizer que amo as duas. Sua mão perdeu-se propositalmente no largo decote de Cristiane, que tão excitada estava, nem se incomodou que ele errasse mais uma vez seu nome.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Vem com a gente, Tony! —  suplicaram as duas, tentando tirá-lo da cadeira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O celular dele tocou exatamente  neste momento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Um momentinho, gatinhas, é só  que eu peço... — seus olhos límpidos agora estavam azuis, o que chamou a atenção  de Juliane:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Tony, seus olhos não eram  negros?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Depende da luz e do clima, Ju —  finalmente ele acertou o nome. — Só um momentinho... e eu serei... todinho de  vocês.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele tirou do bolso o telefone caríssimo, de última geração, e escutou pacientemente por alguns instantes. Abaixou o tom de voz propositalmente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sim, Vívian, eu sei. Recebi...  seus presentes, mas não posso aceitar. Devem ter custado uma fortuna! Eu não  posso...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Do outro lado da linha, a tal  “Vívian” parecia não ter gostado da resposta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sim...não...não é isso... cinco  mil?... isso é caro...não, não foi isso que eu quis dizer... — Tony continuava  balbuciante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;As amantes de Tony eram muitas: loiras, negras e morenas; ricas e pobres; lolitas e mulheres de meia-idade. Para um sedutor irresistível como ele, os presentes de Vívian de Lorca eram apenas novos itens em sua coleção de “agrados”. Graças a seus dotes sexuais, ele conseguia manter um padrão de vida altíssimo arregimentando uma lista de amantes satisfeitas nos mais altos escalões da cidade. Vívian, a insuspeita esposa de um juiz, sentia-se obrigada a compensar seus prazeres satisfeitos com presentes caríssimos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Seu amor é o mais importante, Vívian... — a aparente recusa dos presentes era só parte de uma estratégia de dissimulação: Tony jamais recusava nenhum presente. Na verdade, eram eles que garantiam o seu sustento. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Amanhã, você vai subir pelas paredes, Vivi! — O homem sabia direitinho como manter uma ninfomaníaca milionária sob controle.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Hoje? Sinto muito, não dá... — ele lançou um rápido olhar para a dupla de irmãs, mas elas tinham sumido. Em seu lugar, estava uma mulher morena, baixinha e de longuíssimos cabelos encaracolados, presos num rabo-de-cavalo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Por favor, Vivi, não chore... deu uma pausa... Olha, estou numa reunião de negócios, mais tarde eu ligo... outra pausa prolongada... eu nunca mentiria para você — o tom afável era irresistível. — Nos falamos em breve... pensei em coisas incríveis pra fazer com você— ele sentiu que  a esposa do juiz caíra na teia, mais uma vez — mais tarde te ligo. Tchau!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele tentou mais uma vez olhar ao redor, em busca de sua diversão dupla para aquela noite enfadonha de inverno, mas elas Cris e Ju não estavam mais por perto. Tentou com seu olfato aguçado rastrear o odor forte da essência floral que exalava do corpo das irmãs, mas foi em vão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A estranha mulher continuava parada bem à sua frente, com o semblante amarrado. Vestindo uma roupa cinzenta e levemente amarrotada, larga demais para delinear seu corpo, emanava uma desagradável ausência de sensualidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mesmo sem interesse, ele jamais recusava a companhia de uma mulher. Após uma mesura quase imperceptível, inclinou-se para segurar a mão de sua nova “amiga”, e beijá-la.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ela retirou a mão com violência. Pronunciando com forte sotaque sulino, a primeira frase provocou um calafrio nos cabelos de Tony.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ladaimes, precisamos conversar — o tom ríspido e antipático. Seus olhos negros e vivazes pareciam evitar os de Tony, que agora pareciam mais esverdeados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Não sou eu. Quer um drinque? — disse  ele, confiante em livrar-se da incômoda presença.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ladaimes, eu sei quem tu és. Sei  que és um íncubo, e vim aqui para alertar-te de um perigo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Saia daqui, você não faz o meu tipo. Você precisa cuidar mais do seu visual sabe... — tentou passar a mão nos cabelos da moça, mas esta repeliu-o com um vigor exagerado para uma mulher tão pequena.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Meu nome é Baiarda Bach, ­e sigo uma trilha solitária longe do Céu e do Inferno. Já exorcizei dois íncubos que me ameaçaram, Ladeimas e Lemaedis, em Viena, mas há tempo atrás, em Toledo, salvei a vida de Lideames.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;As pupilas dos olhos de Tony agora brilhavam num tom púrpura intenso. Com a fisionomia fechada, num tom ameaçador, foi sintético em sua resposta:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Se sabe quem sou eu, sabe que  posso quebrar seu pescoço antes que pronuncie uma única sílaba.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sim, eu sei. Aqui está uma prova  de que Lideames é meu aliado!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ela tirou uma lasca pequena de um  dos bolsos da jaqueta amarrotada. O fragmento de unha, chamado nos círculos ocultistas  de &lt;em&gt;onghia del’incubo&lt;/em&gt;, “unha do íncubo”, era um talismã potente, obtido a partir de um pedaço de unha ofertado por um íncubo, ou lilim, como também eram conhecidas estas criaturas infernais. Esta raça demoníaca não possui unhas em sua forma verdadeira, mas seu dom de criar simulacros materiais de aparência humana gerava unhas falsas, que só podiam manter-se enquanto a criatura estivesse viva. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Tony, ou Ladaimes, seu nome  verdadeiro, já estava quase convencido da veracidade da história. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Por que esta tentativa de  aproximação, Senhorita Bach?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu sou uma bruxa, e minha  investigação constante dos mistérios universais depende de uma extensa rede de “contatos”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— E agora quer me incluir nesta  “rede”, presumo eu — perguntou, com o desdém explícito no tom debochado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Se assim quiseres — disse ela,  mas pareceu atrair a simpatia do íncubo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— “Incluir” ou “prender”? — ele  fez questão de não esconder sua desconfiança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Uma mulher virá atrás de ti.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— As mulheres sempre fazem isso.  Por que temeria?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Esta mulher virá como caçadora,  e não como amante — ela frisou bem a palavra “caçadora”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ah! Nenhuma mulher resiste a  meus poderes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Nem mesmo uma &lt;em&gt;Arcangelista&lt;/em&gt; da Legião d’Arc?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ladaimes fechou os olhos. Parecia estar consultando alguma memória remota em seu cérebro. Baiarda permaneceu em pé, à espera de uma resposta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O &lt;em&gt;lilim &lt;/em&gt;sabia, em sua longa estadia na Terra, que as seguidoras da seita celestial d’Arc eram temíveis guerreiras, mestras nas artes de combater, de planejar e de forjar as mais letais armas bentas. As mulheres na seita que militavam na linha de frente com combate direto eram conhecidas como Arcangelistas, em virtude de seu patrono, São Miguel Arcanjo. Ladaimes já fora alvo de um ataque das Darcianas em Lisboa, na década de 30. Atribuía sua sobrevivência ao mais puro acaso, pois escapara do ataque raivoso de uma mulher que atendia pelo nome de Jeanne de Reims, munida de uma acha dourada e de uma manopla cinzenta de ferro. Inflamados pela energia celestial, o distinto arsenal chegou a decepar uma das mãos do íncubo fugitivo. Graças à sua elasticidade demoníaca, Ladaimes escapou por uma estreita tubulação de esgoto. Só conseguiu regenerar o membro mutilado após longas e dolorosas semanas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;As divagações do íncubo foram  interrompidas pela voz aguda da bruxa:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Posso contar com teu apoio,  Ladaimes? — disse ela, sentindo-se já triunfante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O que você quer em troca,  madame? — por um breve momento, os olhos do &lt;em&gt;lilim&lt;/em&gt; brilharam em seu aspecto original.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Uma &lt;em&gt;onghia del’incubo&lt;/em&gt;, meu caro... talismãs são fundamentais em meu  ramo...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O íncubo pensou por mais uns  instantes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— E se for uma armadilha? — ele  agarrou o braço de Baiarda, num golpe extremamente rápido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Use seu poder de sedução em mim... use-o para detectar alguma mentira em meus atos... — Ladaimes surpreendeu-se com a repentina ousadia da bruxa, que acabara de sugerir uma ação arriscada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Está disposta a correr o risco?  — disse ele, saboreando as possibilidades da ocasião.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sim, farei qualquer coisa para provar minha sinceridade. Este é o nosso pacto: um pedaço de sua unha em troca de dez segundos sob o teu poder. Uma vez certificado, seremos aliados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Como identificarei a guerreira  darciana? — perguntou o demônio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ainda não sei, mas prometo que  investigarei através de meus contatos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele passou seu braço musculoso ao redor dos ombros da mulher franzina. Bastou um beijo no pescoço para fazê-la suar em profusão. Relutante, foi deixando-se gradualmente envolver pela magia do íncubo. Ele passou as mãos em seus quadris, e lambeu o suor salgado que escorria abundante em suas têmporas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Você é minha inimiga? — fez a  primeira pergunta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Não — a resposta confirmava as  boas intenções.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Está armando uma cilada?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Não.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Você conhece a caçadora? Pode  descrevê-la?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Não. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;As respostas agradaram a Ladaimes, que sentiu-se mais seguro, sabendo que ganhara uma nova “aliada”. Já podia libertar a moça de seu &lt;em&gt;charme&lt;/em&gt; sobrenatural.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mudou de idéia — seus impulsos sexuais foram mais fortes, como sempre. Em vez de restaurar a sobriedade da mulher, preferiu brincar um pouco:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Desabotoe sua blusa. Eu quero  ver um pouco mais de você.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Imersa no controle hipnótico, Baiarda começou a abrir os botões. Livre de qualquer pudor, abriu rapidamente a jaqueta, expondo os seios, enfiados em um sutiã semi-transparente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O que é bonito é para se mostrar  — disse ele, com a lascívia estampada nas feições de deboche.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu acho que vi um mamilo — disse ele, testando seus impulsos cômicos. Beijando-a ma boca, passou a mão no ventre macio. Uma súbita dor intensa de queimadura interrompeu a diversão. O berro do íncubo chamou a atenção até dos bêbados que circulavam por perto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Acho que estamos conversados, Sr. Tony. Mais alguma pergunta? — Baiarda Bach estava novamente no controle da situação. Em sua pele pálida exposta, trazia uma série de símbolos místicos tatuados por todo abdômen. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Tornou a abotoar tudo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— &lt;em&gt;Crux Castarum &lt;/em&gt;— disse ele, praguejando e reclamando da dor caústica que fluía pelo seu braço. A simples visão da marca já causava-lhe uma onda de repugnância inebriante. Fechou os olhos, tentando sufocar o nojo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;As marcas tatuadas com esmero  formavam o imemorial signo arcano da &lt;em&gt;Crux  Castarum&lt;/em&gt;, cuja propriedade de repelir íncubos e súcubos foi redescoberta por monjas leonesas no século XIII, que rebatizaram-no com o nome latino. A destemida ousadia da bruxa tinha bases sólidas fincadas num senso cauteloso de prevenção total. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O pacto está feito, menina. Pode  sair agora — um pedaço de sua unha foi entregue como prova da aliança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ela se despediu, deixando-o sozinho no salão enfumaçado. Assim que saiu do bar, ela pôde deixar de lado um pouco o ar sisudo de ocultista fria. Por um breve momento, a lembrança do contato com o íncubo causou-lhe uma sensação gostosa, que ela preferiu não inibir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Afinal de contas, tinha conseguido  o que queria: não custava nada saborear a vitória.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;AS AMIGAS DE TONY &lt;/span&gt;foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.universogerminante.net/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Volte ao Universo Germinante&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-7972395791996790001?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/7972395791996790001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=7972395791996790001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/7972395791996790001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/7972395791996790001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/08/rebelio-82-as-amigas-de-tony.html' title='Rebelião 82: As Amigas de Tony'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SKxpizY1ClI/AAAAAAAAAUA/TUdddORCsnE/s72-c/RAQ82_amigas_tony.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-5664706083803990953</id><published>2008-08-08T12:01:00.000-07:00</published><updated>2008-08-08T12:13:00.219-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas de Glenda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 81: Janela Indiscreta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SJyafXm1AsI/AAAAAAAAAT4/wFSp4dh2ERk/s1600-h/RAQ81_janela_indiscreta.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SJyafXm1AsI/AAAAAAAAAT4/wFSp4dh2ERk/s400/RAQ81_janela_indiscreta.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232226730801169090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O poste defeituoso não chegava a iluminar a rua estreita, deixando que um manto de escuridão escondesse boa parte dela. Uma mulher pequena de cabelos escuros corria com muita pressa, desviando dos buracos na calçada. No alto de um muro não muito alto, dois gatos passavam correndo, com os olhos luzentes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Glenda Marques estava ansiosa em  achar sua amiga Zuleica Silveira, a &lt;em&gt;Tia  Zu&lt;/em&gt;, como preferia ser chamada. Não pensou duas vezes em subir no muro, com uma agilidade que causaria espanto se alguém a pudesse ver naquelas horas. Os felinos começaram a berrar, como se reclamassem da estranha companhia. Calculando a posição certa da janela do apartamento 202, ela parou por um breve momento, como se tomasse fôlego, e saltou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Os mais de três metros que separavam a borda do muro da marquise que rodeava o segundo andar foram transpostos com um simples impulso. O feito, aparentemente impossível para uma pessoa normal, era algo corriqueiro para Glenda, que, definitivamente, não era uma pessoa normal. Ela era um Nefilim, uma filha de Anjo, o que lhe conferia alguns dons sobrenaturais. Equilibrada no espaço estreito da marquise, ela começou a bater nas janelas do quarto da amiga.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Zu! Zu! Sou eu, Glenda!!! — era  obrigada a falar baixo para não chamar a atenção de ninguém na rua. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Zu! — bateu timidamente na  janela, e sentiu que Zuleica jamais acordaria assim. Teria que entrar de  qualquer jeito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Mais alguns gatos juntaram-se à dupla que circulava pelo muro de concreto, e começaram a miar, cada vez mais alto, como se estivessem ofendidos com a invasão de seu território por aquela estranha mulher saltitante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O barulho da gataria perturbou a concentração de Glenda, que perdeu a calma. Numa atitude condizente com seu apelido entre os Acólitos — Súbita —, invocou seus poderes inumanos. O poste apagado na rua piscou por uma fração de segundo, o suficiente para espantar um morcego que se pendurava numa castanheira, e a mulher tornou-se translúcida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Após atravessar as paredes como um  fantasma, Glenda materializou-se junto à cama de sua amiga. Foi quando &lt;em&gt;Súbita&lt;/em&gt; percebeu que &lt;em&gt;Tia Zu&lt;/em&gt; não estava sozinha. A loira alta de cabelos encaracolados dormia abraçada a um rapaz musculoso, que roncava feito um leão. O arrependimento fez com que Glenda ensaiasse uma saída imediata, mas antes que ela tentasse buscar forças para refazer seu caminho de volta, Zu acordou, soltando um palavrão tão alto que acordou seu amante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O que está... Súbita... Glenda?  — gritou ela, ao perceber a presença da amiga, ao mesmo tempo, que o homem  abria os olhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Quem é...ei! O... — disse o homem, antes de ter seu rosto agarrado com força pela namorada. Uma tênue aura de faíscas azuladas rodopiou ao redor da cabeça do homem, e apenas Glenda podia enxergar as asas luminosas que abriam-se ao redor dos ombros nus de Zuleica, uma indicação mágica de que ela estava manifestando seus poderes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;—Vai dormir, Maurício — cochichou  ela ao ouvido do amante, que caiu em profundo torpor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ajeitando as alças do &lt;em&gt;baby-doll&lt;/em&gt; sumário que usava, Zuleica  levantou-se, e Glenda sentiu-se fuzilada pelo olhar furioso da colega. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu espero que você tenha uma razão muito forte para estar aqui no meu quarto, às... ela deu uma conferida no relógio da cabeceira... às 4h23 da matina!!! Pode começar a falar!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Glenda balbuciou: — Zu, eu, é, Zu,  o Anjo Ganu’el apareceu para mim e me entregou...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Heim? — protestou a amiga, atônita.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ganu’el, Kerubim, como nosso  pai, ele me entregou um papiro que fala de segredos da Rebelião... — &lt;em&gt;Súbita&lt;/em&gt; não sabia exatamente como  explicar tudo de maneira didática.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Cadê o papiro? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ele escondeu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Aonde?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— No meu sonho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ah, no seu sonho! — o tom era de  ironia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O papiro não pode ficar no plano  físico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ah. E porque ele não escondeu no  meu sonho? Eu estava dormindo. Ia poupar tempo e esforço...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Zu, você tá chateada comigo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Puxa, será? Por que eu estaria  chateada com alguém que invadiu minha casa e me acordou de madrugada pra...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Zu, não fica assim!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— ... Me acordou pra dizer que  sonho com os anjinhos! Todos nós sonhamos, Glendinha! Isso não é motivo pra me  encher o saco!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Ele disse que meu defeito era  minha maior qualidade...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— E você sabe qual é o seu maior  defeito, né? Eu não preciso repetir, preciso?!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Zu, eu sei que eu sou afobada,  mas os Acólitos precisam...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Glenda não conseguiu nem terminar  a frase. Zuleica agarrou-a pelo braço, e praticamente arrastou-a para fora do  quarto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Os Acólitos precisam é dormir! — gritou Zu, enquanto expulsava a colega pela porta da frente. — Além do mais, não sei se a senhorita notou, eu tenho companhia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Desculpa, Zu... — o rosto de  Glenda estava levemente corado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Aliás, era bom você arranjar um homem, também, pra não ficar nas madrugadas inventado desculpas pra acordar as amigas. Boa noite!!! — Glenda sentiu a porta fechar-se quase em seu nariz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu não inventei nada! — Glenda  era só decepção, sentiu uma vontade súbita de chorar. — Esse Papiro Semiázico  existe mesmo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Adeus, goodbye, tchau!!! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;—Zu, a esta hora a portaria está  fechada... — o tom era de súplica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Você conseguiu entrar, vai conseguir  sair!! — gritou a &lt;em&gt;Tia Zu&lt;/em&gt;, lá de  dentro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Mas eu preciso... — Glenda  começou a chorar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— É bom ir embora, antes que eu fale  o que você realmente precisa! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Passaram-se alguns minutos, e Zuleica certificou-se que Glenda já tinha ido embora. Foi até a geladeira beber um pouco de água, e voltou para a cama, onde seu amante roncava. Ajeitou-se nas cobertas e pegou no sono. O relógio marcava 4h38. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;4h45. Mauro puxou o cobertor para  o seu lado, o que não pareceu incomodar a moça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;4h50. Zuleica balbuciou algumas  palavras sem sentido. Do lado de fora, um vento forte fez as janelas sacudirem,  de leve.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;5h00. Mauro virou-se de lado, abraçando  a namorada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;5h05. Uma baratinha caminha  alegremente pelo chão do quarto, e desparece numa fresta atrás do armário de  roupas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— PAPIRO SEMIÁZICO???? — grita a moça de cabelos claros, ao acordar de sobressalto. — PAPIRO SEMIÁZICO!!!! — ela salta da cama de um só movimento. Ao seu lado, Mauro desperta mais uma vez:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Gatinha... hmmm... o que.... — balbucia ele, enquanto procura em vão por sua amada. Ela retorna, e mais uma vez toca suas têmporas com as mãos espalmadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         — Volta a dormir, Maurinho. Tá muito  cedo, ainda. O relógio marcava 5h15.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         Ele cai mais uma vez em torpor, e Zuleica segue apressada para o outro quarto. Abrindo a portinhola de um velho armário de madeira avermelhada, puxa uns cadernos e procura por algumas citações. Não achada nada, mas continua cismada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         “Eu tenho certeza que já li sobre um Papiro Semiázico em algum lugar!”, pensa enquanto tenta reorganizar as idéias. “Ou foi alguém que me falou?”, as dúvidas povoam sua mente, enquanto fuça em outra gaveta. “Gargântua? Boop Betty? Ânderson? Quem me falou sobre isso?”, ela vai até a escrivaninha, e puxa a espaçosa gaveta inferior. Removendo uma tábua oculta, ela puxa um caderninho decorado com desenhos de flores. Ela procura avidamente pelo índice feito a mão na última folha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         “Isso!”, seus olhos não escondem o  contentamente. Lá estavam nas anotações de sua colega &lt;em&gt;Boop Betty&lt;/em&gt;, uma anotação sobre o tal Papiro, que fez parte do acervo de um colecionador austríaco em 1921. Após o incêndio que destruiu a casa e vitimou todos os seus habitantes, o dito manuscrito nunca mais foi visto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         Já eram sete horas da manhã quando Glenda Marques foi acordada pelo barulho do telefone. Ainda sonolenta, ela tirou o fone do gancho e atendeu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         — Glenda, eu te devo mil perdões.  Desculpa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         — Zu, é você?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         — Precisamos conversar, chego aí em  quinze minutos! — desligou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         Glenda pôs o telefone no gancho e abriu um largo sorriso. Pôs um bule no fogão para esquentar água, e tirou o pote de café solúvel do armário. Abriu um pacote de biscoitos salgados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;         Sua amiga ia chegar a qualquer  instante. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Assunto é o que não ia faltar... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lendas de Glenda II: JANELA INDISCRETA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Contos Relacionados:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Lendas de Glenda I: &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/06/rebelio-79-contrastes.html"&gt;Contrastes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.universogerminante.net/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Volte ao Universo Germinante&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-5664706083803990953?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/5664706083803990953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=5664706083803990953' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/5664706083803990953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/5664706083803990953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/08/rebelio-81-janela-indiscreta.html' title='Rebelião 81: Janela Indiscreta'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zpaNQ8v8SzA/SJyafXm1AsI/AAAAAAAAAT4/wFSp4dh2ERk/s72-c/RAQ81_janela_indiscreta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-402339897388866322</id><published>2008-06-25T09:47:00.000-07:00</published><updated>2009-11-03T08:46:20.989-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Veneráveis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 80: O Último dos Jaguaranas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/SGJ6S0OfZSI/AAAAAAAAATo/zUWARCzRU5E/s1600-h/RAQ80_ultimo_jaguaranas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/SGJ6S0OfZSI/AAAAAAAAATo/zUWARCzRU5E/s400/RAQ80_ultimo_jaguaranas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215865782124111138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O chão estava tão quente que nem mesmo os calangos agüentavam caminhar pela trilha natural de terra que se abria por entre dois paredões de pedra.  Leutério Jaguarana continuava a fugir, com os pulmões ardendo pelo esforço hercúleo. Apesar da sensação de tonteira, ainda podia escutar o barulho distante dos cavalos. A jagunçada do Coronel Sanfins tinha vindo em peso para a caçada, e até mesmo os sumidos Cristino Timbu e Tonho haviam retornado de bem longe para atender as ordens de seu temido patrão.&lt;br /&gt;Leutério sabia muito bem o que estava fazendo quando acertou um balaço bem no meio dos olhos de Silvestre, o filho mais velho do “Coronel” Honorino Sanfins. Essa família de cascavéis tinha encomendado a morte de seu pai, o Coronel Glicério Jaguarana, e nem o seu tio mais velho, o seráfico frei Cupertino, pôde escapar da vingança sanguinolenta  dos Sanfins. Quando o torturado frade morreu em seus braços, Leutério jurou que faria justiça. A batalha sangrenta entre Jaguaranas e Sanfins era tão antiga que prosseguia atravessando gerações, e ninguém mais era capaz de dizer como tudo isso havia começado. O avô paterno de Honorino matara o avô de Glicério; morte essa vingada pelo seu filho Catão Vitulino, que degolou o algoz do pai com um golpe certeiro. Uma sucessão de mortes deu prosseguimento ao ódio recíproco, numa retaliação contínua que — dizam todos — iria  perdurar até o final dos tempos.&lt;br /&gt;Uma súbita idéia fez o jovem Jaguarana interromper sua corrida. Usando como apoio um arbusto baixo, mas de tronco firme e bifurcado, aninhou-se nas frestas do paredão rochoso, e começou uma temerária escalada.&lt;br /&gt;A batida de cascos contra o chão duro denunciava a chegada iminente do primeiro de seus perseguidores. Com o rabo do olho, Leutério conseguiu divisar a imensa figura de Tonho, o capataz da segunda fazenda do Coronel Honorino. Recuperou o fôlego — o coração palpitava forte — e continuou em sua escalada.&lt;br /&gt;— O desgraçado sumiu, Dotô Bertoldo! Óia as pegada... — apontou o jagunço para o homem louro que vinha logo atrás.&lt;br /&gt;— Ele não pode ter ido longe... olhos abertos! O bandido vai dormir hoje com Satanás! Eu juro pela alma do meu irmãozinho!!!&lt;br /&gt;Do alto de seu esconderijo no penhasco, Jaguarana reconheceu aquela voz fina: era Bertoldo Sanfins, o segundo filho do inimigo de seu pai. Formado em Direito, o homem era culto e ilustrado, mas mesmo assim incapaz de se desvencilhar do fio sangrento da vingança ancestral que enredava os Jaguaranas e o Sanfins.&lt;br /&gt;Cristino Timbu, com enormes dentes brancos contrastando com a pele de ébano, apeou de sua montaria e pôs-se a vasculhar a trilha de pegadas na chão árido. Olhou à sua volta, como se imerso num transe fantasmagórico, e cheirava o ar com um certo exagero. Parecia um animal saindo à caça. Pegou um punhado de areia, esfregou e jogou fora. Repetiu o gesto umas três vezes, pelo menos. Com os pés, calcou a ossada de uma onça, morta já há meses, e fez cálculos silenciosos. Brincou com a mandíbula cadavérica, e então mudou de direção.&lt;br /&gt;Leutério continuou subindo, tentando ser o mais silencioso possível. Só faltavam alguns palmos para chegar ao topo. Uma vez lá, estaria fora do alcance de qualquer ataque.&lt;br /&gt;Só mais um pouco...&lt;br /&gt;Cristino cochichou algo no ouvido de Tonho, que soltou um sorriso. Se Leutério Jaguarana visse, perceberia o que estava acontecendo. Mas na posição incômoda onde estava agora, já não podia mais olhar para baixo.&lt;br /&gt;— O borra-calça foi pra lá, deve de tá iscundido nos mandacaru! — gritou Tonho, que ao mesmo tempo puxava as rédeas do seu pangaré malhado. Fez um gesto para Bertoldo, que limitou-se a um simples aceno.&lt;br /&gt;— Vai na frente, Timbu! — berrou o filho do coronel, descendo do cavalo e tirando sua arma da bainha de couro.&lt;br /&gt;Leutério Jaguarana subiu com todo cuidado mais alguns centímetros. A distração dos jagunços ia garantir o tempo necessário para a escapada.&lt;br /&gt;Mais um movimento...&lt;br /&gt;O sol do meio-dia queimava inclemente no seu rosto. As gotas de suor escorriam como um rio meloso.&lt;br /&gt;Firmou a mão esquerda na superfície áspera da rocha. Apesar de machucada, ela suportou bem os oitenta quilos do bravo nordestino.&lt;br /&gt;Mais um pouco...&lt;br /&gt;Leutério só ouviu o tiro quando era tarde demais. Não sentiu mais nada, apenas uma leveza infinita enquanto parecia flutuar no ar. Com o olhar fixo para o alto, ele só via o céu azul-claro radiante e profundo.&lt;br /&gt;“Eu não quero morrer”, o pensamento não durou mais que um décimo de segundo, antes de bater contra o piso pedregoso.&lt;br /&gt;A tropa de Bertoldo Sanfins gritou em coro, triunfante com a presa abatida.&lt;br /&gt;O próprio filho do Coronel foi o primeiro a chutar o corpo, com um pontapé tão violento que quase cravou o bico do sapato nas costelas partidas do moribundo.&lt;br /&gt;Leutério não emitiu nenhum som quando ergueu-se, para o espanto de Tonho, Cristino e os outros. Por algum estranho motivo, sentiu que a queda não fora tão dolorosa assim.&lt;br /&gt;O efeito da surpreendente “ressureição” do rapaz espalhou a confusão entre seus inimigos. Eles não sabiam se atiravam ou se simplesmente corriam atrás do ferido.&lt;br /&gt;— Oito metros de altura! Como... — a reclamação do Doutor foi interrompida pelos tiros dos seus fiéis empregados, abrindo fogo contra o fugitivo, que corria cambaleante feito um pato.&lt;br /&gt;“Quem me vingará, agora?”, pensou o jovem em seu velho pai, já sem forças, preso a uma cama. Leutério era filho legitimado de Honorino Sanfins com a bela e misteriosa cabocla que abandonara o filho ao nascer. O Coronel ainda casara uma segunda vez, mas não tivera filhos deste segundo enlace.&lt;br /&gt;“Pelo menos a guerra termina comigo”, era só nisso em que ele pensava agora. A disputa secular entre os Jaguaranas e os Sanfins estava prestes a terminar.&lt;br /&gt;Infelizmente, com a vitória definitiva dos Sanfins.&lt;br /&gt;Uma bala perfurou seu ombro, mas não foi capaz de deter sua corrida. Sem medo algum, embrenhou-se na moita de espinheiros, e sentiu pontas afiadas como agulhas rasgando suas pernas e flancos. Outro tiro acertou sua panturrilha, e ele caiu.&lt;br /&gt;Não soltou nenhum grito. Tão concentrado parecia em escapar, teve a sensação de que o ferimento na batata da perna sumira, e sentiu-se mais uma vez apto a levantar e seguir adiante.&lt;br /&gt;Antes que pudesse conferir o real estado da ferida na perna — teria sido de raspão? —, Cristino Timbu o alcançou. O jovem desvencilhou-se do primeiro golpe com relativa facilidade, mas não pôde deter o pontapé furioso que se seguiu.&lt;br /&gt;Caiu mais uma vez, e não iria mais se levantar.&lt;br /&gt;Bertoldo chegou e descarregou a arma no corpo do odiado rival, cuja mão esquerda arrebentou-se numa explosão de sangue. Os flancos transformaram-se numa verdadeira peneira. Um segundo chute esfacelou o nariz. Tonho chegou por último, ansioso em participar do massacre, e arrancou uns dentes com um murro bem colocado. A peixeira pareceu faiscar ao reflexo do sol forte do meio-dia. Leutério já sentiu-se cego quando a lâmina enterrou-se em sua coxa.&lt;br /&gt;Palavrões. Gritos. Um alarido infernal que expressava todo o ódio extravasado durante a carnificina.&lt;br /&gt;— Arranco a cabeça dele, dotô? — perguntou Zé Limeira, com um brilho demoníaco no olhar. O terceiro jagunço passou a mão nos bigodes avermelhados, e brandiu a peixeira com violência.&lt;br /&gt;— Preciso mandar, Zé? Degola o bicho! Vou levar essa carranca pro meu paizinho se fartar de rir... Hoje vai ter quenga e cachaça pra todo mundo!&lt;br /&gt;Os jagunços gargalharam, antevendo a comemoração da noite, e Zé ainda se deu ao luxo de fingir afiar a peixeira numa pedra pontiaguda.&lt;br /&gt;— É prá já... prá já... — disse em tom de deboche. Tonho deu um tapinha amistoso na nuca do amigo.&lt;br /&gt;— Diacho... — reclamou.&lt;br /&gt;— O que foi, hômi... — perguntou Timbu, curioso.&lt;br /&gt;— A desgraçada...tá presa...&lt;br /&gt;Ninguém entendeu a cena. Uma fina camada de cristais formou-se ao redor da lâmina, prendendo-a na rocha nua. Ninguém conseguiu arrancá-la, nem mesmo Tonho, que mesmo com todo seu corpanzil, não conseguiu arrancá-la sequer um milímetro. O repentino problema pertubou o ânimo do grupo, que teve de ouvir uma sonora reprimenda de Bertoldo Sanfins.&lt;br /&gt;Com medo do patrão, Tonho resolveu usar sua própria peixeira, mas antes que pudesse usá-la, uma onça saltou bem no meio do bando, espalhando o terror.&lt;br /&gt;O surgimento inesperado do animal fez com que o enorme nordestino largasse sua arma e corresse na direção dos cavalos. Bertoldo quis disparar na fera, mas ficara sem munição após descarregar sua arma no Jaguarana. Foi salvo por Cristino, que disparou várias vezes no felino. A fera carnívora continuou atacando, como se não sentisse os disparos. Uma patada derrubou Zé Limeira, que teve de ser puxado por Tonho para cima de seu pangaré. Assim que todos conseguiram montar, Bertoldo ordenou que Cristino continuasse atirando para matar a onça. Só pensava em arrancar a cabeça de Leutério e levá-la como um troféu.&lt;br /&gt;O animal feroz continuou evitando as balas e com um salto impressionante alcançou os cavalos, que tomados de um terror incontrolável, acabaram dispararando em retirada, levando os cavaleiros a contragosto para o meio dos espinheiros.&lt;br /&gt;Assim que se viu sozinha, a onça voltou-se para o corpo inerte do rapaz. Os movimentos do enorme felino eram desconjuntados, como se a besta fosse uma marionete de pele e osso. Ela ergueu a cabeça, mostrando as órbitas vazias, e sua pele começou a ressequir, encarquilhando-se tão rapidamente, que em poucos segundos, o que antes parecia ser carne reduzira-se a pó. O vento quente soprou as cinzas, deixando à mostra a ossada deteriorada de uma onça morta, a mesma que estivera ali por meses e meses.&lt;br /&gt;—VIVOS MORREM E MORTOS REVIVEM.&lt;br /&gt;Uma delicada camada de cristais formou-se ao redor da faca, e continuou crescendo como se estivesse pulsando com vida própria. Do ponto de origem partiram várias trilhas de gemas brilhantes, confluindo na direção do cadáver do pobre homem. O espaço estreito entre o corpo e o chão de terra foi preenchido com um leito de pedras macias, em cima do qual repousava o defunto. A luz solar filtrada pelos minerais parecia envolvê-lo numa estranha aura luminosa, e acima daquela massa cristalina materializou-se lentamente uma diáfana silhueta. À medida que sua cor e textura realçavam-se, o ser de luz convertia-se numa bela mulher, de pele morena e longuíssimos cabelos negros. Ela acariciou o homem ensangüentado e ferido, pressionando suas têmporas com uma delicadeza maternal. Passou os esgios dedos nas chagas expostas, fazendo-as curar-se instantaneamente.&lt;br /&gt;— UM FILHO MEU NÃO MORRE ASSIM — sussurrou ela ao ouvido do homem. Os olhos dela brilhavam como jóias: mais pareciam duas opalas negras. Ela beijou-o nos lábios, e soprou.&lt;br /&gt;As pálpebras de Leutério Jaguarana abriram-se mais uma vez, e a vida voltou pulsando em seu coração, que pulsava com mais força do que nunca. Seus olhos negros reproduziam a mesma resplandecência sobrenatural das pupilas da mulher fantasmagórica.&lt;br /&gt;Eram as pupilas de sua mãe.&lt;br /&gt;Ela toma-o nos braços e verte lágrimas de sangue translúcidas. A luz que emana de seu olhar torna-se tão intensa que o tempo parece cristalizar-se. Asas cristalinas surgem em suas espáduas bronzeadas, fazendo-a levantar vôo, como um paradisíaco pássaro de diamante.&lt;br /&gt;Carregando seu filho nos braços, ela desce em um manancial de águas límpidas que brota bem atrás dos penhascos que cercam a mata espinhosa. Mergulha o corpo ferido no rio, lavando suas  últimas feridas ainda abertas.&lt;br /&gt;É hora de purificá-lo.&lt;br /&gt;Regenerando a carne que não é verdadeiramente carne.&lt;br /&gt;Purgando sua alma dos pecados de uma vida que não era sua.&lt;br /&gt;Ela cochicha algo em seu ouvido. Segredos são revelados. Mistérios ocultos por uma vida inteira vão sendo desvendados, um a um, enquanto um renascimento é planejado. Ela lhe fala de seus verdadeiros irmãos, e de como encontrá-los.&lt;br /&gt;Quando Leutério Jaguaerana viera a sentir-se completamente regenerado, de corpo, mente e alma, ele não irá mais ter preocupações com os Sanfins, vinganças ou obrigações familiares.&lt;br /&gt;Ele agora sabe quem é a sua verdadeira família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O ÚLTIMO DOS JAGUARANAS&lt;/span&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Retornar ao Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-402339897388866322?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/402339897388866322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=402339897388866322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/402339897388866322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/402339897388866322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/06/conto-rebelio-80-o-ltimo-dos-jaguaranas.html' title='Rebelião 80: O Último dos Jaguaranas'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/SGJ6S0OfZSI/AAAAAAAAATo/zUWARCzRU5E/s72-c/RAQ80_ultimo_jaguaranas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-4479446485691518095</id><published>2008-06-17T10:25:00.000-07:00</published><updated>2008-08-08T12:14:53.677-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lendas de Glenda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Kerubim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Karnah'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Papiro Semiázico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ganu&apos;el'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 79: Contrastes</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/SFf0Fi__JtI/AAAAAAAAATg/vViSanvupVU/s1600-h/RAQ79_constrastes.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/SFf0Fi__JtI/AAAAAAAAATg/vViSanvupVU/s400/RAQ79_constrastes.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212903469836347090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Glenda Marques sentia-se mais uma vez entregue à solidão, em seu pequeno quarto no último andar do velho prédio em Copacabana. O minúsculo quitinete estava repleto de livros e cadernos de anotações, alguns deles bem mais velhos que ela mesma. A moça de traços delicados morava ali há mais de um ano, graças ao convite de sua amiga e “professora” Zu, que deixou que a jovem Acólita residisse naquele minúsculo apartamento, antes usado só como uma espécie de depósito informal.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Muitos metros abaixo, a discoteca de reputação duvidosa iluminava a noite quente de verão com suas letras enormes de néon. Alheia ao burburinho da rua estreita, Glenda cansou de folhear a esmo o velho livro empoeirado de capa escura e pousou-o sobre a mesinha do telefone. Era um compêndio de poesias góticas intercaladas com xilogravuras copiadas — supostamente — de antigos manuais de caça às bruxas. Trazia o título nada original de &lt;i style=""&gt;Bruxas, Demônios e Outras Criaturas Malditas&lt;/i&gt;, e era assinado por um desconhecido poeta gótico escocês Fred McLafer. Era um dos preferidos da coleção de velharias de Zuleica Silveira, a “Tia” Zu dos Acólitos, cujo pequeno apartamentinho mais parecia um sebo que um lar. Mesmo sem interessar-se por aquela insólita literatura, Glenda passava tanto tempo entre aqueles livros que sempre acabava lendo um ou outro para se distrair.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Uma lufada repentina de vento vinda da janela provocou um verdadeiro turbilhão nas folhas do livro entreaberto, para espanto da moça, que correu para fechá-la. “Estranho”, pensou ela ao perceber que a janela estava fechada. “De onde veio esse tornado?”, pensou Glenda. Quando o vento finalmente cessou — de forma tão misteriosa quanto havia começado — a Acólita percebeu que o livro ficara aberto na página 176, que trazia a gravura de um horrendo demônio, com chifres curtos e espiralados, e enormes asas escuras de morcego. A legenda no rodapé trazia escrito “Ganuvelis, anjo caído, outrora formoso querubim, transformado em nefasta criatura infernal. Prometia enriquecimento rápido a seus seguidores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Glenda pensou em fechar o livro, mas acabou distraída pelas luzes do quarto, que passaram a piscar num ritmo frenético. Amaldiçoando a instalação elétrica da casa — não era a primeira vez que as lâmpadas na quitinete “pifavam” —, pensou em ligar para Zu, mas percebeu que todas as luzes da rua pareciam oscilar na mesma freqüência. O letreiro de cores berrantes da boate, os postes de iluminação na rua, até mesmo os faróis dos carros, tudo parecia tremeluzir num ritmo cada vez mais rápido. A Acólita começou a sentir-se ligeiramente tonta, e apoiou-se em sua cama para não cair no chão. Pressentindo algo fora do normal, agarrou-se ao objeto pontiagudo mais próximo como se fosse uma arma: um garfo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;As luzes piscaram cada vez mais rapidamente, até que tudo à sua volta parecia banhado em um brilho sobrenatural, como se estivesse aprisionada em um gigantesco caleidoscópio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Quando pensou que ficaria cega com tanta luminosidade, todo aquele brilho apagou-se tão inesperadamente quanto começara, cedendo lugar à mais espessa escuridão que já sentira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Em meio às trevas, ela ouviu uma gargalhada, seguida de um estalar de dedos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— &lt;i style=""&gt;Fiat lux&lt;/i&gt;! — uma voz masculina pronunciou a frase em latim, que Glenda — graças às aulas de catecismo na infância — compreendeu como sendo o “Faça-se a luz” bíblico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;As luzes voltaram ao seu estado normal, e Glenda viu-se apontando o garfo para um homem desconhecido, sentado calmanente à sua frente. Era baixo, de pele clara, e trajava um terno impecavelmente branco, combinando com todos os acessórios. Até mesmo os sapatos e as luvas eram de uma alvura absoluta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ela clamou por seus poderes manifestos, transformando o talher de alumínio numa mortífera adaga tridentada de luz celeste. Foi Zuleica a primeira a batizar Glenda com seu apelido de “Súbita”, pois ela sempre dizia que sua pupila Acólita “agia antes e pensava depois”. Com um movimento enérgico, ela apontou a arma na tentativa de acuar o estranho, mas bastou um simples sopro do homem, para sua adaga pulverizar-se numa miríade de pontos luminosos que esvoaçaram pelo quarto como um enxame de vagalumes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Meu bebê, acalme-se. Eu não pretendo fazer-te mal algum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Súbita&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt; sentiu-se tomada por um inexplicado torpor: tentou mexer-se, mas não conseguia sequer mover as pernas. Parecia presa num filme em câmera lenta. Até mesmo suas palavras saíam arrastadas e quase incompreensíveis. Sentiu como se o tempo estivesse sendo gradualmente desacelerado. Somente o indesejável visitante parecia mover-se com agilidade em meio aquela cena de imobilidade mórbida. Ele aproximou-se com um largo sorriso — seus dentes brilhavam como diamantes —, e seus longos cabelos encaracolados, cujo matiz negro reluzia com reflexos azulados, deixavam no ar um perfume inebriante e indefinível. A Acólita sentiu-se inexplicavelmente mais calma, e assistiu paralisada ao homem de roupas brancas caminhar pelo quarto com um ar de curiosidade. Ele deteve seus olhos por um momento na página aberta do livro. Ele pareceu entretido com a ilustração da criatura, e a pausa prolongada indicava que ele estava lendo o texto com atenção. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele soltou mais uma gargalhada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Sempre me surpreende a ignorância da prole de Adão. Eu passei milênios aprisionado no Sheol, como poderia circular por Adamah prometendo riquezas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A frase soou totalmente incompreensível para Glenda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele folheou mais algumas páginas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Além disso, eu jamais tive chifres ou asas membranosas! Estes tolos medíocres sequer eram capazes de distinguir um Anjo Caído de um Baalim! E mais, bem... vejamos isso...hmmm...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O homem gargalhou mais uma vez, de forma tão escandalosa que &lt;i style=""&gt;Súbita&lt;/i&gt; temeu por seus tímpanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Veja só o que disseram do bom e velho Karnah: “Os feiticeiros ansiavam pelos sortilégios de efeito afrodisíaco do demônio Carnas”. Ah, Karnah, um radiante Kerubim reduzido a um paliativo mágico para ermitões impotentes!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele interrompeu a gargalhada para voltar sua atenção para a mulher que o fitava quase paralisada. Os olhos dele brilharam como dois sóis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Não há tempo a perder — disse ele, e Glenda sentiu-se mais uma vez mergulhando na mais densa escuridão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 35.4pt;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;* * *&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A Acólita acordou em sua cama, com a sensação de que passara vários dias dormindo. Levantou-se com certa dificuldade, e procurou em vão pelo misterioso visitante da noite anterior. O brilho do sol entrava pela janela com tamanha intensidade que até mesmo as embalagens vazias de refrigerante pareciam reluzir como prismas multicoloridos. Ela sentiu algo pequeno esfregando-se em suas canelas, e viu dois pequenos hâmsteres de pêlo dourado correndo pelo quarto. Eles moviam-se em círculos, e ela abaixou-se para tentar pegá-los, mas em vão: eram rápidos demais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Foi quando sua memória começou a funcionar. Ela ganhara dois animaizinhos assim quando tinha uns oito anos de idade. Seus nomes ficaram sendo Zaca e Zoca, mas tinham morrido há muito tempo. Ela correu atrás daquele que parecia ser o Zoca — pelo menos tinha a mesma mancha branca no traseiro — e levou um belo tombo, após escorregar no assoalho liso. — Zoca! — gritou ela, sentindo-se um pouco infantil. Ela tentou levantar-se do chão, mas não conseguiu. O piso era escorregadio e mole, como se fosse gelatina. Não conseguiu endireitar o corpo. O roedor aproximou-se dela calmamente, e ergueu-se nas patas traseiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Eu sou o Zaca, não o Zoca. O Zoca tem as patas pretas, não a mancha branca — falou o hâmster, para surpresa de &lt;i style=""&gt;Súbita&lt;/i&gt;..&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Zaca? Você fala? Vocês não morreram?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Claro que falamos, Glenda — disse o outro ratinho, juntando-se ao companheiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Por quê? — perguntou a Acólita, confusa demais para aperceber-se do que se passava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Porque isto é um sonho, sua imbecil! — gritaram os animaizinhos, em coro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Glenda Marques foi erguida do chão como se fosse uma criança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Era o mesmo homem da noite passada, ajudando-a levantar-se do chão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Desculpe-me, menina, mas aqui, oculto em seus sonhos, eu estarei seguro. Não posso perder mais tempo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Os olhos dele reluziam com um brilho intenso, mas foi só quando ele abriu duas largas asas luminosas, que Glenda finalmente entendeu que estava na presença de um Anjo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Meu nome é Ganu’el, e por incontáveis eras fui um mensageiro celeste, como todos de minha estirpe, os Kerubim de Asas Brilhantes. Convocado a descer até Adamah para vigiar uma tribo de primatas estúpidos, cometi o erro de me afeiçoar àqueles animais incríveis. Os humanos jamais entenderão como seus dons são sublimes! Eu amei tanto aqueles seres primitivos que misturei-me a eles, mesclando minha aura sutil à carne sensual daquelas fêmeas lascivas. Cometi um pecado mortal — e não fui o único — e fui punido!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O semblante do Anjo alterou-se subitamente, numa metamorfose que mais parecia um processo de decomposição cadavérica. Suas feições tornaram-se distorcidas, enormes chagas abriram-se em seu corpo, os dentes deformaram-se em tamanho e aparência, marcas de pus e coágulo salpicavam sua pele alvacenta. Um dos braços reduziu-se a um toco, e pernas extra brotaram de seus flancos, como membros atrofiados. Os olhos mudaram de formato e tamanho, um deles migrando para o lado, enquanto que o outro inchava tomava parte do rosto. A aparência final era horrível: até mesmo seus trajes elegantes estavam reduzidos a trapos imundos. O contraste com a sua forma angelical não podia ser maior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— A beleza faz-se feiúra. A luz torna-se trevas. Do Céu ao Inferno: meu prêmio por amar demais foi vegetar na mais implacável de todas as prisões por milênios e milênios. Enquanto os humanos escreviam bobagens e inventavam asneiras sobre mim e meus irmãos, visando apenas caçar e perseguir seus pares menos afortunados, eu jazia na floresta putrefata de Erebus, ansiando por um improvável perdão do Todo-Poderoso. Até mesmo no Sheol, onde a esperança não deve entrar, eu clamava ao Criador por uma nesga de misericórdia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A voz do anjo assumia agora um tom lúgubre e trêmulo. Terminou seu discurso com um estridente berro em falsete, fazendo com que tudo ao seu redor tremesse. Glenda sentiu uma vontade incontrolável de chorar, e viu que o cenário parecia alterar-se mais uma vez. Tudo parecia fluido e mutável. Os dois roedores transformaram-se em dois pássaros de penas escuras e pernas compridas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Mas nem mesmo a Masmorra Eterna foi capaz de nos prender — disse o Anjo, recuperando o tom majestoso na voz. — Há cem anos atrás eu vim para a Terra, eu e alguns de meus irmãos. Dentre eles, o seu pai, Karnah.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Meu pai? Ele jamais me procurou... — protestou Glenda, pensando em sua mãe, que a criou sozinha com tanta dificuldade. — Por quê? Ele sequer falou comigo! — nesse momento ela não percebeu que deixara de temer o Anjo. Dirigiu-se a ele como se falasse com um homem comum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Não é do feitio de Karnah aparecer de forma direta. Ele é discreto, dissimulado, quase como um fantasma — o Anjo acariciou os cabelos de Glenda, transmitindo-lhe uma sensação de paz e tranqüilidade inesperada. — Ele pode ver-te, assim como a todos seus filhos, criança luminosa. Ele age nas sombras, interferindo discretamente em momentos fugazes para favorecer sua prole. Eu asseguro-lhe, menina, que Karnah jamais pensou em te abandonar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— O que você quer comigo? — &lt;i style=""&gt;Súbita&lt;/i&gt; resolveu esclarecer de uma vez por todas o que estava acontecendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Preste atenção — ao dizer isso, o Anjo mais uma vez transmutou-se, retornado ao seu disfarce terreno de antes. — Eu preciso que guardes algo muito importante para os Acólitos. Um perigo tão grande paira sobre nossas hostes que nem um Kerubim ousaria pronunciar certos nomes. Somente aqui, na proteção destas paisagens oníricas, guardadas no íntimo de tua essência imortal, é que devo executar a missão que me foi confiada por meus irmãos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Por quê eu? — mesmo entorpecida pela aura de placidez emanada pelo anjo, Glenda sentia-se perdida em meio a tantos mistérios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Tu és uma filha admirável, bebê. Teu grande potencial reside justamente naquilo que você considera tua maior fraqueza. Acalma teu coração, não devo demorar mais, presta atenção no meu presente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ele meteu a mão no largo bolso lateral do terno, retirando um rolo de papel escrito, de aparência muito antiga. As bordas eram puídas, e as letras pareciam parte de algum estranho alfabeto extinto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Este é o Papiro Semiázico. Seu conteúdo é tão terrífico quanto maravilhoso. Por séculos circulou pelas mãos de bruxos, clérigos e filósofos das mais diversas espécies e tendências. Mas em mãos humanas, felizmente, seu real significado jamais pôde ser decifrado. Localizei-o quando vivi incógnito entre os homens, e obtê-lo não foi algo fácil. Desde então venho mantendo-o comigo, oculto em penumbras interdimensionais, mas Karnah e Iraiah, meus irmãos, instaram-me a revelar parte de seu conteúdo a nossos filhos Acólitos. O PAPIRO NÃO DEVE JAMAIS RETORNAR AO PLANO FÍSICO. Foi por isso que decidi ocultá-lo aqui, na camuflagem onírica de uma mente Híbrida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Glenda parecia não entender nada do que o anjo falava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Se isso não pode mais ficar na Terra, como poderemos consultá-lo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— PROCURA TUA FAMÍLIA, ELA SABERÁ AGIR — respondeu o Anjo, abrindo suas asas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;— Mas eu não consigo entender... como poderemos... — seu balbucio foi interrompido por um gesto de Ganu’el, silenciando-a: — Tua ignorância por ora é uma bênção, criança. Os mistérios estão protegidos, mas tua inteligência irá revelá-los, de forma gradual e segura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O Anjo calou-se por um momento, e Glenda teve a nítida sensação de que ele estava com medo. A luz emitida pelas asas era tão radiante, que todo o cenário tornou-se uma espécie de tela branca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 35.4pt;" align="center"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;* * *&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;A Acólita acordou em sua cama, e desta vez, consciente de que estava no mundo real, de volta. Nada de chão de gelatina, ratinhos falantes, ou anjos multiformes. Mas ela sabia que tudo fora verdade, e que precisava agir imediatamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“Zu. Ela vai saber o que fazer!”, pensou consigo mesma, e tentou telefonar para sua amiga. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Nada. Ninguém atendia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Decidiu ir até ela. Quando se deu por si estava correndo pela rua, em plena madrugada, desesperada em chegar na casa de Zu, distante algumas quadras dali. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Tão absorta estava em suas preocupações que não olhou para os lados antes atravessar a avenida. Sentiu um braço forte puxando-a para trás, ao mesmo tempo em que um carro passava em alta velocidade, quase raspando em seu corpo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Caiu no chão, meio desequilibrada, tomada pelo susto momentâneo, e viu um homem velho magricela, com barbas compridas e pele escura. Era um morador de rua, aparentemente embriagado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;— Cuidado com o carro, moça! — disse o homem caolho, mostrando um sorriso banguela. Segurava uma garrafa de pinga na mão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Glenda endireitou o corpo, desta vez olhou para os lados, e recomeçou sua corrida desenfreada. Sequer pensou em agradecer ao velho por ter lhe salvo a vida. Continuou em seu ritmo acelerado, e desapareceu no quarteirão seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;O velhote ajeitou o corpo esquálido, e ninguém estava por perto para ver que seu olho cego estava brilhando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;“CUIDADO, MINHA QUERIDA FILHA. NEM SEMPRE EU ESTAREI POR PERTO PARA SALVÁ-LA”, após este pensamento, ele aproximou a garrafa do rosto. Dentro dela, silhuetas vagamente humanas pareciam nadar num líquido translúcido. Ele sacudiu o objeto como se fosse uma espécie de troféu, e pareceu por um breve momento conversar algo com os minúsculos prisioneiros daquele insólito receptáculo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Após isso, calou-se, e simplesmente desapareceu. Felizmente ninguém estava por perto para surpreender-se com isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Ganu’el tinha razão. O Anjo Karnah realmente era muito discreto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  Continua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;CONTRASTES&lt;/span&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Arte:&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt; &lt;a href="http://br.geocities.com/pauladunguel/"&gt;Paula Dunguel&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Contos Relacionados:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Lendas de Glenda II: &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/08/rebelio-81-janela-indiscreta.html"&gt;Janela Indiscreta&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/"&gt;Retorne ao Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-4479446485691518095?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/4479446485691518095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=4479446485691518095' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/4479446485691518095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/4479446485691518095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/06/rebelio-79-contrastes.html' title='Rebelião 79: Contrastes'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/SFf0Fi__JtI/AAAAAAAAATg/vViSanvupVU/s72-c/RAQ79_constrastes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-5850217614958746157</id><published>2008-03-31T07:06:00.002-07:00</published><updated>2008-05-02T08:00:44.126-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Índice dos Contos Maytréia'/><title type='text'>Índice dos Contos Maytréia</title><content type='html'>40 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-40-perda-e-ganho.html"&gt;Perda e Ganho&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;39 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-39-sonho-realizado.html"&gt;Sonho Realizado&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;38 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-38-amazonas.html"&gt;Amazonas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;37 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-37-degredo.html"&gt;Degredo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;36 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-36-ordem-e-progresso.html"&gt;Ordem e Progresso&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;35 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-35-o-edda-apcrifo.html"&gt;O Edda Apócrifo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;34 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-34-guerra-religiosa.html"&gt;GuerraReligiosa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;33 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-33-escravizando.html"&gt;Escravizando&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;32 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-32-castelos-de-areia.html"&gt;Castelos de Areia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;31 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-31-o-terceiro-presente.html"&gt;O Terceiro Presente&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;30 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-30-sonhos-que-morrem.html"&gt;Sonhos que Morrem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;29 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-29-uma-nova-viso.html"&gt;Uma Nova Visão&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;28 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-28-um-prado-triangular.html"&gt;Um Prado Triangular&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;27 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-27-o-segundo-presente-baseado.html"&gt;O Segundo Presente&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;26 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-26-triste-natividade.html"&gt;Triste Natividade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;25 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-25-o-rito-dionsico.html"&gt;O Rito Dionísico&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;24 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-24-o-presente.html"&gt;O Presente&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;23 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-23-videira-e-os-ramos.html"&gt;A Videira e os Ramos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;22 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-22-o-sofista.html"&gt;O Sofista&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;21 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-21-os-cinco-minutos.html"&gt;Os Cinco Minutos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;20 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-20-xeque-mate.html"&gt;Cheque-Mate&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;19 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/maytria-19-quem-voc.html"&gt;Quem é Você?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;18 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-18-ajuda.html"&gt;Ajuda&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;17 -&lt;br /&gt;16 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-16-soldados-de-deus.html"&gt;Soldados de Deus&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;15 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-15-domin.html"&gt;Dominó&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;14 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-14-nada-pessoal.html"&gt;Nada Pessoal&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;13 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-13-espantalho.html"&gt;Espantalho&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;12 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-12-duelo-invisvel.html"&gt;Duelo Invisível&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;11 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-11-mergulhando-no-abismo.html"&gt;Mergulhando no Abismo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;10 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-10-caador-de-mim-parte-1.html"&gt;Caçador de Mim&lt;/a&gt; (parte 1)&lt;br /&gt;9  &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-9-sinistro-despertar.html"&gt;Sinistro Despertar&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;8  &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-8-caminhos-pelas-vias-estreitas.html"&gt;Caminho pelas Vias Estreitas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;7  &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-7-vida-perdida.html"&gt;Vida Perdida&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;6  &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-6-tempestade-astral.html"&gt;Tempestade Astral&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5  &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-5-conseqncias-infantis.html"&gt;Conseqüências Infantis&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;4  &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-4-o-fim-do-universo-para.html"&gt;O Fim do Universo para Charles Simões&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3  &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/maytria-3-conquistando-isaura.html"&gt;Conquistando Isaura&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2  &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/11/conto-maytria-2-reconhecendo-os-seus.html"&gt;Reconhecendo os Seus&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;1  &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/11/conto-maytria-1-tempo-passado-tempo.html"&gt;Tempo Passado, Tempo Futuro&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-5850217614958746157?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/5850217614958746157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=5850217614958746157' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/5850217614958746157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/5850217614958746157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/03/ndice-dos-contos-maytria.html' title='Índice dos Contos Maytréia'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-1499644036412321670</id><published>2008-03-31T07:06:00.001-07:00</published><updated>2009-09-22T17:41:31.083-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Índice dos Contos Rebelião'/><title type='text'>Índice dos Contos Rebelião</title><content type='html'>94 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/09/rebeliao-94-amigos-de-longa-data.html"&gt;Amigos de Longa Data&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;93 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/09/rebeliao-93-veneravel-trilha-da-solidao.html"&gt;A Venerável Trilha da Solidão&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;92 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/09/rebeliao-92-invocacao-parte-1-de-2.html"&gt;Invocação&lt;/a&gt; (parte 1 de 2)&lt;br /&gt;91 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/08/rebeliao-91-negro-gato.html"&gt;Negro Gato&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;90 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/08/rebeliao-90-rebeka.html"&gt;Rebeka&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;89 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/08/rebeliao-89-quarta-tentacao.html"&gt;A Quarta Tentação&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;88 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/07/rebeliao-88-o-heptaculo-de-haniel.html"&gt;O Heptáculo de Haniel&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;87 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/06/rebeliao-87-paixao-do-deus-alce.html"&gt;A Paixão do Deus-Alce&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;86 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/06/rebeliao-86-o-despertar-do-rei.html"&gt;O Despertar do Rei&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;85 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/06/rebeliao-85-fidelidade-canina.html"&gt;Fidelidade Canina&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;84 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2009/01/conto-rebelio-84-znite.html"&gt;Zênite&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;83 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/08/conto-rebelio-83-o-convento-de-santa.html"&gt;O Convento de Santa Felicidade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/SBssuIEamXI/AAAAAAAAAQ4/I8LYDGIz6T8/s1600-h/indRAQ-1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/SBssuIEamXI/AAAAAAAAAQ4/I8LYDGIz6T8/s400/indRAQ-1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195795766053607794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;82 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/08/rebelio-82-as-amigas-de-tony.html"&gt;As Amigas de Tony&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;81 Lendas de Glenda II: &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/08/rebelio-81-janela-indiscreta.html"&gt;Janela Indiscreta&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;80 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/06/conto-rebelio-80-o-ltimo-dos-jaguaranas.html"&gt;O Último dos Jaguaranas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;79 Lendas de Glenda I: &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/06/rebelio-79-contrastes.html"&gt;Contrastes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;78 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-78-licor-rubro.html"&gt;Licor Rubro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;77 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-77-ouro-dos-tolos.html"&gt;Ouro dos Tolos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;76 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-76-resplandecente-serenidade.html"&gt;Resplandecente Serenidade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;75 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-75-caridade.html"&gt;Caridade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;74 Perene Divergência&lt;br /&gt;73 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-73-tabula-lupercalis.html"&gt;Tabula Lupercalis&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;72 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-72-paraso-perdido.html"&gt;Paraíso Perdido&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;71 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-71-filho-do-trovo.html"&gt;Filho do Trovão&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;70 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-70-um-milho-de-mortes.html"&gt;Um Milhão de Mortes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;69 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-69-guerra-fria.html"&gt;Guerra Fria&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;68 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-68-tique-taque.html"&gt;Tique-Taque&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;67 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-67-exrcito-de-um-homem-s.html"&gt;Exército de um Homem Só&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;66 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-66-romano-venervel.html"&gt;Romano, Venerável&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;65 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-65-caando-avatares.html"&gt;Caçando Avatares&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;64 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-64-distopia.html"&gt;Distopia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;63 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-63-renegados.html"&gt;Renegados&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;62 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-62-o-quarto-reich.html"&gt;O Quarto Reich&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;61 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-61-carlos-miguel-bastardo.html"&gt;Carlos Miguel, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bastardo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;60 Cartas Paulinas III &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-60-tanatolgicas.html"&gt;Tanatológicas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;59 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-59-marcelo-figueira-paladino.html"&gt;Marcelo Figueira, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Paladino&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;58 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-57-desequilbrio.html"&gt;Desequilíbrio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;57 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-57-vtima.html"&gt;A Vítima&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;56 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-56-at-que-morte-os-separe.html"&gt;Até que a Morte os Separe&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;55 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-55-deuses-da-guerra.html"&gt;Deuses da Guerra&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;54 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-54-ver-para-crer.html"&gt;Ver para Crer&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;53 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-53-estrela-de-natal.html"&gt;Estrela de Natal&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;52 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-52-bruna-souza-melo-primal.html"&gt;Bruna Souza Melo, Primal&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;51 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-51-vivos-e-mortos.html"&gt;Vivos e Mortos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;50 Cartas Paulinas II &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-50-tartreas.html"&gt;Tartáreas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;49 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-49-brandura-do-corao-selvagem.html"&gt;A Brandura do Coração Selvagem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;48 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-48-alessandro-sanches.html"&gt;Alessandro Sanches&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;47 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-47-irmo-de-golgotha.html"&gt;Irmãos de Golgotha&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;46 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-46-no-corao-das-trevas.html"&gt;No Coração das Trevas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;45 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-45-palavras-na-areia.html"&gt;Palavras na Areia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;44 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-44-rogerio-greco-o-gato.html"&gt;Rogério Greco, o Gato&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;43 Cartas Paulinas I &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-43-gargantuanas.html"&gt;Gargantuanas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;42 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-42-as-relaes-perigosas.html"&gt;As Relações Perigosas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;41 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-41-luxria.html"&gt;Luxúria&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;40 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-40-consulta.html"&gt;Consulta&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;39 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-39-o-despertar-parte-2-de-2.html"&gt;O Despertar&lt;/a&gt; (parte 2 de 2)&lt;br /&gt;38 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-38-o-despertar-parte-1-de-2.html"&gt;O Despertar&lt;/a&gt; (parte 1 de 2)&lt;br /&gt;37 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-37-o-bando-o-baixinho-e-o.html"&gt;O Bando, o Baixinho e o Barbado&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;36 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-36-deus-ex-machina-parte-3-de-3.html"&gt;Deus ex Machina&lt;/a&gt; (parte 3 de 3)&lt;br /&gt;35 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-35-ltima-elegia.html"&gt;A Última Elegia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;34 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-34-lgrimas-de-constantina.html"&gt;Lágrimas de Constantina&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;33 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-33-deus-ex-machina-parte-2-de-3.html"&gt;Deus ex Machina&lt;/a&gt; (parte 2 de 3)&lt;br /&gt;32 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2008/01/rebelio-32-areias-escaldantes.html"&gt;Areias Escaldantes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;31 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-31-highway-to-hell.html"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Highway to Hell&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;30 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-30-voltando-da-morte.html"&gt;Voltando da Morte&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;29 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-29-cada-um-luta-como-pode.html"&gt;Cada um Luta como Pode&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;28 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-28-contando-anjos.html"&gt;Contando Anjos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;27 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-27-aprendizado.html"&gt;Aprendizado&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;26 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-26-males-previstos-e.html"&gt;Males Previstos e Imprevistos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;25 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-25-ces-de-caa.html"&gt;Cães de Caça&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;24 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-24-animais.html"&gt;Animais&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;23 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-23-um-conto-de-desespero.html"&gt;Um Conto de Desespero&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;22 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-22-antpodas.html"&gt;Antípodas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;21 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-21-temperana.html"&gt;Temperança&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;20 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-20-ira.html"&gt;Ira&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;19 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-19-deus-ex-machina-parte-1-de-3.html"&gt;Deus ex Machina&lt;/a&gt; (parte 1 de 3)&lt;br /&gt;18 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-18-o-alfarrabista.html"&gt;O Alfarrabista&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;17 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-17-todos-merecem-uma-segunda.html"&gt;Todos merecem uma Segunda Chance&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;16 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-16-bate-papo-de-boteco.html"&gt;Bate-papo de Boteco&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;15 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-15-vaidade.html"&gt;Vaidade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;14 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-14-o-pai-de-minha-filha.html"&gt;O Pai de minha Filha&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;13 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-13-morangos.html"&gt;Morangos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;12 &lt;a href="http://contosug.blogspot.com/2007/12/rebelio-12-reencontro.html"&gt;Reencontro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;11 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2008/01/conto-rebelio-11-as-trs-marias.html"&gt;As Três Marias&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;10 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2008/01/rebelio-10-quatro-mocinhas-indefesas.html"&gt;Quatro Mocinhas Indefesas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;9 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2008/01/rebelio-9-o-pai-e-o-filho.html"&gt;O Pai e o Filho&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;8 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2008/01/rebelio-8-evidncias.html"&gt;Evidências&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;7 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2007/12/rebelio-7-conversa-entre-cavaleiros.html"&gt;Conversa entre Cavaleiros&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;6 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2007/12/rebelio-6-cobia.html"&gt;Cobiça&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2007/12/rebelio-5-inveja.html"&gt;Inveja&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;4 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2007/12/rebelio-4-preguia.html"&gt;Preguiça&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2007/12/conto-rebelio-3-gula.html"&gt;Gula&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2007/11/conto-rebelio-2-duelo-de-geraes.html"&gt;Duelo de Gerações&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;1 &lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2007/11/conto-rebelio-1-mestres-e-aprendizes.html"&gt;Mestres e Aprendizes&lt;/a&gt;&lt;a href="http://universogerminante.blogspot.com/2007/11/conto-rebelio-1-mestres-e-aprendizes.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-1499644036412321670?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/1499644036412321670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=1499644036412321670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/1499644036412321670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/1499644036412321670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/03/ndice-dos-contos-rebelio.html' title='Índice dos Contos Rebelião'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/SBssuIEamXI/AAAAAAAAAQ4/I8LYDGIz6T8/s72-c/indRAQ-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-6778005959484736533</id><published>2008-02-26T05:36:00.000-08:00</published><updated>2008-02-26T05:38:41.757-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Triunfantes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Damnati'/><title type='text'>Rebelião 78: Licor Rubro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Pela janela da sala de jantar eu vejo a cerrada floresta de mangueiras e jaqueiras que cerca o meu sítio. No alto do céu, uma lua minguante pálida desliza através uma cortina de nuvens leitosas. A escuridão da mata contrasta com o brilho de um sem número de pontinhos luminosos, que se observados com mais atenção, revelam ser olhos. Eles piscam num ritmo frenético, como vaga-lumes diabólicos, salpicando com uma débil claridade escarlate as sombras das árvores centenárias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Eu sei de quem são esses olhos. Sei quem eles são. Na verdade, estou aqui à sua espera. Sinto-os movendo-se por entre as moitas e arbustos com um suave ruído, e à medida que a sinistra matilha passa até mesmo os grilos se calam, envolvendo os arredores de minha casa com uma aura de silêncio sepulcral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Eu vivo neste mundo por exatos 363 anos, e por muitas vezes — quinze, para ser mais exato — combati criaturas como essas. Venci sempre. Sim, eu sempre triunfei, mas reconheço que não foram vitórias fáceis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Estes demônios cujos olhos lembram-me a cor do licor que trago silenciosamente neste momento. Sei que dentro de alguns instantes estarei sentindo o hálito gélido daqueles animais impregnando a atmosfera de meu lar, e meus tapetes caros serão emporcalhados por suas patas imundas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Eles foram mandados em meu encalço por alguém que reputo como covarde, torpe, imundo e reles. Não gosto de economizar adjetivos para exercitar minhas idéias. Alguém tão torpe que não foi capaz de vir pessoalmente para me enfrentar. Alguém que eu mesmo deveria ter aniquilado quando tive a oportunidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Mas não o fiz, infelizmente. Uma falha imperdoável para alguém como eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;A minha vida é longa, mas jamais poderia chamá-la de monótona. Aproveitei cada momento, saboreei cada aspecto de minha conflitante existência. Viajei por tantos lugares, sempre em busca da doce excitação da guerra e do confronto. Engalfinhei-me com beduínos nos contrafortes do Sinai; massacrei mercenários britânicos na Índia; derrotei tanto bolchevistas como nazi-fascistas nas estepes geladas da Rússia, e um impus humilhantes reveses a fuzileiros americanos na Guerra da Coréia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;O fio de minha espada desafiou os mais ousados tipos de demônios, feiticeiros, lacaios e adoradores do Mal. Minha coleção de troféus é invejável até mesmo para aqueles que comungam de minha sina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Minha bebida está chegando ao fim, e antes do derradeiro gole, sinto vontade de retornar à adega para buscar um vinho ou talvez um conhaque. Não, quem sabe, um uísque? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Tamanha indecisão não é importante agora, pois meus inimigos já cruzaram o pórtico que delimita a entrada de minha varanda. Rastejando na grama úmida, eles não sabem que eu percebi sua chegada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Sorovo a última gota do licor, e minhas papilas regalam-se um pouco mais com o forte aroma de cereja que estala em minha língua. Neste três séculos jamais me neguei a aproveitar os fugazes prazeres humanos. Tampouco fugi às tentações da carne, que fazem do ser humano aquilo que ele é. Explorei todos os sentimentos que forjaram minha essência mortal, e deles extraí o mais fino dos extratos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Meu último pensamento relacionado a vinhos e licores se desfaz quando percebo que o primeiro da corja monstruosa forçou sua entrada pela janela de vidro lateral, partindo-a em pedaços e barrando minha passagem até a escada que conduziria à adega. Atrás dele, vejo outra besta surgir, então outra, e mais outra. Paro de contar quando sinto caninos pontiagudos tentarem cravar-se minha coxa. A tentativa não dá certo, graças em parte à minha renovada agilidade, e em parte a um simples golpe de sorte. O ataque conjunto dos primeiros integrantes da alcatéia obriga-me a arriscar uma pirueta que me faz saltar sobre a poltrona de couro e alcançar a pistola automática pousada em minha escrivaninha. A mesma pistola já me salvou a vida por tantas vezes. Numa das paredes, vejo duas katanas presas em seus suportes. Foi-se o tempo em que eu preferia o elegante bailado das adagas e espadas. Na era da tecnologia, eu seria um tolo se abrisse mão do maior poder de fogo em troca da adrenalina do risco maior. É verdade que foi com uma simples adaga que desafiei um grupo de soldados de Napoleão na Holanda, há muito tempo atrás, mas o fedor gelado que incomoda minha narinas agora avisa-me que os animais estão prestes a encurralar-me. Os cabelos de minha nuca arrepiam-se, e eu sinto minha alma transbordar de prazer quando pressiono o gatilho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;À primeira saraivada de balas, segue-se outra. Após explodir a cabeça de um dos monstros, movo-me com rapidez e encho o outro com tantos buracos que não resta mais que uma carcaça em retalhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Desgraçadamente, não consigo impedir que uma mordida voraz arranque parte de panturrilha. Forçado a ajoelhar, caio no tapete.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;O sangue escorre, abundante, enquanto tento em vão cicatrizar as feridas de maneira provisória. Poças vermelhas espalham-se pelo chão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Vermelho-sangue. Vermelho-rubi. Vermelho-cereja. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;A cor parece perturbar meus sentidos e turvar minha visão. Um Triunfante faz de sua vida uma batalha permanente. Infinita enquanto durar. Jamais entramos numa luta para perder. Jamais. Quaisquer que sejam os inimigos, quaisquer seja o terreno ou as condições. Jamais aceitamos a derrota como resultado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Pode ser que meu fim esteja próximo. É a maldição do guerreiro, a Morte sempre nos espreita. Mas eu creio que mais uma vez ela estará por perto, mas não me tocará. Corro para o corredor estreito numa tentativa de levar os cães infernais para onde não tenho espaço para atacarem juntos. Rezo por um milagre, enquanto disparo mais uma salva de tiros, abrindo caminho pela massa de sangue e carne. A munição termina, e retiro as duas espadas da parede. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Enquanto o milagre não acontece, eu devo ajudar-me com o que tenho às mãos. Viver é sempre vencer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;A lâmina baila, decepando uma garra peluda. A outra garra dilacera meu ventre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Viver é sempre vencer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Procuro pela outra pistola, em vão. Dois animais atacam ao mesmo tempo esmagando-me contra a parede. Sinto o sangue escorrer de meu nariz quebrado. Grossas e vermelhas gotas mancham o vitral que decora meu armário de bebidas. Ignoro a dor de uma costela provavelmente quebrada e salto, pendurando-me no lustre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Viver é sempre vencer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;O lustre previsivelmente não agüenta meu peso, e eu caio sobre uma segunda leva de demônios. Irracionais demais para combinarem uma estratégia de luta, eles facilitam minha fuga. Meus ferimentos já são severos demais, e não consigo ir muito longe. Eles percebem isso. Eles farejam meu medo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Em meio aos destroços de meu quarto, as bestas abissais cercam-me mais uma vez. Sua fúria não está voltada só contra a minha pessoa, mas contra a minha casa. Com seus robustos músculos, eles despedaçam meus armários, e seu sopro glacial estilhaça o vidro das estantes. Pilhas de livros são reviradas e moídas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Meu corpo está debilitado demais, e não tenho tempo suficiente para reparar meus ferimentos. Não sinto mais minha perna, e a costela quebrada arranha minhas entranhas. A Morte está prestes a tocar-me. Rezo mais uma vez por um milagre, que já parece tão improvável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Um dos monstros rosna e me acerta uma patada na cabeça. Mais uma vez sinto-me invadido pelo brilho vermelho do sangue. Outro deles mastiga um globo metálico do tamanho de um punho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Pela primeira vez, eu sinto vontade de rir. O milagre esperado chegou, da forma mais inusitada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Aquele globo é uma granada. De meu arsenal particular. Uma granada cujo pino de segurança acaba de ser arrancado pelos dentes afiados do lobo diabólico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Eu junto todas as minhas forças para buscar abrigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Viver é sempre vencer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;A explosão dilacerar alguns de meus inimigos, deixando-me momentaneamente livre. Ainda corro perigo, mas ganhei alguns segundos preciosos. A taça ainda não está inteiramente vazia. Restam-me algumas gotas do rubro licor chamado vida. Eu ainda anseio em sentir o seu sabor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Morrer é ser derrotado. Algo que jamais fui. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Restam-me algumas gotas. É o que me basta para mais uma vez buscar a vitória.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Viver é sempre vencer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;LICOR RUBRO &lt;/span&gt;foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: left;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;a href="http://www.universogerminante.net"&gt; Volte ao Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-6778005959484736533?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/6778005959484736533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=6778005959484736533' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/6778005959484736533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/6778005959484736533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-78-licor-rubro.html' title='Rebelião 78: Licor Rubro'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-551484487037445492</id><published>2008-02-23T05:32:00.000-08:00</published><updated>2008-02-23T05:54:04.253-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cruz Resplandecente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 77: Ouro dos Tolos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/R8AlU2pm3JI/AAAAAAAAAMw/I4k-oEguQWI/s1600-h/RAQ77_ouro_tolos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/R8AlU2pm3JI/AAAAAAAAAMw/I4k-oEguQWI/s400/RAQ77_ouro_tolos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170173412418968722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Estéban de Tartessos fora o nome que escolhera quando era bem mais jovem e decidira se unir aos Cavaleiros da Cruz Resplandecente. Seu nome real de batismo não era mais importante, e ele nem gostava usá-lo. Por incontáveis vezes, fora com seu pseudônimo iniciático que ele enfrentara dúzias de inimigos, combatendo (e vencendo) as hordas infernais. Agora não era diferente, pois o homem de cabelos negros e barba crespa, nascido e criado nas praias do sul da Espanha, escalava com certa dificuldade a parede de concreto que ligava dois altos prédios. A madrugada invernal trazia um vento frio e uivante, e Estéban sentia cristais de gelo acumulando-se suas pálpebras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Nem mesmo tamanho frio e desconforto foram capazes de impedir sua escalada rumo ao topo do paredão de cimento. Com um ágil movimento, rodopiou e venceu o vão de quase três metros entre os dois pisos estreitos de mármore. O parapeito largo circundava uma janela enorme cuja enorme vidraça &lt;i style=""&gt;fumé&lt;/i&gt; impedia-no de ver o que acontecia lá dentro. Mesmo sem conseguir enxergar, o cavaleiro sabia muito bem o que estava ocorrendo: uma reunião entre homens muito ricos e poderosos. Homens que aliavam seu grande poder terreno a poderes mais transcendentes, oriundos das esferas celestes e infernais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Eles eram conhecidos em círculos secretos como Nefilim, seres nascidos do amor proibido entre anjos e humanos. Estéban havia aprendido muito sobre essa espécie maldita com seu grande mestre Gerald de Carthago em um refúgio monástico nos Alpes Suíços, e era a primeira vez que surgia a tão sonhada oportunidade de pôr seus conhecimentos em prática. As relações entre os Cavaleiros da Cruz Resplandecentes e a Ordem Sagrada de São Jorge, apesar de seus objetivos supostamente afins, não eram das melhores, e as diferenças muitas vez contavam mais do que as semelhanças. Os Jórgios de Madri, Barcelona e Sevilha possuíam informações valiosas sobre a presença dos Nefilim nos círculos da alta sociedade de muitas das maiores cidades da Península Ibérica, com tentáculos que incluíam corporações industriais, comércio exterior, e até certas atividades lucrativas nos porões das máfias portuárias. O bom e sensato Gerald, que conseguira através de uma tortuosa negociação obter muitas dessas informações com os próprios guerreiros de São Jorge, não dera muito crédito a boa parte dos relatórios reproduzidos de cópias em CD. Descartara algumas das supostas ligações como exageros ou mistificações. O notório desprezo dos Resplandecentes pelos altos escalões da Ordem de São Jorge poluíra a análise de Gerald com preconceitos — era a conclusão a que chegara Estéban, quando pôde cruzar as informações com mais precisão. O contrabando de ouro através do estreito de Gibraltar, até então uma espécie de feudo de mafiosos galegos, sicilianos e marselheses, havia ganho um novo “rei” nos últimos meses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Sua real identidade ainda não era conhecida, mas todos diziam tratar-se de um dissimulado empresário mexicano, recém-instalado num condomínio de luxo em Barcelona. De forma incrivelmente eficiente, a gangue liderada por este homem, que alguns chamavam de Quadrilha X, eliminar todos os concorrentes com métodos dos mais variados, alternando assassinatos, subornos, envenenamentos, e até uma certa dose de sorte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Muitas coincidências aconteceram nos últimos meses: um chefão siciliano fora facilmente capturado após um súbito ataque de loucura; uma gangue que aterrorizava Sevilha acabou após uma guerra interna autofágica; dois grandes empresários que atuavam também nos circuitos ilegais mudaram de endereço, exilando-se na América e até na China; o primeiro escalão inteiro de uma gangue de falsificadores entregaram-se espontaneamente à Polícia, supostamente regenerados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;O próprio Estéban dedicara-se com afinco às investigações, e sabia tanto sobre os bastidores do submundo que não era capaz de dar-se ao luxo de acreditar em coincidências. Se os Nefilim estavam agindo por aqui, com certeza estariam usando de seus poderes sobrenaturais para influenciar — ainda que discretamente — o curso dos acontecimentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;O Resplandecente olhou para baixo por um breve momento, detendo a respiração. Estava a mais de quarenta metros de altura, e qualquer deslize seria fatal. Alisou o estranho relógio que carregava no pulso, composto por estranhas pedras de cor violeta. Seus pulmões pareciam queimar com o esforço físico, mas isso não o impediu de caminhar pela plataforma de mármore até contornar o primeiro bloco de janelas. Utilizando-se com maestria de uma fileira de calhas para subir mais um andar, posicionando-se bem embaixo da grande marquise que protegia o último andar da torre do edifício comercial conhecido como &lt;i style=""&gt;Antares Center&lt;/i&gt;. Puxou a pulseira do relógio, o que desencadeou uma explosão de luz violeta em seu pulso. Aparentemente sem sentir nada, ele ergueu o braço o mais que pôde, mentalizando uma prece e concentrando-se em sua missão. O que antes era uma simples jóia transmutou-se rapidamente numa manopla munida de enormes espigões pontiagudos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Sentiu o poder do cristal fluir por seu corpo, e calcou com força a janela de vidro negro. As energias místicas da gema violeta vasculharam as salas ocultas em busca de elementos sobrenaturais, transmitindo suas impressões para o próprio Estéban, conectado espiritualmente à sua arma resplandecente. Não havia dúvida que forças arcanas atuavam lá dentro. Pelo menos três entidades circulavam pelo andar às escuras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Um calafrio percorreu a espinha do guerreiro quando percebeu intuitivamente que sua mente estava sendo monitorada. Uma presença incômoda vasculhava seus pensamentos em busca de respostas, e ele usou o poder da pedra violeta para dispersar o ataque psíquico. Sua presença havia sido detectada, e ele viu-se num caminho sem volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Era chegada a hora do combate.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;A aura sinistra de seus inimigos podia ser sentida com facilidade, e ele já sabia que eram três e que todos estavam no último andar. O quer que estivessem fazendo, não era uma reunião de negócios, tão pouco uma atividade empresarial corriqueiro. Lançando o corpo para trás, ele deixou-se cair para o pavimento imediatamente abaixo, aterrizar no parapeito com um baque surdo. Tentou abrir a janela, mas sentindo-a travada, viu-se força a usar a manopla para espatifar o vidro e forçar a entrada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Um salão escuro parecia estender-se por quase todo o andar, e Estéban preferiu correr o risco de atravessá-lo do que ficar numa posição descoberta junto à janela. A luz mística que emanava de sua arma aumentou sua sensibilidade, fazendo com que seus olhos guiassem sua corrida na mais completa escuridão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Podia sentir que um dos inimigos estava mais próximo, descendo pelo que parecia ser uma escada. Antes que Estéban pudesse planejar sua ação, sentiu-se golpeado por uma força invisível com tanta violência que foi arremessado por cima de uma escrivaninha. O Cavaleiro recompôs-se o mais rápido que pôde, e finalmente identificou o primeiro de seus inimigos, uma elegante mulher de cabelos loiros quase brancos. Seus olhos brilhavam e seu corpo parecia estar envolvido com uma espécie de névoa imaterial. Para a visão treinada do Resplandecente, a névoa parecia salpicar a sala escura com o brilho de miríades de estrelas. Ele sabia que as estranhas asas &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;formadas por esta névoa — que não eram físicas — eram um sinal que comprovava a identificação daquela mulher como um Nefilim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Um novo ataque telecinético arremessou uma nuvem de objetos na direção de Estéban. Canetas, cacos de vidro, copos, pedaços de borracha e madeira, tudo parecia engolfado num turbilhão de vento que fustigava o portador da manopla. Mais alerta desta vez, o Cavaleiro conseguiu anular parte do impacto dos objetos, e com um novo influxo de energia de sua arma, reverter o ataque, mandando a saraivada de lixo na direção da moça. Surpreendida pelo contra-ataque, ela não conseguiu evitar ser atingida por um copo na testa, e caiu gritando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;O brilho da manopla aumentou, iluminando o recinto com um matiz violáceo. Mais alguém estava presente, mas não estava invisível aos olhos humanos. A luz resplandecente que emanava em espirais revelou a silhueta de um homem grande voando como um bólido. Estéban saiu do alcance de seu adversário e golpeou seu espectro com sua manopla. Um indivíduo muito alto e forte, com feições orientais, caiu no piso metálico de forma desajeitada. Vestia um impecável terno de cor mogno, e estava muito irritado. Usando as sombras como refúgio, ele mais uma vez tentou atacar, desmaterializando-se e movendo-se como espectro protegido pelas trevas. A manobra mais uma vez não surtiu efeito, pois a divina luz da Gema Violeta de Amit sempre protegia o Cavaleiro Estéban de Tartessos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Agora que os dois primeiros Nefilim haviam sido derrubados, restava o terceiro, o qual ainda não havia se revelado. Sinais muito fracos vinham do andar de baixo, e o Resplandecente pôs-se em estado de alerta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Uma silhueta masculina materializou-se lentamente bem à sua frente. Era alto, vestia um elegante terno listrado, e as raízes escuras mostravam que seu cabelo louro-escuro era artificial. A sua voz era um tanto quanto fina e ríspida, pronunciava as palavras com um sotaque que o Cavaleiro reconheceu como sendo do México. A forma como pronunciava os cês e zês indicava ser alguém nascido na América Latina. Um pequeno cavanhaque decorava o queixo, e seus olhos enormes emitiam uma espécie de halo ameaçador. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— Não gostamos de intrusos aqui, soldado raso. Volte para o quartel de onde veio... — disse em tom insolente, o estrangeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Estéban cerrou os punhos, apontando a manopla em tom de ameaça: — Depois do que vi aqui, não posso retornar sem ter cumprido minha missão — respondeu, sem perder o controle.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— No andar de cima, temos um carregamento de ouro. Pegue quantas barras quiser e suma daqui — o misterioso mexicano apelou para o suborno. Não parecia disposto a lutar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;O silêncio do seguidor da Cruz Resplandecente parecia mostrar a repulsa dele pela proposta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— Ora, monge. Reconsidere. Pense em quantos mendigos poderá ajudar com a venda do ouro. Em quantos quilos de comida poderá comprar. Onde está a vontade de ajudar o próximo? Não se fazem mais clérigos como antigamente...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— Poupe-me do seu deboche! — protestou o guerreiro, enquanto ganhava tempo para planejar a melhor estratégia. Sabia que o Nefilim não estava ali, sua arma podia detectar a aura espiritual e sabia que tratava-se apenas de uma ilusão projetada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Os dois companheiros do Nefilim estavam imóveis, recuperando-se dos ferimentos da batalha, e suas feições relaxadas mostravam que estavam à espera da próxima ação do terceiro amigo, que demonstrava uma certa aura de liderança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Ele sentiu um quase imperceptível farfalhar, como se um turbilhão de vento entrasse pela sala. O fluxo de energia etérea fez sua manopla agir quase por vontade própria golpeando o ar, como se uma ameaça invisível pairasse por ali. A materialização do mexicano foi tão rápida que mesmo detectando o golpe, Estéban não pôde fazer nada para impedi-lo. O híbrido surgiu do nada, cuspindo um filete de chamas, e desaparecendo novamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Estéban caiu no chão com as roupas em chamas. Mesmo utilizando os poderes da manopla, ele não conseguiu anular inteiramente as queimaduras. Se fosse fogo comum, ele com certeza poderia apagá-lo de forma quase imediata, mas aquilo com certeza eram chamas infernais produzidas pelo rebento de um anjo caído. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Com os braços em carne viva, o Resplandecente recriminou-se de sua própria imprudência e tentou em vão golpear seu inimigo, mas este mais uma vez sumira no ar. Ele não podia ficar ali, indefeso, era preciso fazer algo. A manopla irradiou mais uma vez um casulo de luz violeta, transmutando-se numa espada. Sua regeneração era lenta e dolorosa, e por diversos momentos, ele pensou que iria perder a consciência. A imagem falsa do criminoso mais uma vez apareceu diante dos seus olhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— Eu odeio lutar, soldado. Para quê a força, se eu tenho tantos outros recursos? Eu não preciso combatê-lo, deixo que outros façam isso por mim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;O Cavaleiro da Cruz Resplandecente golpeou o fantasma com a espada, numa explosão de raiva. Sua frustração aumentava cada vez mais, aliada à vergonha de ser derrotado de forma tão fácil. Preparou-se para combater os Nefilim, mas não via mais nenhum sinal deles. Sozinho e frustrado, ele foi gradualmente perdendo o controle, e suas ações tornaram-se mais impulsivas. Subiu com dificuldade os degraus que levavam ao andar superior, e deparou-se com um depósito de barras de ouro, o que confirmava a bravata do Nefilim. As atividades criminosas estavam rendendo lucros altos, e aquele prédio, sem dúvida, era uma das bases de operação dos mafiosos semi-humanos. O Cavaleiro riscou uma das barras com sua espada, e fez uma rápida análise do material: tudo era falso. Estariam sendo usados em algum golpe? Como iriam enganar as autoridades? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Um alarme muito forte começou a soar pela câmara, quase estourando seus tímpanos. Estéban golpeou com força, cortando a barra de ouro espúrio como se fosse de manteiga. Tomado de uma ira cada vez mais irracional, o cavaleiro debilitado demorou a perceber que um grupo de agentes de segurança estava se aproximando pelos elevadores. O prédio não estava vazio, mas a raiva não o fez perceber isso. Os primeiros seguranças surpreenderam-se com a visão de um homem segurando uma espada — algo extremamente inusitado —, e deram-lhe tempo suficiente para correr até a janela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;“Só preciso escapar pelo mesmo paredão por onde subi”, “Fácil”, “Fugir é preciso”, repetia para si mesmo, tão descontrolado que jamais viria a perceber que estava sendo vítima do manifesto conhecido como &lt;i style=""&gt;Bestialidade&lt;/i&gt;. Javier Passaláqua, o criminoso misterioso mexicano, era um Nefilim da linhagem dos Precursores, e incutiu na mente do debilitado cavaleiro a Bestialidade de forma tão sutil, que o pobre Estéban não conseguirá descobrir o logro a tempo. Vítima da perda da razão, ele tenta apenas fugir, como um animal acuado. Ele prepara-se para o salto para a liberdade, convicto de sua agilidade. Os seguranças não conseguem acreditar na cena que presenciam, e ficam estáticos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;“Só um andar”, pensa Estéban, antes de flexionar os músculos. A cicatrização das queimaduras prossegue. Ele salta. Com toda a força, detêm a queda fatal firmando os dedos na borda marquise do 13º. andar. Quando ele percebe a presença da mesma mulher de cabelos claros olhando para ele com ar triunfal, é tarde demais. Um poderoso golpe psicocinético arranca-o do parapeito, arremessando-o de uma altura de mais de trinta metros. A mulher chama-se Esther Navarro, e é uma Precursora como seus colegas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Em sua última queda, ela solta um rosnado bestial, e seus pensamentos ficam reduzidos a uma cacofonia confusa de emoções espontâneas. Medo. Frio. Dor. Ele pensa em sua arma, a Gema Violeta de Amit. Ela poderia ter removido a presença parasita que turvava sua mente, mas já é tarde demais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;O impacto na chão da viela escura é tão violento que sua bacia é esmagada, sua cabeça explode numa poça de sangue e miolos esparramados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Um vulto materializa-se junto ao corpo esfacelado. É Javier, abrindo um largo sorriso de triunfo. A espada brilhante que antes refulgia como uma arma dos deuses, agora transmutando-se rapidamente em sal. Debaixo do túmulo de cinzas salinas, o Nefilim remexeu nos dedos retorcidos do cadáver para arrancar o que restara da gema violeta, agora reduzida um artefato petrificado de sal-gema. Com a morte de seu protetor e protegido, o cristal não passa de um mineral inútil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— Ela agora não serve para mais nada? — pergunta o robusto oriental de nome Timmy Santoleón, filipino e sócio de longa data dos empreendimentos de Passaláqua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— É apenas uma pedra de sal — responde Javier de forma seca. — Como talismã não vale mais nada, mas eu não iria abrir mão de um troféu tão valioso. Quem sabe eu não descubra o forma de reativá-lo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— Vai procurar Alfonsus ou Hannibaal? Talvez eles saibam como reverter a petrificação — o oriental demonstrou certa curiosidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— Depois eu penso nisso, é hora de prepararmos a “limpeza” o prédio. A morte do Cavaleiro será vista apenas como a morte acidental de um ladrão. Mas outros Cavaleiros mais tarde acabarão descobrindo que um deles morreu aqui. Não quero a infantaria celeste metendo-se na operação “Ouro dos Tolos”. Ligue para Esther, e peça para transferirmos o carregamento de ouro para outra sede.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— Canárias? — sugeriu Timmy, enquanto ligava para sua colega, que ainda devia estar no prédio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;— Pensei em Bahamas ou Aruba. Quanto mais distante daqui, melhor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Os dois riram e se afastaram, deixando para trás o cadáver de Estéban de Tartessos. Amanhã não haveria nem um barra de ouro mais no prédio, e Javier estaria refastelado em alguma praia ensolarada, hospedado em algum hotel cinco estrelas, em algum remoto paraíso fiscal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enquanto isso, os tolos continuariam nascendo e morrendo, indo e vindo, e sustentando seu império oculto.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: right; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;OURO DOS TOLOS&lt;/span&gt; foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://www.universogerminante.net/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Volte ao Universo Germinante&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-551484487037445492?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/551484487037445492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=551484487037445492' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/551484487037445492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/551484487037445492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-77-ouro-dos-tolos.html' title='Rebelião 77: Ouro dos Tolos'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/R8AlU2pm3JI/AAAAAAAAAMw/I4k-oEguQWI/s72-c/RAQ77_ouro_tolos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-8821161100113470893</id><published>2008-02-08T11:55:00.000-08:00</published><updated>2008-02-08T12:44:43.111-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cruz Resplandecente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Damnati'/><title type='text'>Rebelião 76: Resplandecente Serenidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/R6y8lOcq7xI/AAAAAAAAAMY/JZyBthjfCmk/s1600-h/RAQ76_resplandecente_serenidade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/R6y8lOcq7xI/AAAAAAAAAMY/JZyBthjfCmk/s400/RAQ76_resplandecente_serenidade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164710220406648594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A mulher de porte elegante e membros delicados polia delicadamente uma vasilha de acrílico, enquanto atendia os clientes que mexiam na prateleira de remédios analgésicos. Margarida era seu nome, e os cabelos castanhos emolduravam um rosto moreno com feições levemente orientais. Trazendo em seu sangue várias gerações de miscigenação entre portugueses, italianos, índios, japoneses e africanos, Margarida Acácio das Neves crescera numa família simples de seis irmãos, sustentados a muito custo por um casal de lavradores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;A pequena farmácia de subúrbio de que era proprietária era conhecida nas redondezas pelo eclético estoque composto por remédios alopáticos, homeopáticos, acessórios para cromoterapia, ervas para benzedeiras, florais de Bach e as mais diversas imagens de santos e orixás. Era difícil imaginar algo que não pudesse ser encontrado no Boticário Oriental, nome que a própria Margarida fizera questão de dar à sua loja. Mesmo passados vários anos da abertura da dita farmácia, o nome ainda era motivo de perplexidade para muitos dos vizinhos, que não entendiam o porquê de um nome tão “fora de moda” para um estabelecimento comercial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Margarida gostava do nome, e assim tocava sua vida. O sustento era garantido, ainda que sem luxos, e sua vida de solteirona parecia toda devotada à sua família de gatos siameses e suas idas freqüentes à pequena Capela de São Lucas, onde passava horas rezando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Quanto custa essa pastilha? — perguntou um senhor idoso de fartos bigodes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— A da caixinha azul ou da caixinha com desenho verde? — disse Margarida, tentando entender o pedido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Enquanto registrava mais uma venda, Margarida aproveitava para vigiar o garoto de cabelos oxigenados que parecia demorar demais na seção de cosméticos. Ele agachou-se diversas vezes atrás da prateleira, e ela não conseguia perceber o que ele estava fazendo. Ele já havia causado problemas outras vezes, e Margarida estava atenta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Um frasco de perfume não tão caro estava sendo empurrado para dentro do bolso do casaco com relativa habilidade, e seria relativamente fácil surrupiar mais um dois. O pequeno surrupiador estava tão confiante em sua destreza que não se importou com a chegada de um gato bem gordo de pêlos cor de creme. As extremidades negras comprovavam a raça siamesa do bichano, um dos muitos “queridinhos” da coleção da dona do Boticário Oriental.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Assim que rapaz magricelo deslizou mais alguns objetos para dentro dos bolsos, sentiu as garras miúdas porém afiadíssimas do gato acertarem-lhe a coxa. Conteve o grito, mais preocupado em manter consigo os prêmios surrupiados. Mal tentou sair na direção da porta e levou uma mordida violenta no calcanhar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;O grito foi ouvido por Margarida, e um dos fracos espatifou-se no chão de cimento, espalhando um odor forte de lavanda. Lucinho, um dos empregados da farmácia, dominou com facilidade o ladrão, retomando os outros frascos, e expulsando o menino com um leve safanão. Um PM que passava na calçada chegou para entender a confusão que começava a se formar e Margarida começou a explicar o que acontecera, com uma tranqüilidade fora do comum. A serenidade daquela moça era conhecida por todo o bairro, nada parecia jamais surpreendê-la ou tirá-la do equilíbrio. Costumavam dizer que ela parecia resplandecer com a irresistível tranqüilidade que parecia preencher sua alma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Enquanto Margarida explicava o acontecido para o policial, seu telefone celular tocou, num som tão baixo que somente sua dona percebeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Ela atendeu e limitou-se a ouvir o que era dito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Desligou o telefone.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Seu semblante estava alterado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Chamou seus três empregados, Lucinho, Kléber e Marília, e deixou-lhes encarregados de resolver o problema. Dirigiu-se para os fundos da loja, sempre seguida de perto pelos três gatos que deixava circular pela farmácia, e após uns dez minutos de sumiço, reapareceu de roupa trocada e com ar apressado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Disse que um irmão havia sofrido um acidente e que necessitava de auxílio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Ninguém seria capaz de adivinhar o real motivo de sua partida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A conversa telefônica não era um pedido por ajuda&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Era uma &lt;i style=""&gt;convocação&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A partir daquele momento, Margarida Acácio das Neves deixava de existir para tornar-se Margarida de Antioquia, Cavaleira da Cruz Resplandecente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Ela entrou em seu carro velho e partiu imediatamente. Não precisava de nada além do que carregava consigo. Enquanto dirigia para o destino indicado pelo telefonema, ciente da missão que estava fadada a cumprir, pronunciava uma oração quase silenciosa intermitente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;As pedrinhas azuis que furavam suas orelhas como pequenos brincos começaram a emitir um brilho cada vez mais intenso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Ela saltou do carro, e correu por dentro de uma viela deserta. Um muro de tijolos separava aquele lugar de uma encosta coberta de mato. No alto do morro, uma casa de três andares equilibrava-se na borda de uma pedreira íngreme. Margarida de Antioquia sabia muito bem como chegar até lá. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Certificou-se que ninguém estava por perto, e esfregou a orelha com força, os brincos começaram a soltar faíscas azuladas, e à medida que a luz ficava mais intensa, ela ia puxando os pequenos cristais um a um. Recolhendo-os na palma da mão, ela pronunciou uma palavra solene em algum idioma estranho, e sentiu as gemas fundindo-se em meio ao clarão em um só objeto, uma magnífica gema de cristal azul-claro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Segurando-a com força na mão, Margarida agachou-se para observar um grupo de ratazanas que passavam correndo por dentro de uma poça de lama. No alto, uma pequena garça voou emitindo um grito triste. Os dons inumanos conferidos pela gema misteriosa aos membros da Ordem da Cruz Resplandecente transformavam sutis sinais e ruídos em verdadeiros mananciais de informação. A Cavaleira fechou os olhos, concentrando-se, e repassou mentalmente seu plano de ação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A guerreira podia agora interpretar melhor o que a ave tinha visto, e a partir das mensagens olfativas compartilhadas com as ratazanas, podia traçar um quadro do terreno desconhecido que se escondia por trás da parede de tijolos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A gema brilhou, emitindo um clarão azulado, fazendo os olhos da mulher brilharem em sintonia. Ela ergueu-se do chão sem produzir som algum, levitando de maneira sobrenatural. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Uma forma humana agora subia a encosta do morro em alta velocidade, flutuando como um pássaro, uma dádiva de todos os cavaleiros detentores da Gema Azul-Clara da Águia Celeste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A casa ficava cada vez mais próxima, e ela podia compreender que aquela era uma mansão luxuosa, e que com certeza escondia inimigos perigosos. Nenhum vigia ou segurança era visível, e nenhuma luz estava acesa na residência. Para um espectador comum, a mansão parecia deserta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mas aquela mulher não era uma espectadora comum, e sabia como pouco ler os sinais preciosos que os animais, o vento e a terra carregam. Seus sentidos estavam mais aguçados, e ela podia sentir que energias arcanas estavam em ação lá dentro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Margarida preferiu voar diretamente para o último andar, pousando numa varanda estreita que decorava a sacada. Uma piscina pequena, cavada na própria laje, estava coberta de musgo, e o chão era escorregadio. O cheiro de bolor empestava a atmosfera noturna. Assim que ela tocou o chão, um cachorro começou a latir. Era um &lt;i style=""&gt;cocker&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;spaniel&lt;/i&gt; atarracado, de pêlos dourados, e aspecto inofensivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A mulher fez com que o brilho de sua jóia diminuísse, e tentou um contato empático com o cão. Procurou por mensagens sensoriais que lhe permitissem entender melhor quem estava lá dentro. Não conseguiu nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Sentiu apenas um vazio gélido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Aquele cachorro não era inofensivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Tampouco podia ser chamado de “cão”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;O animal soltou um rugido rouco e profundo, como se um trovão ecoasse por dentro de suas entranhas. Uma brisa gelada circulou pela varanda, fazendo com que o musgo na piscina mudasse levemente de coloração. Com um espasmo muscular, ele fez com que sua carne inchasse. Grandes tufos negros de pêlo despontaram de seu corpo, tão grossos que mais pareciam espinhos. Uma baba fétida escorria de sua boca, enquanto a metamorfose completava-se. Em poucos segundos o Damnatus, um demônio canino do Inferno, estava barrando a passagem de Margarida de Antioquia, a enviada da Ordem da Cruz Resplandecente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;As mandíbulas do bicho, enormemente distorcidas pela transformação exibiram ferozes presas que buscaram com avidez a coxa carnuda da Resplandecente. A jóia de cristal brilhou mais uma vez, jorrando um feixe luminoso que ao apagar-se tornou-se sólido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;O simulacro de cão não foi capaz de deter seus movimentos com a velocidade necessária, e antes que pudesse emitir mais um rugido, uma espada de metal azulado estava cravada em sua garganta, com a ponta atravessada em seu crânio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Margarida sorriu, e com um rápido movimento, ergueu sua espada, partindo a cabeçorra da besta em duas metades. Com a arma ainda em punho, deu um salto para dentro do salão que ocupava o último andar da casa. Um grupo de homens esperava por ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Eles estavam em maior número. Riram com deboche, confiantes de sua superioridade. Um deles tinha pupilas vermelhas que pareciam queimar em chamas. Um outro, um ancião de cabelos compridos, mostrou os dentes amarelados e gritou algo numa língua morta. Margarida percebeu que enormes vermes esverdeados enrodilhavam-se na cabeleira do velho. As paredes do salão estavam cobertas de pinturas abstratas, que pareciam ganhar vida. Uma substância viscosa e escura escorreu de um dos quadros descendo pela parede. Os pingos que caíam no chão davam origem a tentáculos. Pequenas criaturas inumanas entraram rastejando pelo chão de mármore. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A silhueta heróica da morena erguendo uma espada azul atraiu a atenção daquela dantesca corja. Eles cercaram lentamente a sua inimiga, confiantes em seu poder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Ela estava sozinha. Eles eram muitos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Ela brandiu sua espada e entoou um cântico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Um homem de cabelos loiros e olhos ardentes criou chamas com a ponta dos dedos ossudos. No fundo do recinto, a Resplandecente podia notar a presença de um enorme livro de capa branca com vários séculos de idade. Duas figuras sem traços definidos tomavam conta da &lt;i style=""&gt;Cândida Bíblia de Salomé&lt;/i&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Foi para isso que Ordem mandara Margarida de Antioquia vir até este lugar blasfemos. Ela devia resgatar o tomo sagrado, ou morrer tentando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Eles chegaram mais perto, bloqueando a passagem da guerreira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Eles eram muitos. Ela estava sozinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Margarida segurou sua espada com força.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Havia muitos inimigos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mas não o bastante para detê-la.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Ela canta mais uma vez, com o semblante sereno, como sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A espada baila no ar, deixando um rastro de luz azul-celeste. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;O primeiro inimigo cai a seus pés, sem um dos braços.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Agora só faltam mais alguns.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;RESPLANDECENTE SERENIDADE &lt;/span&gt;foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.universogerminante.net"&gt;Retorne ao Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-8821161100113470893?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/8821161100113470893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=8821161100113470893' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8821161100113470893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/8821161100113470893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-76-resplandecente-serenidade.html' title='Rebelião 76: Resplandecente Serenidade'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/R6y8lOcq7xI/AAAAAAAAAMY/JZyBthjfCmk/s72-c/RAQ76_resplandecente_serenidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-1255190419993330692</id><published>2008-02-08T09:00:00.000-08:00</published><updated>2008-02-08T09:17:05.059-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Renato Simões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 75: Caridade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/R6yOeucq7wI/AAAAAAAAAMQ/HI-8Z9zWp1s/s1600-h/RAQ75_caridade.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/R6yOeucq7wI/AAAAAAAAAMQ/HI-8Z9zWp1s/s400/RAQ75_caridade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164659531202621186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Quando Ismália enlouqueceu&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Pôs-se na torre a sonhar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Viu uma lua no céu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Viu outra lua no mar.&lt;/span&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt; (Alphonsus de Guimaraens)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Eu ainda não posso acreditar que isso aconteceu com ela…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Observo o pêndulo nas mãos de Clow — um penduricalho de vidro, como um cristal, preso em um cordão de prata — movimentar-se suavemente a cada soluço contido. Seu apartamento está uma grande bagunça, mas diferente da desorganização habitual. Com ele, o caos costumava lembrar simplesmente os turbilhões dinâmicos da vida: repentinos, vertiginosos, mas sempre interessantes. Hoje, todo ele tem uma aparência lúgubre, triste (os livros de Ismália estão espalhados pelo chão, porque Clow os deixou cair ao tentar empacotá-los. Vejo &lt;i style=""&gt;Oração aos moços&lt;/i&gt; perto de meu pé direito). Acabamos de voltar da missa de um mês de Ismália, sua amante de barro. Clow, como todos os Acólitos, sofre de uma terrível maldição: um elo inquebrável com os mortais. Sua última companheira sofria de psicose maníaco-depressiva, e suicidou-se jogando-se ao mar durante a ausência de meu amigo, quando tivemos aquele probleminha com a R.A.M. Ele ficou arrasado. Toda a sua exuberante alegria parece ter murchado, e uma melancolia e letargia imensas parecem ter tomado seu lugar. Não gosto dessa mudança. Não gosto de sua tristeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Sabe, às vezes eu usava meus poderes para influenciar seu humor. Na hora, eu me sentia um verme por manipulá-la assim, mas quando a via feliz… puxa, era tão bom! Você consegue me entender?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Não, não consigo. Viver entre esses bonecos perecíveis já é extremamente desagradável, imagino &lt;i style=""&gt;conviver&lt;/i&gt; com eles. Clow olha para mim esperando uma resposta (sempre gostei disso nele — nenhuma de suas perguntas era retórica, seu objetivo era sempre o de se comunicar).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Sim, querido, eu consigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Ele me devolve um sorriso triste e volta a olhar para o pêndulo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Não, não entende. E não é justo que eu pergunte isso a você. Sei como se sente em relação a eles…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Por favor, Clow, não me entenda mal. Sei que tudo que fez foi para fazê-la sentir-se melhor, e é admirável seu senso de compaixão…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Não, Gilda, você não entendeu mesmo. Nunca fiz nada a Ismália por compaixão. Eu a amava. Queria vê-la feliz porque a amava e me preocupava com ela. Não posso cobrar de você um entendimento disso porque sei que você é incapaz de amá-los — quando muito, pode tratá-los com condescendência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Você é que está sendo injusto comigo agora! Você…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Mas ele faz algo que me surpreende. Ele começa a chorar, baixinho, como uma criança magoada. Eu fico por uns momentos sem saber o que fazer, e ele desliza da cama, onde estava sentado, e fica de joelhos na minha frente, sua cabeça pouco acima de minha cintura. Quase naturalmente, eu o abraço e sinto o calor de suas lágrimas em meu ventre nu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Ah, dói tanto… por mais que eu tente controlar... ou esquecer… é uma dor… não, um &lt;i style=""&gt;vazio&lt;/i&gt;, que está em toda parte… tudo agora é um vazio dela…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Minha vontade real é estapear seu rosto e trazê-lo para a realidade. Existem &lt;i style=""&gt;Evas&lt;/i&gt; como ela em toda parte, e todas irão&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;voltar ao pó, mais hora, menos hora. Será tão difícil assim para esse tolo entender isso? Mas quando olho para ele, é impossível não me comover. Ele é um tolo, um amante de mortais, mas eu o amo. E não posso deixá-lo sofrendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Ergo Clow e o levo de volta para a cama. Ele contém um pouco de seu choro e eu caminho pelo quarto, tocando as coisas a esmo. Pego um livro à cabeceira de sua cama (&lt;i style=""&gt;Lira dos Vinte Anos&lt;/i&gt;) e deixo o maná fluir...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;… eles acabaram de fazer amor, e ela lê &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Amo a Voz da Tempestade&lt;i style=""&gt; enquanto ele brinca com os dedos de seu pé. Ela ainda tem o gosto salgado de seu suor nos lábios, e a languidez que a toma depois de se amarem a faz sentir-se feliz…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;seguro essas reminiscências em minhas mãos como quem captura um vaga-lume. Meus olhos vagam pelo quarto, e eu instintivamente sei o que procuro. Na mesa de cabeceira vejo uma ampulheta, e quando a toco…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;… &lt;i style=""&gt;as areias escorrem lentamente de um compartimento a outro do dispositivo. Ela está passando por uma crise e Clow está com ela. Essa é a quarta vez que as areias mudam de lugar, mas ele continua calado e abraçado a ela na penumbra do quarto. O ritmo das batidas do coração dele são fortes e constantes como o movimento do tempo, aprisionado neste brinquedo de madeira e vidro…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Não gosto do automatismo de minhas ações, da precisão de meus movimentos procurando as coisas que eram dela, mas continuo. Agora pego uma escova de cabelos, perdida entre vidros de perfume e cremes para maquilagem. Vejo com clareza…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;… eles estão em frente do espelho, enquanto ele penteia seus cabelos. Ele os escova bem devagar, ouvindo suas queixas sobre o trabalho novo. Ela se interrompe às vezes para ver se ele está prestando atenção. Como sempre, ele estava…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Ah, é perigoso fazer isso — recolher todas estas impressões tão vivas do amor que ela sentia por ele. Tem um sabor difuso, mistura de urgência, necessidade e gratidão. Há ainda outras coisas, mas em doses tão sutis, e tão fortemente misturadas, que me parecem indistintas. Não imaginava que eles pudessem sentir assim, com tanta intensidade, tão complexamente. Um porta-incensos me diz…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;… como eram breves os momentos que ela passava apreciando seu corpo, com mãos e lábios. Não era luxúria, ela só queria sentir, de olhos fechados, cada milímetro da pele de seu amante. Era um hábito estranho, e todos os homens antes dele se impacientavam com isso… mas ele apenas retribuía as carícias, com paciência e afeto…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Os vaga-lumes debatem-se entre meus dedos, tentando escapar. Os prendo firmemente em uma das mãos e caminho até Clow, tirando o pêndulo de seus dedos. Minha intenção era infundir a essência das lembranças dela no cristal, para que ele as pudesse levar por onde fosse. Mas não consegui. O pêndulo cai de minha mão, lentamente, como se pesasse muito, e antes de ouvir o ruído cristalino de mil fragmentos espalhando-se pelo chão, colho um beijo dos lábios úmidos de pranto de Clow.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;***&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Estamos deitados, os corpos suados e satisfeitos. Sua cabeça repousa sobre meu ventre, e ele está chorando sem fazer ruído. Quando se levanta, olha para mim de forma indecifrável o que me deixa perplexa e arrependida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Querido, me perdoe, não era isso que eu tinha em mente...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Obrigado, Gilda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Ele se aproxima e beija minha testa de modo fraternal, abraçando-me com tanto carinho, tanta ternura que é impossível não retribuir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Você queria me dar uma jóia do coração de Ismália. Mas seu coração não era de pedra; era de feito de um material mais frágil, perecível... e caloroso. Seu amor por mim fez com que penetrasse a essência de algo que despreza, só para me fazer feliz. Obrigado, prima. Obrigado por me dar uma chance de me despedir de meu amor da maneira como éramos em nossos momentos mais felizes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Ele se levanta e começa a se vestir com um sorriso brincalhão nos lábios, com uma intimidade a um tempo desconcertante e acolhedora. E as últimas brasas de Ismália ainda queimam em meu coração, mas apagam-se lentamente, dando-me tempo para me sentir satisfeita e feliz por ter trazido felicidade a outro alguém.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Obrigada, Ismália. Obrigada por ter me emprestado seu coração e seu amor. Olho Clow se movimentando pelo seu apartamento, com um novo sorriso cheio de nostalgia, e infantilmente começo a imaginar que estou tendo uma epifania: que só conseguimos realmente ser felizes quando doamos felicidade...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: right;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;CARIDADE&lt;/span&gt; foi escrito por Renato Simões&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText"&gt;Voltar ao Universo Germinante&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-1255190419993330692?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/1255190419993330692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=1255190419993330692' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/1255190419993330692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/1255190419993330692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-75-caridade.html' title='Rebelião 75: Caridade'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_zpaNQ8v8SzA/R6yOeucq7wI/AAAAAAAAAMQ/HI-8Z9zWp1s/s72-c/RAQ75_caridade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-3175121094308788499</id><published>2008-02-08T03:32:00.000-08:00</published><updated>2008-02-08T03:34:19.737-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='versipellis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Baalim'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gomorra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 73: Tabula Lupercalis</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Há muito tempo que Roma não tinha um inverno tão rigoroso, e aquela noite era a mais fria do ano. Leopoldo Carpone e Annabella Saverio ainda estavam acordados, debruçados sobre a enorme escrivaninha de madeira antiga, com uma série de pergaminhos antigos em frangalhos cuidadosamente dispostos sob uma proteção transparente. Os outros arqueólogos, Elia e Gioconda, já tinham sido vencidos pelo sono e estavam em seus quartos dormindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Desde o início nas escavações na catacumba, Annabella jamais se sentira tão perto de decifrar os documentos como agora. O dia fora marcado por uma sucessão de descobertas, e o que parecia ser um indecifrável quebra-cabeças agora começava a fazer sentido. Leopoldo conferia alguns caracteres alfabéticos num velho glossário, enquanto Annabella repetia suas mais novas conclusões, com um orgulho indisfarçá-vel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;— Estávamos seguindo o caminho errado. Ontem, eu finalmente consegui desvendar aquelas incongruências do nosso modelo inicial. Não estamos lidando com um só alfabeto, mas com vários. Baseando-me em certos detalhes de estilo e outras sutilezas, consegui decompor os textos cuneiformes em duas diferentes séries. A primeira realmente está em sumério, como desconfiávamos, e a segunda num alfabeto similar, mas que seguramente não é o mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Uma derivação mais recente do cuneiforme sumério? — perguntou Leopoldo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Não. Pelo meu estudo, acredito que seja uma forma mais arcaica ainda — completou a frase com um sorriso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Impossível! Um alfabeto mais antigo? Isto seria das maiores descobertas da Arqueologia atual!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Pois é, acho que estamos nesse caminho...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Mas os sumérios não usavam pergaminhos, somente tabuletas de argila. Além disso, como isso foi parar numa catacumba romana?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Eu sei que estamos diante de enormes paradoxos. Mas eu e Elia descobrimos hoje mais pergaminhos numa câmara secreta na ala sul. E com eles achamos algumas tabuletas em pedaços. Os pedaços conferem com o texto manuscrito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Você e Elia continuaram a escavação hoje? Por que não me avisaram de nada? — protestou Leopoldo, coçando os fartos bigodes castanhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Você tinha viajado até Florença, pensamos em ligar para você, mas eu quis fazer uma “surpresa”... — os olhos castanhos da moça pareciam brilhar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Leopoldo deu um beijo demorado na companheira, com quem mantinha um namoro há duas semanas, e viu que esta estava segurando um dos fragmentos na mão. Annabella chegou a esboçar um protesto quando Leopoldo arrancou apressadamente de suas mãos a pequena lasca de argila, mas deixou que ele visse por si mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Cuidado, Leo, a placa é frágil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Annabella podia compreender a empolgação de seu colega. Carpone era o mais jovem da equipe de arqueólogos, e também aquele que chegara há menos tempo no instituto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— As descobertas de Elia revelaram ser diversos conjuntos de fragmentos, nos quais identifiquei preliminarmente textos em sumério, em etrusco e latim arcaico, além de três línguas desconhecidas. Achamos também mais pergaminhos, a maioria em latim. Leo? Está me escutando?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Leo estava de costas, examinando uma das placas de argila. Lançou um olhar envergonhado para sua namorada, e pediu que ela continuasse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;A cientista passou a mãos pelos cabelos negros e muito curtos, e esfregou o pingente brilhante que sempre usava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Minha teoria é que trata-se de uma espécie de &lt;i style=""&gt;Pedra de Rosetta&lt;/i&gt;, temos provavelmente o mesmo grupo&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;de textos, traduzidos em diversas línguas. Parece-me que foram sendo traduzidos e copiados com o passar dos séculos. Graças aos conhecimentos de Gioconda em línguas itálicas, já conseguimos decifrar um dos fragmentos de pergaminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;A afirmação da mulher fez com que seu companheiro deixasse a placa na mesa, e se aproximasse com o maior interesse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— E o que dizem estes textos? Manuscritos proto-cristãos das catacumbas? Leopoldo apertou a mão de sua amante com força.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Pode ser. Mas parecem ter sido de alguma seita gnóstica ou de algum culto judaico aberrante, talvez até adeptos de alguma religião híbrida. Gioconda compilou o que parece alguma espécie de narrativa mítica sobre criaturas lendárias — a moça puxou um caderno de capa alaranjada de dentro de uma gaveta, e começou a ler as anotações de sua colega. Leopoldo ouvia tudo em silêncio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— O Rei... está pouco legível...parece ser Baiarsa, ou Baiarsag, de Gomorra, teve um reinado longo e era muito temido pelo seu poder. Graças às demônias que adorava, sacrificou o próprio filho, e cercou-se de uma legião invencível de homens-fera. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Bersa — era Elia que estava de volta, não tinha conseguido dormir, e decidiu voltar aos estudos. — Bersa é o rei de Gomorra citado na Bíblia, cuja forma hebraica mais correta seria Birsha’, com um “ayin” no final. Elia Ubaldo Frizzo era gordo e usava óculos, e era muito baixo. Sua chegada não agradou muito a Leopoldo, que ficou mais sério.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Sim, faz sentido — concordou prontamente a arqueóloga—, mas deixe-me continuar: Os anjos de Deus foram enviados para punir as cidades malditas de Sodoma e Gomorra. Seus nomes eram Surial, o Sherafim do Sol, Ragüel e Azrael. A cidade foi inteiramente destruída e seus habitantes mortos. A legião de lobisomens tentou refugiar-se no Templo de Hekath e Gomory, cujas colossais estátuas de prata foram derretidas pelo calor intenso do fogo celeste. Sete crianças foram as únicas sobreviventes, todas com a semente infernal dos demônios germinando em suas almas. Elas fugiram, espalhando-se pelas regiões mais frias do norte. Devido ao terror pelo qual passaram em sua fuga, passaram a desprezar o Sol, a Morte e a Prata.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Elia segurava agora uma caneca de vinho. Ouvia tudo com atenção, embora já soubesse de quase tudo, mas Annabella havia conseguido descobrir mais detalhes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Outro fragmento diz que os lobisomens quiseram reerguer Gomorra, e que com dois irmãos gêmeos, guiados por Akka, uma das primeiras mulheres-lobisomens, construíram uma grande cidade. Um irmão acabou matando o outro, e o sobrevivente depois desapareceu. Os planos de criar a Nova Gomorra falharam. A história não é muito clara. Há muitas lacunas. Fala de um lobisomem que migrou para o extremo norte da Europa, assumindo o nome de Bersarachis&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Um nome derivado de Bersa, sem dúvida — complementou Elia Frizzo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Gioconda acha que é a origem do nome “Berserkr”, que os vikings davam a homens possuídos por uma força animal devastadora — explicou Annabella.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Leopoldo ergueu-se, com ar de cansado. — Puxa, tantas descobertas na minha ausência! Estou exausto, vejo que não precisam mais de mim, vou dormir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— É, vejo que Annabella progrediu muito hoje, nos vemos amanhã. Também estou indo dormir — era Elia que falava agora, meio “contaminado” pela preguiça de seu amigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Annabella continuou analisando as anotações de Gioconda, e resolveu trazer mais alguns pergaminhos para o escritório. Não consegui pensar em dormir, tinha que ir até o fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Os ponteiros do relógios já indicavam as 3:34 da manhã quando Leopoldo retornou ao escritório.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Acordado de novo? — perguntou a moça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Você não vem dormir? Estou sentindo sua falta — disse Leopoldo, lançando um olhar libidinoso para ela. Estava sem camisa, e havia uma enorme cicatriz em seu braço esquerdo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Você se machucou, querido? — ela perguntou, preocupada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Nada de mais, foram os arames perto da janela... só isso...o que você está escrevendo aí?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Novidades! Novidades! Annabella soltou um belo sorriso, mas parecia sentir um pingo de sono. — Os textos não lhe soaram familiares?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Não...eu...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Ora, Leo, francamente! Não sei como não percebemos isto antes! Dois irmãos gêmeos, guiados por uma mulher-loba, construindo uma cidade... é a lenda da fundação de Roma! Rômulo e Remo, cuja ama tinha o nome de Acca Laurentia!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Temas míticos recorrentes, querida. Isto se repete... — não chegou a completar a frase.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— E tem mais, veja o que eu descobri, pesquisando na Internet, bem agora: Gomorra em hebraico se escreve ‘Amora...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Sim...e?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Se escrevermos ‘AMORA ao contrário temos AROMA’...ROMA! Roma foi a Nova Gomorra para esta seita! E o nome latim dos lobisomens era &lt;i style=""&gt;versipellis&lt;/i&gt;, significa “pele trocada”, mas não poderia relacionar-se com um radical mais antigo vers-, bers-, ligado a Bersa? Em proto-itálico...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Xiii.... — Leopoldo cobriu os lábios de Annabella com o dedo. — Hora de descansar este cerebrozinho maravilhoso. Ele começou a beijá-la, e a desabotoar sua blusa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Aqui...os outros...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“Todo mundo já está na cama”, cochichou Leopoldo, “é hora de nos deitarmos também”. As mãos dele já avançavam no sutiã, puxando com tanta força, que arrancou os fechos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Uau! Gostei disso! — falou ela ao ouvido do amante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Querida, pode tirar o pingente? As pontas são meio afiadas, pode machucar. Você não vai precisar dele agora — ele agora apertava as nádegas dela com força.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Claro... — ela tirou o colar de prata e jogou para debaixo da mesinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ela a jogou no chão com muita violência. Sua mão cobriu sua boca, apertando-a e comprimindo sua cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Sua voz tornou-se um rugido. Dentes amarelados e enormes brotaram da boca, enquanto uma juba de pêlos castanhos e ásperos envolvia seu corpo, que agora ganhava mais músculos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Uma língua comprida e pegajosa lambeu o rosto e os seios pequenos de Annabella. — Você não sabe como foi difícil me conter para não matá-la antes!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Vocês descobriram as Tábuas Lupercais, algo muito valioso para o meu povo. Não chore, seus amigos já estão mortos. Só falta você agora, minha deliciosa “ovelhinha”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Annabella não arriscou a menor reação. Falou lentamente:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;— Cuidado com a ovelha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;O monstro sentiu um golpe poderoso rasgando suas entranhas. Uma espada flamejante surgida do nada partiu o crânio da aberração ao meio. Enquanto ele sentia seu corpo ardendo, podia ver salamandras saltitando por entre as labaredas. Um segundo golpe da espada cortou suas pernas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Annabella ergueu-se, e com um golpe preciso deu cabo da vida daquela monstruosidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ela já havia percebido quem ele era, graças à ajuda de alguns amigos, e enquanto ele o tempo todo pensava estar enganando-a, na verdade era ele que estava sendo enganado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ela juntou todos os pergaminhos e tabletes numa caixa, pegou sua bagagem e fugiu pela manhã. Era hora de procurar pelo seu amigo Acólito e decifrar o restante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Leopoldo Carpone não havia sido o primeiro, e provavelmente não seria o último &lt;i style=""&gt;versipellis&lt;/i&gt; a ser morto pela Bastarda Annabella.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;A &lt;i style=""&gt;Tabula Lupercalis&lt;/i&gt; estava em boas mãos agora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; TABULA LUPERCALIS &lt;/span&gt;foi escrito por Simões Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://www.universogerminante.net"&gt;  Volte ao Universo Germinante&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7387987082034485358-3175121094308788499?l=contosug.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosug.blogspot.com/feeds/3175121094308788499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7387987082034485358&amp;postID=3175121094308788499' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/3175121094308788499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7387987082034485358/posts/default/3175121094308788499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosug.blogspot.com/2008/02/rebelio-73-tabula-lupercalis.html' title='Rebelião 73: Tabula Lupercalis'/><author><name>Gruft</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03385615525004777486</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://i184.photobucket.com/albums/x74/jalila81/gruft.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7387987082034485358.post-4027897871332223186</id><published>2008-02-08T03:29:00.000-08:00</published><updated>2011-02-27T05:39:02.265-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Simoes Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rebelião'/><title type='text'>Rebelião 72: Paraíso Perdido</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Foi mais ou menos em 1909 que os quatro homens chegaram àquela região desértica no interior do Quênia. Os ingleses prosseguiam com sua dominação feroz, eufemisticamente chamada de “colonização”. Fome, peste, opressão e morte estavam por toda parte. Os quatro vestiam túnicas compridas com longos capuzes. Alguns os chamavam de monges; outros os viam como imãs muçulmanos; houve até aqueles que os consideraram como rabinos ou simples homens sábios. Pela sua cor, todos sabiam que eram africanos, mas eles jamais disseram de onde vinham.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O mais alto eles era muito magro e seu nariz bem comprido e adunco. Seus olhos &lt;span class="GramE"&gt;eram&lt;/span&gt; grandes e de uma hipnótica coloração amarelo-ouro. Os africanos chamavam-no de Tai. Assad, que usava sempre &lt;span class="GramE"&gt;um manto escuros&lt;/span&gt;, tinha barba e cabelos negros e volumosos, e sua voz era rouca e possante. Os ingleses chamavam de Matthew o mais baixo do grupo, que apesar da pequena estatura era grandioso em bondade e alegria, e cujos cabelos vermelhos chamavam a atenção. Completava o quarteto o enorme Lucas, um gigante cujo apetite era &lt;span class="SpellE"&gt;pantagruélico&lt;/span&gt;. Sua cabeça era raspada, tinha uma barba de alvura extrema, e seus olhos eram tão claros que também pareciam brancos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Onde antes havia sofrimento, surgiu &lt;span class="GramE"&gt;a&lt;/span&gt; fertilidade. Os quatro homens trabalhavam a terra com habilidade ímpar, e ao redor de si foram juntando os pobres famintos e desesperados. Em &lt;span class="GramE"&gt;pouco anos&lt;/span&gt;, nas terras outrora estéreis e áridas, floresceu um verdadeiro jardim, batizado pelo habitantes de &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt;, “Pequeno Paraíso”. Os rebanhos cresciam, os animais eram fortes e pujantes. Abelhas reunidas em incríveis colméias davam um mel delicioso, e o leite das vacas era saboroso e revigorante. Ali todos trabalham juntos para a prosperidade comum, e não havia diferenças. Com o tempo, até europeus e indianos juntaram-se àquele pequeno pedaço do Éden.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Os quatro anciãos eram discretos e falavam pouco, mas estavam sempre dispostos a ajudar e &lt;span class="GramE"&gt;resolver problemas, e vida seguia&lt;/span&gt; feliz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Até que um dia, num riacho até então pouco notado, foram descobertos diamantes, e tudo começou a mudar. Atraídos pela riqueza, gente de todas as partes chegava, e com eles, a ganância, a vaidade e a violência. A beleza mineral atraiu os olhos da Coroa Britânica, e tropas foram destacadas para ocupar &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt;. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Lucas — a quem os imigrantes indianos chamavam de &lt;span class="SpellE"&gt;Vrishabha&lt;/span&gt; —, Assad, Matthew e Tai disseram aos soldados britânicos que aquele lugar era pacífico, e que eles não precisavam das gemas preciosas. Queriam apenas prosseguir em sua vida pacata, e que não desejavam ser importunados por garimpeiros e mercenários.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O Exército da Coroa não reconheceu os direitos daqueles “africanos insolentes”, e iniciou-se uma guerra, tanto com armas como com mentiras. Os religiosos viam os quatro guias de &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt; como hereges; para os governantes, eles eram rebeldes insurretos; para a elite britânica, eram como uma peste que podia alastrar-se.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Foi ordenada a evacuação do povoado, e a ocupação das terras diamantíferas pelo Exército Real. O povo pacífico era forte e saudável,&lt;span class="GramE"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;e sua honra tamanha que não aceitaram as ordens do colonizador. Incapazes de dobrar seus oponentes, os ingleses decidiram quebrá-los. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando os soldados invadiram a aldeia com suas armas e bombas, até mesmo os animais nativos pareciam estar do lado dos indefesos habitantes. Manadas de búfalos e &lt;span class="SpellE"&gt;gnus&lt;/span&gt; investiam contra os homens, e leões enormes trucidavam os soldados atônitos. &lt;span class="GramE"&gt;Aves de rapina descia&lt;/span&gt; dos céus como se fosse máquinas de guerra, visando olhos e outros pontos fracos. A própria Natureza parecia rebelar-se contra o jugo da tirania.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;No alto de uma pequena colina, em sua humilde cabana, os quatro sábios a tudo assistiam, como se fossem comandantes daquela estranha rebelião. Quando os ingleses partiram em debandada, eles soltaram um grito de alegria. E eles desceram para ajudar aos seus “irmãos” feridos. Por toda parte, pessoas agonizavam, crianças chamavam pelas mães, e mães choravam pelos filhos mortos. Corpos mutilados estavam espalhados pelas hortas pisoteadas e destruídas. O sangue das reses fuziladas fluía como se fosse um rio escarlate.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A noite foi de dor e pranto, mas Tai, Lucas &lt;span class="SpellE"&gt;Vrishabha&lt;/span&gt;, Assad e Matthew estavam ali para acudir a todos os necessitados e confortar os combalidos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O sol nasceu forte, e com ele um barulho estranho no horizonte. Zepelins aproximavam-se pelo lado leste da aldeia. Antes que qualquer reação pudesse acontecer, as máquinas voadoras começaram a despejar suas bombas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;As névoas amareladas de &lt;span class="SpellE"&gt;dicloroetilsulfeto&lt;/span&gt; — o hediondo gás mostarda — começaram a engolfar &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt; com eficiência genocida. As pessoas podiam sentir na pele grandes bolhas amareladas, olhos lacrimejavam, e pulmões ardiam. Até mesmo os animais tombavam mortos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Em menos de &lt;span class="GramE"&gt;um hora&lt;/span&gt;, todos estavam mortos. &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt; chegava a seu fim, no ano de 1915. Com equipamentos protetores, os soldados retornam mais uma vez, seus coturnos pisando em cadáveres e sua sede de vitória saciada. Eles confluem para a cabana no alto do pequeno morro, desejam encontrar os corpos dos quatro líderes daquela rebelião frustrada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Os primeiros a chegar não acreditam no que vêem: o quarteto de homens encapuzados está vivo, à sua espera.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Nós criamos um Paraíso aqui — o som parecia sair dos quatro ao mesmo tempo — e tudo nos foi tirado. Onde antes fluía o leite e o melo, apenas corre o sangue e a água envenenada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Os soldados apontaram as armas para os seus inimigos. O comandante deu alguns passos à frente, também com a arma em riste.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Os quatro homens deram um passo para lado, deixando à mostra no chão uma colméia, aparentemente intacta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— Foi tudo o que nos restou, bonecos de barro. O mel que alimentou aquele povo feliz. &lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;O mel doce como o maná dos Céus&lt;/span&gt; — enquanto isso, novos soldados iam chegando e cercando os mentores da insurreição derrotada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— A doçura &lt;span class="GramE"&gt;acabou,&lt;/span&gt; agora só restam as abelhas. E seus ferrões.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um enxame começou a sair da colméia, formando uma espécie de nuvem cinzenta ao redor dos militares britânicos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;— FERRÕES AGUDOS COMO AS CHAMAS DO INFERNO.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;As abelhas atacaram com um zumbido infernal. Os soldados gritavam, corriam e se debatiam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O manto que cobria Matthew desmanchou-se como se feito de poeira, e suas formas cresceram. — A DOR SERÁ INSUPORTÁVEL — disse ele, com uma voz incrivelmente mais ressoante agora. Duas enormes asas negras mosqueadas cresceram em suas costas, e a escuridão das madeixas contrastando com os olhos brilhantes, que &lt;span class="GramE"&gt;mantinham-se&lt;/span&gt; fixos no soldados que não sabiam para onde correr.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Tai fez uma espécie de careta horrenda, enquanto seu nariz adunco transformava-se dando origem a um bico de ave de rapina, e &lt;span class="GramE"&gt;grande asas&lt;/span&gt; douradas brotavam de seus ombros. Garras afiadas e penas despontavam de seu novo corpo. — MAS VOCÊS NÃO MORRERÃO. NÃO AGORA — mais &lt;span class="GramE"&gt;um espasmo muscular, e sua cabeça era&lt;/span&gt; agora com a de uma águia. Sua voz tornou-se um grito estridente que fez estourar os tímpanos de muitos dos homens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Lucas &lt;span class="SpellE"&gt;Vrishabha&lt;/span&gt; bateu no chão com os pés, que agora inchavam, transformando-se em patas de boi, os dedos sofrendo uma metamorfose indescritível e convertendo-se em cascos fendidos. A cabeçorra deformava-se, ganhando dois enormes chifres em forma de crescente. — VOCÊS DEVEM VIVER, POIS SÓ OS RESPONSÁVEIS POR ESTE HEDIONDO MASSACRE DE INOCENTES É QUE SE LEMBRARÃO DISTO. POR TODO O RESTO DA&lt;span class="GramE"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;SUA DESPREZÍVEL VIDA, VOCÊS SE RECORDARÃO DO CHORO E DA AGONIA — sua cabeça era agora era como a de um imponente touro ou búfalo, e seu corpo titânico estava coberto de pêlos curtos, brancos como a Lua Cheia. Seu brado de dor foi um mugido que fez a terra tremer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Assad caminhou lentamente em meio &lt;span class="GramE"&gt;as&lt;/span&gt; hordas de abelhas ferozes, sem nada sentir. À medida que &lt;span class="GramE"&gt;caminhava&lt;/span&gt;, as pegadas gravadas na terra mole mudavam de formato, passando de pés humanos para enormes patas leoninas. Se cabelo tornava-se mais denso ainda, formando uma juba escarlate ao redor de sua cabeça. — NÓS TENTAMOS MOSTRAR-LHES O CAMINHO DO PARAÍSO, MAS VIMOS QUE A ESTIRPE DEGENERADA DE ADAM NÃO É DIGNA DE HERDAR ESTE MUNDO BELO — grandes asas cor de fogo cresciam em seu dorso arqueado, e grandes garras retráteis projetavam-se de seus dedos curtos. Caninos salientes estavam à mostra, e seu rugido ecoou pelos vales e montanhas como um trovão retumbante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Enquanto os militares corriam enlouquecidos pelo terreno devastado, tropeçando em cadáveres, caindo em poças fétidas, com os insetos infernais atacando-lhes sem clemência, os quatro sábios revelavam-se agora em sua verdadeira forma: quatro anjos Beni &lt;span class="SpellE"&gt;Elohim&lt;/span&gt;, pairando sobre a paisagem nefasta — NÃO HAVERÁ PERDÃO PARA TAMANHA IGNOMÍNIA, CORJA ADAMITA. QUANDO CHEGAREM AO INFERNO, SAMAEL ESTARÁ À SUA ESPERA.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;As asas de penas reluzentes agora &lt;span class="GramE"&gt;encarquilhavam-se&lt;/span&gt; e desfaziam-se, deixando como resultados enormes asas de couro escuro como as de um morcego colossal. A carne celestial parecia queimar e moldar-se sob &lt;span class="GramE"&gt;o efeitos&lt;/span&gt; de chamas &lt;span class="SpellE"&gt;tartáreas&lt;/span&gt;. Os semblantes agora pareciam com os de hórridos símios disformes, batendo suas asas demoníacas contra o vento. — CRIAREMOS UMA NOVA RAÇA PRIMAL PARA REPOVOAR ADAMAH E SOBREPUJAR A RAÇA HUMANA. E QUANDO A DEGENERADA HUMANIDADE CHEGAR AO FIM... NOSSA PROLE &lt;span class="GramE"&gt;REINARÁ,&lt;/span&gt; SUPREMA EM UM PARAÍSO RENASCIDO.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;* * *&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Manchester, Reino Unido, 12 de dezembro de 1956. Morre Ronald &lt;span class="SpellE"&gt;Creeks&lt;/span&gt;, aos 78 anos, participou em 1915 da destruição do povoado queniano de &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Dallas, Estados Unidos, &lt;span class="GramE"&gt;2&lt;/span&gt; de maio de 1966. Morre Herbert &lt;span class="SpellE"&gt;Brighte&lt;/span&gt;, aos 81 anos, participou em 1915 da destruição do povoado queniano de &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ottawa, Canadá, 11 de março de 1971. Morre James &lt;span class="SpellE"&gt;Alexius&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Bornsey&lt;/span&gt;, aos 71 anos, participou em 1915 da destruição do povoado queniano de &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Londres, Reino Unido, 10 de julho de 1972. Morre Michael Aldous &lt;span class="SpellE"&gt;Forster&lt;/span&gt;, aos 87 anos, participou em 1915 da destruição do povoado queniano de &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Pretória, África do Sul, &lt;span class="GramE"&gt;7&lt;/span&gt; de junho de 1978. Morre William Anthony &lt;span class="SpellE"&gt;Well&lt;/span&gt;, aos 86 anos, participou em 1915 da destruição do povoado queniano de &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Pretória, África do Sul, 18 de fevereiro de 1982. Morre &lt;span class="SpellE"&gt;Maximilian&lt;/span&gt; Peter &lt;span class="SpellE"&gt;Well&lt;/span&gt;, aos 94 anos, participou em 1915 da destruição do povoado queniano de &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Em todas estas mortes, algo em comum: antes de dar o último suspiro, eles foram vítimas de um súbito frenesi. Em delírio, diziam estar ouvindo um barulho ensurdecedor — que só eles ouviam, no entanto — como de milhões de abelhas zumbindo. Todos confessaram ter cometido o mais hediondo dos crimes, e imploraram por perdão. “Eu participei do Massacre de &lt;span class="SpellE"&gt;Dogo&lt;/span&gt; &lt;span class="SpellE"&gt;Ferdausi&lt;/span&gt;”, assim eles grita
